A Ferrari aproximou-se hoje do seu primeiro automóvel 100% elétrico, ao desvendar não só a designação como também o interior. Afinal, não será “Ferrari Elétrica”, como se chegou a admitir numa fase inicial: o modelo vai chamar-se Ferrari Luce.
“Luce” é a palavra italiana para “luz” ou “iluminação”, mas, de acordo com a própria Ferrari, a escolha do nome pretende dizer mais do que a tradução direta. A marca enquadra este lançamento como parte de uma nova filosofia: a eletrificação surge como um meio para atingir a experiência Ferrari - e não como um fim em si mesmo. O objetivo do discurso é claro: apresentar o Luce não como uma rutura com a herança da casa, mas como um passo coerente na evolução daquilo que a Ferrari afirma ser, mesmo sem motor de combustão.
Interior do Ferrari Luce: uma revolução com assinatura LoveFrom
O interior do Ferrari Luce representa uma mudança profunda face ao que a marca italiana tem feito nos seus restantes modelos. Este salto nasce de uma colaboração entre a Ferrari e a LoveFrom, o coletivo criativo fundado por Sir Jony Ive (designer associado durante anos à linguagem de produto da Apple) e Marc Newson. Trata-se de uma parceria que, segundo a Ferrari, já dura há cinco anos e que abrange múltiplas frentes do Luce, da ergonomia aos materiais, incluindo a interface homem-máquina.
Curiosamente, apesar de Jony Ive ser conhecido por ter ajudado a popularizar uma abordagem com poucos botões em dispositivos como o iPhone, o Luce faz questão de recuperar o contacto físico: há comandos físicos em abundância - botões, manípulos, seletores e interruptores - distribuídos pelo volante e pelo painel de bordo. A Ferrari assume, assim, um recuo na dependência excessiva de ecrãs táteis, embora mantenha um ecrã que pode rodar para ficar orientado para o condutor.
A instrumentação segue a mesma lógica de equilíbrio: é digital, através de um ecrã de 12,5 polegadas (cerca de 31,8 cm), mas apresenta três mostradores separados que evocam a leitura e a organização dos instrumentos analógicos de outras décadas. E, já que o tema são referências históricas, o volante de três braços é uma piscadela deliberada a um tempo em que o volante tinha uma missão simples e direta: conduzir.
Veja todos os detalhes do interior na galeria abaixo:
Harmonia entre componentes físicos e programação
A abordagem conjunta da LoveFrom e do Centro Stile Ferrari, sob liderança de Flavio Manzoni, assentou na ideia de unir componentes físicos e programação de forma fluida, para sustentar uma experiência de condução distinta - mais coerente, mais tátil e menos “apenas digital”.
Um exemplo revelador é a sequência de arranque do Ferrari Luce: o processo começa com a chave a ser colocada num local específico. Assim que é inserida, a peça muda de amarelo para negro, e o tom amarelo “migra” para o manípulo da transmissão. É um daqueles pormenores pensados para serem descobertos - e apreciados - com o uso.
Materiais: alumínio reciclado e vidro em vez de plástico
Outro elemento central é a seleção de materiais. A Ferrari destaca o uso extensivo de alumínio 100% reciclado, trabalhado a partir de blocos maciços com controlo numérico computorizado (CNC) em três e cinco eixos, e finalizado com um processo avançado de anodização.
A marca explica o racional: procura-se durabilidade, elevada precisão e uma textura visual capaz de envelhecer com dignidade ao longo do tempo. Além disso, foi privilegiado vidro em vez de plástico, por ser mais resistente e por transmitir uma perceção mais premium. Aqui surge a referência ao Corning Fusion5, escolhido pela elevada resistência a riscos e pela clareza ótica.
O que este interior pode significar para a experiência elétrica
Num automóvel 100% elétrico, onde o silêncio e a entrega imediata de binário mudam a forma como se sente a condução, detalhes como comandos físicos, feedback tátil e materiais com presença ganham um papel ainda maior. Sem “ruído” mecânico a dominar o ambiente, a ergonomia, a iluminação e a forma como o condutor interage com o carro passam para primeiro plano.
Também é expectável que a Ferrari explore a dimensão emocional do habitáculo de novas maneiras - não necessariamente com mais ecrãs, mas com soluções de interface que valorizem legibilidade, rapidez de acesso e consistência, especialmente em contexto de condução dinâmica.
Quando chega o Ferrari Luce?
O nome e o interior do primeiro Ferrari elétrico foram apresentados num evento em São Francisco (EUA), servindo de antevisão à revelação completa do Ferrari Luce, marcada para maio de 2026, em Itália.
Até lá, isto é o que faz sentido acompanhar - e que a Ferrari ainda terá de confirmar em detalhe:
- Especificações finais (potência, desempenho e autonomia)
- Arquitetura de carregamento e tempos de carga
- Peso, soluções de gestão térmica e abordagem ao som (ou silêncio) a bordo
- Preço, calendário de entregas e capacidade de produção
- Versões e configurações previstas para o lançamento do Ferrari Luce
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