O Kia EV2, apresentado há pouco mais de um mês, assume-se como o elétrico mais pequeno e mais acessível da marca sul-coreana no mercado europeu. Antes de chegar aos concessionários, foi colocado à prova num contexto particularmente duro para qualquer veículo a bateria: o inverno em condições reais.
Para esse efeito, marcou presença - de forma não oficial - no El Prix Winter Test Drive, uma iniciativa organizada pela Federação Automóvel Norueguesa e amplamente reconhecida como uma das avaliações mais exigentes de autonomia em frio extremo. A edição deste ano foi, inclusivamente, a mais gelada de sempre, com temperaturas a oscilar entre -8 °C e -31 °C. O propósito é claro: medir quanta autonomia os elétricos perdem nestas circunstâncias face ao valor anunciado.
O que é o El Prix Winter Test Drive e como funciona
A dureza do teste não se explica apenas pelo frio. O trajeto escolhido é igualmente penalizador: começa em Oslo, junto ao mar, e segue para zonas de maior altitude, chegando a cerca de 1000 m nas montanhas e vales entre Otta e Fåvang. Pelo caminho, os participantes enfrentam um conjunto variado de cenários - circulação urbana, autoestrada e longas subidas e descidas - precisamente para espelhar condições de utilização real.
A metodologia é simples e implacável: os carros são conduzidos até entrarem em limitação de potência por falta de energia e acabarem por parar. No final, todos terminam o teste… em cima de um reboque. Assim, torna-se possível apurar a autonomia efetiva no frio e compará-la com a autonomia oficial WLTP, ajudando os consumidores a perceberem, com números, o impacto das baixas temperaturas.
Nesta edição participaram mais de 20 modelos. Importa sublinhar que o Kia EV2 não entrou como participante oficial por se tratar de uma unidade pré-série, mas realizou a prova com as mesmas regras e sob as mesmas condições aplicadas aos restantes.
Autonomia do Kia EV2 no frio: como se comportou no El Prix Winter Test Drive
A unidade levada pela Kia foi um EV2 GT-Line, com autonomia anunciada de 413 km em ciclo combinado WLTP (previsto). Este exemplar utiliza a bateria maior da gama, com 61 kWh, e, por ser a versão GT-Line, equipa jantes de 19 polegadas.
Apesar do cenário adverso, o Kia EV2 percorreu 310,6 km antes de ficar totalmente imobilizado, após mais de cinco horas ao volante. Na prática, isso representa uma perda de quase 103 km face ao valor WLTP previsto, o que corresponde a uma redução de 24,81%.
Mesmo sem estatuto oficial no evento, o desempenho do EV2 acabou por se destacar: foi o melhor resultado de autonomia entre todos os presentes. Na classificação oficial, os melhores desta edição foram o Hyundai Inster e o MGS6, ambos com uma quebra de 29% relativamente aos valores oficiais.
Carregamento do Kia EV2 a temperaturas negativas
O bom desempenho não se ficou pela distância percorrida. O El Prix Winter Test Drive inclui também uma prova de carregamento, e aqui o pequeno SUV elétrico da Kia voltou a mostrar-se competente: mesmo com temperaturas abaixo de zero, precisou de 36 minutos para elevar o estado de carga de 10% para 80% - apenas mais seis minutos do que o valor oficial de 30 minutos.
O que este resultado indica para quem pensa num Kia EV2
Ao colocar o EV2 neste tipo de ensaio, a Kia procurou passar uma mensagem direta: apesar de ser o elétrico mais acessível da sua gama, o posicionamento de entrada não tem de significar compromissos relevantes na autonomia, mesmo quando o carro é confrontado com o frio - um dos maiores inimigos dos modelos 100% elétricos.
Convém lembrar que, em clima frio, a autonomia tende a cair não só pela menor eficiência da bateria, mas também pelo consumo adicional com aquecimento do habitáculo, desembaciamento e gestão térmica do pack. Em condições como as da Noruega (até -31 °C), estas variáveis tornam-se decisivas e ajudam a explicar porque é que comparar a autonomia real com a referência WLTP é tão útil.
Para quem utiliza um elétrico no dia a dia, há ainda boas práticas que podem reduzir o impacto do inverno: pré-condicionar a bateria e o habitáculo enquanto o carro está ligado à tomada, planear carregamentos em viagem para chegar ao posto com a bateria mais quente e moderar velocidades em autoestrada. Não eliminam a perda de autonomia, mas ajudam a torná-la mais previsível - algo particularmente relevante num modelo compacto como o Kia EV2, pensado para utilização urbana e periurbana, mas que também terá de responder em trajetos mais longos.
Comentários
Ainda não há comentários. Seja o primeiro!
Deixar um comentário