A divulgação recente de novas imagens por observadores locais veio reforçar a confirmação de que a Rússia avançou com a entrega de novos caças Su-35S à Força Aérea da Argélia, no âmbito do processo de modernização em curso. Continua, porém, por esclarecer quantas aeronaves já terão chegado efectivamente ao território argelino. Ainda assim, o material publicado sugere que pelo menos duas unidades já exibem esquema de pintura e insígnias compatíveis com a instituição, sinalizando o arranque das entregas previstas.
Su-35S na Força Aérea da Argélia: o que mostram as imagens mais recentes
Os indícios visuais apontam para aeronaves já configuradas para serviço com marcações nacionais, um detalhe relevante por normalmente ocorrer quando a incorporação operacional está em preparação ou já em curso. A presença do padrão de pintura e dos emblemas associados à Força Aérea da Argélia reforça a leitura de que se trata de aparelhos destinados a utilização directa e não apenas de movimentações temporárias.
Antecedentes: imagens de Oum El Bouaghi e os primeiros voos captados
Convém recordar que a possibilidade de a Argélia receber Su-35S foi amplamente debatida em março do ano passado, quando surgiram imagens de satélite nas quais se identificava um aparelho deste tipo com insígnias argelinas no aeroporto de Oum El Bouaghi. Na mesma altura, observadores locais conseguiram também registar em vídeo os primeiros voos da plataforma, numa fase em que nem Argel nem Moscovo tinham confirmado oficialmente a operação.
A origem do lote: aeronaves fabricadas para o Egipto e o contrato de 2018
De acordo com relatos anteriores, pelo menos parte dos aparelhos estaria associada a um lote inicialmente produzido para o Egipto, ao abrigo de um acordo assinado em 2018. Esse entendimento previa a aquisição por Cairo por um valor na ordem dos 3 mil milhões de dólares. Contudo, cerca de dois anos depois, o país recuou e a compra acabou por ser considerada cancelada, deixando aeronaves já fabricadas sem destino imediato, estacionadas nas imediações da unidade industrial de Komsomolsk-no-Amure, à espera de um novo cliente.
Um quadro mais amplo: Su-34, guerra electrónica e investimento adicional
A cooperação entre os dois países, segundo informação que circula em fontes abertas, não se esgotaria na aquisição dos Su-35S. Documentos alegadamente divulgados nas redes sociais por piratas informáticos indicaram que a Força Aérea da Argélia também terá assegurado um lote de cerca de catorze aeronaves Su-34. Para estes aparelhos, ter-se-ia procurado integrar novos equipamentos de guerra electrónica, o que implicaria um investimento aproximado de 175 milhões de dólares por parte de Argel.
Imagens em Zhukovski e a renovação da frota argelina
Pouco tempo depois dessa informação, surgiram novas imagens dos caça-bombardeiros a efectuar voos sobre Zhukovski, evidenciando progressos na produção do lote. Nessa fase, as aeronaves já apresentavam um esquema de pintura característico em tons desérticos, adequado aos ambientes onde se prevê a sua operação. Em conjunto com os Su-35S, estes meios destinam-se a reforçar e actualizar uma frota que, até aqui, tem assentado em plataformas como os Su-30MKA, MiG-29S/M/M2 e Su-24MK2.
Possível passo seguinte: Su-57 de exportação e o papel da Rosoboronexport
Em linha com este movimento de reforço, não pode ser ignorada a informação segundo a qual a Força Aérea da Argélia também terá trabalhado na aquisição de novos caças furtivos Su-57 na versão de exportação - o que a posicionaria como primeiro cliente internacional do modelo. De acordo com o mesmo documento divulgado, a instituição pretenderia incorporar uma dúzia de unidades. Por seu lado, declarações de responsáveis da agência de exportação Rosoboronexport indicavam, no final de 2024, que a Rússia já teria concretizado a primeira venda do avião, embora sem identificar o país comprador. As entregas teriam começado em Novembro de 2025.
Integração operacional e sustentação: formação, manutenção e infra-estruturas
A entrada em serviço de caças como o Su-35S tende a exigir mais do que a simples recepção das células: envolve programas de formação de pilotos e técnicos, adaptação de procedimentos de manutenção, disponibilidade de sobresselentes e, muitas vezes, ajustes em infra-estruturas de baseamento para acomodar requisitos específicos. Estes factores podem condicionar o ritmo de disponibilização operacional, mesmo quando as entregas físicas já estão em andamento.
Implicações regionais e coerência da frota
Do ponto de vista estratégico, a incorporação de Su-35S, a par de um potencial reforço com Su-34 e a eventual aquisição de Su-57, contribui para uma arquitectura de capacidades mais diversificada, com impacto directo na dissuasão e na projecção de poder aéreo. Em paralelo, a coexistência de vários modelos (como Su-30MKA, MiG-29S/M/M2 e Su-24MK2) coloca desafios de logística e padronização, tornando a gestão de ciclo de vida e a interoperabilidade interna elementos críticos para maximizar o retorno do investimento.
Imagens utilizadas a título ilustrativo
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