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A corveta ARA “Robinson” da Marinha Argentina partiu de Puerto Belgrano para apoiar a XXVIII Regata Oceânica Buenos Aires/Rio de Janeiro.

Duas velas brancas com bandeiras argentinas a navegar em regata com outras veleiras coloridas ao fundo ao pôr do sol.

Em mais uma demonstração de presença no mar e de compromisso com a segurança da navegação, a corveta ARA “Robinson” (P-45), da Armada Argentina, largou da Base Naval de Puerto Belgrano (BNPB) para prestar apoio à XXVIII Regata Oceânica Buenos Aires/Rio de Janeiro. Integrada na Divisão de Corvetas, a unidade assumirá a missão de acompanhar e apoiar as embarcações da Argentina e do Brasil que participam nesta emblemática prova internacional, cujo percurso ultrapassa as 1.100 milhas náuticas (cerca de 2.037 km) e coloca à prova a competência, a resistência e a coordenação das tripulações.

Corveta ARA “Robinson” (P-45) e a segurança na XXVIII Regata Oceânica Buenos Aires/Rio de Janeiro

Sob o comando do capitão-de-fragata Gerardo José García, o navio largou amarras ao meio-dia de quarta‑feira, 11 de fevereiro, com a supervisão do Comandante da Esquadra do Mar, contra‑almirante Pablo Germán Basso, acompanhado pelo Comandante da Divisão de Corvetas, capitão‑de‑mar‑e‑guerra Christian David Corona. A saída assinalou o arranque de mais uma missão operacional da corveta, que volta a desempenhar um papel decisivo como escolta e como plataforma de apoio durante a travessia oceânica.

Sobre a participação, o capitão García sublinhou que “é um orgulho para toda a tripulação representar a Esquadra do Mar num evento náutico desta dimensão, realizado em águas argentinas, uruguaias e brasileiras”. Depois de atingir o Rio da Prata, a ARA “Robinson” permanecerá fundeada na Rada de La Plata até ao início oficial da prova, previsto para sábado. A partir daí, acompanhará os 14 veleiros inscritos ao longo de toda a navegação, até à chegada à cidade do Rio de Janeiro, na República Federativa do Brasil.

Para garantir um corredor de navegação mais seguro ao longo do trajecto, a escolta funciona como ponto de referência e coordenação no mar, facilitando comunicações, vigilância e resposta rápida a incidentes. A presença de uma unidade naval com capacidades de apoio permite ainda reforçar a disciplina de tráfego marítimo e a articulação entre participantes, especialmente em troços sujeitos a mudanças bruscas de tempo e a mar agitado.

O iate ARA “Fortuna III”, símbolo da tradição desportiva naval

Entre as embarcações em prova, ganha destaque o iate ARA “Fortuna III”, representante da Armada Argentina e expressão do espírito desportivo da instituição. Sob o comando do capitão‑de‑mar‑e‑guerra Gustavo Pablo Rúa, o Fortuna III acumula um percurso relevante em regatas oceânicas, competindo nas categorias ORC, ORC Club Tripulação Reduzida, ORC Club Tripulações a Dois e Veleiros Clássicos. A sua presença volta a afirmar a tradição marinheira da Armada em competições onde exigência, precisão e trabalho de equipa caminham lado a lado.

O capitão Rúa realçou a importância do navio escolta, explicando: “Sendo uma regata oceânica, a corveta apoia todas as unidades participantes e está preparada para intervir em emergências como evacuações médicas, acidentes e temporais; além disso, é a última a entrar, depois de o fazer o último participante. Para nós, é fundamental contar com essa segurança.” A observação traduz a cooperação próxima entre a ARA “Robinson” e as embarcações civis, um elo essencial para preservar a integridade de pessoas e meios num percurso que exige experiência e capacidade de resposta.

Numa prova desta natureza, a gestão de risco torna-se parte do próprio planeamento: desde a monitorização meteorológica e do estado do mar, até à preparação para eventuais pedidos de assistência. A existência de uma plataforma de apoio no terreno contribui para que as tripulações mantenham o foco na navegação e na performance, sabendo que existe retaguarda para situações críticas.

Preparação no Estaleiro Rio Santiago e características técnicas do “Fortuna III”

Antes da largada, o Fortuna III passou por uma revisão completa no Estaleiro Rio Santiago, onde foram executados trabalhos de manutenção do casco, verificação dos molinetes, inspecção dos sistemas hidráulicos, revisão da hélice de competição e controlo das jarcias, assegurando condições ideais para enfrentar a travessia. Com 15 toneladas e uma tripulação de 17 pessoas, entre militares e civis, a embarcação reúne competência técnica, disciplina e espírito de camaradagem - atributos indispensáveis para os desafios do Atlântico Sul.

Construído na Oficina de Manutenção de Buenos Aires a partir dos planos do reconhecido designer Germán Frers, o ARA “Fortuna III” é um veleiro de alto desempenho concebido integralmente em fibra de carbono, material que combina elevada resistência e rigidez com baixo peso. O projecto, optimizado para competição, permite operar com até 18 tripulantes, organizados em turnos rotativos para manter o funcionamento contínuo durante a navegação. Equipado com um mastro de carbono ajustável por sistema hidráulico, o Fortuna III consegue adaptar o aparelho às condições meteorológicas, maximizando o rendimento e a eficiência em cada etapa da regata.

Uma travessia com tradição, coordenação e cooperação regional

A XXVIII Regata Oceânica Buenos Aires/Rio de Janeiro volta a reunir embarcações de referência da Argentina e do Brasil numa competição marcada pela tradição e pelo esforço colectivo. Antes da partida oficial, os veleiros desfilarão em frente ao Clube Náutico Argentino, num gesto de homenagem a esta travessia histórica.

A partir do início da regata, a actuação da corveta ARA “Robinson” (P-45) será determinante para a segurança dos navegantes, reforçando o compromisso da Armada Argentina com a promoção das actividades marítimas e com a cooperação regional em cenários que exigem preparação, coordenação e responsabilidade.

Créditos das imagens: Gazeta Marinheira – Armada Argentina.

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