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Malvinas 40 Anos – Assim foi a Operação ARIES 82, a ponte aérea da Força Aérea Argentina após a retoma das ilhas.

Soldados militares perto de aviões de transporte na pista enquanto preparam carga ao amanhecer.

Com a recuperação das Ilhas Malvinas em preparação, a Força Aérea Argentina autorizou um conjunto de iniciativas de planeamento e prontidão destinadas a apoiar as acções previstas - entre elas, a Operação ARIES 82. Dentro deste enquadramento, a I Brigada Aérea assumiria um papel determinante, colocando à disposição a totalidade dos seus Esquadrões para estabelecer uma ponte aérea entre as ilhas e o continente.

Enquadramento e objectivo da missão

O conceito de operações foi delineado como uma missão de aerotransporte, orientada para a captura de um aeródromo através do desembarque de pessoal e material. Pela natureza da Operação ARIES 82, uma das primeiras unidades a receber ordens do Comandante de Operações Aéreas foi o Grupo de Operações Especiais (GOE). De imediato, o GOE entrou em fase de planeamento e aprontamento, organizando uma força destinada a actuar assim que se iniciassem as acções de recuperação das Ilhas Malvinas.

Em paralelo, a I Brigada Aérea avançou com as coordenações e preparativos necessários para sustentar as tarefas atribuídas, formalizando o plano ARIES 82. Este planeamento previa empenhar o pessoal e os meios dos quatro Esquadrões do Grupo 1 de Transporte Aéreo ao longo de quatro etapas: aprontamento, desdobramento, assalto aéreo e sustentação.

Para cumprir estas fases, foram atribuídas plataformas com funções bem definidas: - Lockheed C/KC-130E/H Hércules (quadrimotores de transporte) para o desembarque inicial; - Fokker F-28 Fellowship para transporte de pessoal; - IA50 G-II Guaraní para missões de ligação; - Fokker F-27 Friendship para busca e salvamento.

A IX Brigada Aérea como nó central do dispositivo

A IX Brigada Aérea, sediada em Comodoro Rivadavia, transformar-se-ia no centro nevrálgico das operações aéreas. Para ali convergiriam os aviões de transporte, o GOE, o Regimento de Infantaria 25, a Companhia de Engenheiros 9, além de outras unidades e diversos materiais que precisavam de efectuar a travessia até às Ilhas Malvinas.

A concentração em Comodoro Rivadavia permitiu sincronizar escalões, cargas e prioridades, reduzindo tempos mortos no ciclo de missões e garantindo que cada aeronave descolava com o máximo de eficácia logística. Num cenário deste tipo, a rapidez de rotação no solo, a correcta amarração de carga e a coordenação entre controladores, tripulações e equipas de rampa tornam-se tão decisivas quanto o próprio voo.

Operação ARIES 82: início do assalto aéreo e libertação da pista

No dia 1 de Abril, o G1T começou a deslocar para a IX Brigada Aérea os seus Hércules e Fokker F-28, antecipando as acções que ocorreriam nas primeiras horas de 2 de Abril. Quando chegou o momento, seria activada a Fase de Assalto Aéreo, com a designação do primeiro Hércules responsável pelo desembarque inicial no aeródromo das ilhas.

Pouco depois das 05h00, descolou da IX Brigada Aérea o C-130H TC-68, indicativo de chamada “LITRO 1”. No porão seguiam mais de uma centena de homens destinados a participar numa missão histórica. Este contingente heterogéneo incluía efectivos do GOE, elementos de Controlo do Transporte Aéreo, soldados do Exército Argentino, pessoal do Componente Aéreo do Teatro de Operações, bem como dois veículos do Exército e material para uma Terminal Aérea de Carga.

Tripulação “LITRO 1” (C-130H TC-68)

  • Comandante: Comodoro Carlos Beltramone
  • 1.º piloto: Vice-comodoro Alfredo Cano
  • Navegador: Comodoro Roberto Mela
  • Mecânicos de voo: Suboficial Ajudante Juan Rydzik; Cabo Principal Mario Cemino
  • Auxiliares de carga: Suboficial Ajudante Roberto Carabajal; Suboficial Ajudante Roberto Pajón; Suboficial Auxiliar Carlos Salazano

O “LITRO 1” conseguiu aterrar depois das 08h30, já com a pista libertada dos obstáculos colocados pelas forças britânicas e após as forças argentinas terem assegurado as imediações da estação aérea. Nessa fase, o controlo do tráfego aéreo era exercido a partir do contratorpedeiro ARA “Hércules” (D-1).

A operação evidenciou também a dependência de factores tácticos e operacionais pouco visíveis: a desobstrução da pista, a segurança perimetral e a gestão do fluxo de aeronaves em ambiente de elevada incerteza. A capacidade de manter uma sequência ordenada de chegadas e partidas foi essencial para que a ponte aérea se mantivesse contínua.

Sequência do ponte aérea após o sucesso do TC-68

Com a aterragem bem-sucedida do TC-68, a Operação ARIES 82 prosseguiu com a ponte aérea, seguindo a ordem abaixo.

“LITRO 2” - C-130E TC-63

O C-130E TC-63, indicativo “LITRO 2”, descolou pouco depois das 06h00 transportando cerca de uma centena de soldados do Exército. Chegou aproximadamente às 09h20, voltou a descolar às 09h50 e aterrou em Comodoro Rivadavia às 11h50.

Tripulação “LITRO 2” - Comandante: Vice-comodoro Alberto Vianna
- 2.º piloto: Capitão Andrés Valle
- Navegador: Capitão Roberto Cerrutti
- Mecânicos de voo: Suboficial Principal Pedro Razzini; Cabo Principal Ricardo Figueroa
- Auxiliares de carga: Suboficial Auxiliar Oscar Ardizoni; Suboficial Auxiliar Carlos Nazari; Suboficial Auxiliar Juan Marnoni

“LITRO 3” - C-130H TC-64

O C-130H TC-64, “LITRO 3”, descolou às 06h55. Transportou pessoal do Exército e um veículo. Atingiu o destino às 09h45. Iniciou o regresso ao continente às 10h00, aterrado às 12h00.

Tripulação “LITRO 3” - Comandante: Major Rubén Oscar Palazzi
- 2.º piloto: Vice-comodoro Julio C. Sanchotena
- Navegador: Vice-comodoro Adrian Speranza
- Mecânicos de voo: Suboficial Auxiliar Juan Romero; Cabo Principal José Torres
- Auxiliares de carga: Suboficial Principal Américo Arévalo; Suboficial Principal Carlos Sánchez
- Apoio técnico: Cabo Principal Juan Reynoso

“LITRO 4” - C-130E TC-65

O C-130E TC-65, “LITRO 4”, descolou às 17h55. A partida sofreu atraso devido a ocorrências reportadas. Transportou um radar Westinghouse AN/TPS-43F, pertencente ao Grupo 2 de Vigilância e Controlo Aéreo.

Tripulação “LITRO 4” - Comandante: Major Julio Dominguez
- 2.º piloto: Vice-comodoro Rubén Moro
- Navegador: Major Jorge Valdecantos
- Mecânicos de voo: Suboficial Auxiliar Roque Lozano; Suboficial Auxiliar Juan Hümöllrt
- Auxiliares de carga: Suboficial Ajudante Roberto Ovejero; Suboficial Principal Domingo Farías; Cabo Principal Horacio Gonzalez

“LITRO 5” - Fokker F-28 TC-51

O Fokker F-28 TC-51, “LITRO 5”, descolou às 08h15 com efectivos do Exército. Chegou ao destino às 09h45, iniciando o regresso às 10h45. Atingiu o continente às 12h15.

Tripulação “LITRO 5” - Comandante: Brigadeiro Enrique Ramón Valenzuela
- 1.º piloto: Capitão Agustín Miguez
- 2.º piloto: Antonio Fazio
- Mecânicos de voo: Suboficial Principal Julián Rodríguez; Cabo de 1.ª classe Gerardo Roldán
- Auxiliar de carga: Suboficial Auxiliar Carlos Martínez

“LITRO 6” - Fokker F-28 TC-53

O Fokker F-28 TC-53, “LITRO 6”, partiu às 09h15. Transportou pessoal do Exército. Chegou às ilhas às 10h50. Aterrou na IX Brigada Aérea às 12h40.

Tripulação “LITRO 6” - Comandante: Vice-comodoro Oscar Bahamondez
- 1.º piloto: Major Carlos Gonzalez
- Mecânicos de voo: Suboficial Ajudante Héctor García; Cabo de 1.ª classe Osvaldo Puñet
- Auxiliar de carga: Suboficial Ajudante Enrique Prince

“LITRO 7” - Fokker F-28 TC-52

O Fokker F-28 TC-52, “LITRO 7”, descolou às 09h30, regressando ao continente às 12h50. Transportou soldados do Exército.

Tripulação “LITRO 7” - Comandante: Raúl Echenique
- 1.º piloto: Major Héctor Pupek
- Mecânico de voo: Cabo Principal Juan Medina
- Auxiliar de carga: Suboficial Auxiliar Carlos Verasay
- Apoio técnico: Cabo de 1.ª classe Ramón Avendaño

“LITRO 8” - Fokker F-28 TC-55

O Fokker F-28 TC-55, “LITRO 8”, descolou às 09h45. Chegou às ilhas às 11h05. A sua chegada ao continente ocorreu às 21h15. Transportou pessoal do Exército.

Tripulação “LITRO 8” - Comandante: Vice-comodoro Eduardo Amores
- 1.º piloto: Capitão Ricardo Altamirano
- Mecânicos de voo: Suboficial Principal Roberto Verdú; Cabo Principal Jorge Gamba
- Auxiliar de carga: Suboficial Auxiliar Hugo Ochoa

Redesdobramentos e transporte de pessoal britânico

Importa recordar que a Operação ARIES 82 incluiu também o redesdobramento de algumas unidades que participaram no desembarque e na recuperação das Ilhas Malvinas, bem como o transporte para o continente do governador Rex Hunt, da sua família e de efectivos dos Royal Marines.

No conjunto, as actividades aéreas decorreram sem incidentes de relevo, e a ARIES 82 consolidou-se como uma operação não apenas bem-sucedida, mas também marcante pela sua dimensão histórica.

Fontes consultadas: “O Accionar da Força Aérea em Malvinas”
Imagem de capa: Arquivo

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