Após anos de preparação meticulosa e de campanhas de ensaio, a NASA está finalmente prestes a enviar uma tripulação de astronautas a contornar a Lua.
Missão Artemis II da NASA: o regresso humano à vizinhança lunar
A missão Artemis II assinala a primeira visita humana à Lua desde o fim do programa Apollo, em 1972 - um passo decisivo rumo a voltar a pisar a superfície lunar. Além disso, os quatro astronautas poderão estabelecer um novo máximo histórico de distância à Terra alcançada por seres humanos.
Numa conferência de imprensa, o administrador associado da NASA, Amit Kshatriya, resumiu o momento: “Há cinquenta e três anos, a humanidade deixou a Lua e não voltou. Agora regressamos.”
Kshatriya acrescentou ainda que o desafio de alargar a fronteira será conquistado “pelos artesãos, pelos engenheiros e pelas indústrias das nações livres, construindo em conjunto aquilo que nenhuma nação consegue construir sozinha”. E, dirigindo-se às crianças que acompanham a missão, deixou uma mensagem: “Uma visão optimista do futuro não é ingénua. É possível construí-la.”
Data e hora de descolagem e tripulação
A descolagem está marcada para as 22:24 UTC (18:24, hora de verão da costa leste dos EUA - EDT) de quarta-feira, 1 de abril de 2026. A bordo da nave Orion seguirão, para um circuito de 10 dias em torno da Lua:
- Reid Wiseman, comandante da missão
- Victor Glover, piloto
- Christina Koch, especialista de missão
- Jeremy Hansen, especialista de missão
Será a primeira vez, desde a era Apollo, que uma tripulação viaja para lá da órbita terrestre baixa.
Pode acompanhar a descolagem em directo através do vídeo do YouTube incorporado abaixo.
Um teste crucial: SLS e Orion com tripulação pela primeira vez
Este voo de teste será a primeira descolagem tripulada do foguetão Space Launch System (SLS) e do módulo Orion. O objectivo central é verificar o desempenho da Orion em condições reais, incluindo:
- sistemas de suporte de vida
- navegação
- comunicações
Na prática, trata-se de um ensaio geral para uma futura missão de alunagem.
Antes desta etapa, a Artemis I - a primeira missão do programa - realizou um ensaio sem tripulação, pensado para resolver o maior número possível de problemas antes de colocar pessoas na nave, preparando com cuidado o caminho que pretende levar a humanidade de volta à Lua.
Atrasos recentes e “luz verde” para a contagem decrescente
A Artemis II, a etapa seguinte, acumulou alguns adiamentos: a data inicialmente prevista para fevereiro foi adiada devido a uma fuga de hidrogénio líquido e voltou a ser empurrada para mais tarde por causa de um problema no fluxo de hélio.
Existem, naturalmente, outros factores que podem impedir um lançamento - por exemplo, condições meteorológicas inseguras. Ainda assim, tudo indica que a missão está, finalmente, com luz verde.
O director de lançamento, Charlie Blackwell-Thompson, afirmou: “Todo o trabalho planeado está concluído. Os preparativos para a contagem decrescente estão concluídos.” E reforçou: “Neste momento, todos os sinais indicam que estamos em excelente forma à medida que entramos na contagem.”
O ponto alto: a maior distância à Terra alguma vez atingida por humanos
Durante a missão, quando a Orion passar atrás da Lua a 6 de abril, espera-se que a tripulação se afaste da Terra mais do que qualquer ser humano na história, ultrapassando o recorde de 400 171 km estabelecido pela Apollo 13.
A directora de voo principal, Emily Nelson, sublinhou a oportunidade: “Esta é a oportunidade… de enviar a nossa tripulação mais longe do que alguém alguma vez foi.”
Para além de validar a nave, a missão deverá trazer informação essencial sobre a forma como os astronautas trabalham no espaço profundo durante períodos prolongados, incluindo o impacto de atrasos nas comunicações e a navegação muito para lá da órbita terrestre baixa onde opera a Estação Espacial Internacional.
Um aspecto particularmente valioso deste tipo de voo é treinar rotinas e decisões em ambiente distante, onde a autonomia da tripulação e das equipas em Terra ganha ainda mais importância. A experiência operacional recolhida - desde procedimentos a bordo até à gestão de imprevistos - tende a influenciar directamente a preparação de missões posteriores.
O que vem a seguir: Artemis III e Artemis IV
A etapa seguinte, Artemis III, está neste momento apontada para 2027. A missão será realizada mais perto da Terra: a Orion, lançada no SLS, irá para a órbita terrestre baixa para testar procedimentos de encontro orbital e acoplagem com naves comerciais destinadas a apoiar futuras operações de alunagem.
A quarta fase do programa, Artemis IV, tem como alvo o início de 2028. Segundo a NASA, a missão pretende concretizar uma alunagem tripulada nas proximidades do polo sul da Lua, onde os astronautas deverão efectuar observações científicas e recolher amostras.
Essas missões futuras dependem do sucesso da Artemis II: uma nova demonstração de que é possível levar seres humanos até à Lua - e trazê-los de volta em segurança.
“É um momento incrível para a geração Artemis, e estamos entusiasmados e prontos para avançar”, disse Nelson.
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