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Banco Montepio: lucro consolidado cai 31% para 23,6 milhões no 1.º trimestre

Homem a trabalhar em escritório, a analisar gráficos financeiros com calculadora e notas à sua frente.

O lucro consolidado do Banco Montepio registou uma quebra de 31% no primeiro trimestre, ao fixar-se em 23,6 milhões de euros, em comparação com o período homólogo, num desempenho que, segundo a instituição, traduz "a normalização do custo do risco".

O banco precisa que "este valor compara com 34,2 milhões de euros no período homólogo de 2025, refletindo a normalização do custo do risco após uma reversão extraordinária de imparidades de crédito registada no primeiro trimestre de 2025, no montante de 12,3 milhões de euros, mantendo-se em 2026 um nível de imparidades historicamente baixo".

Ainda de acordo com o Banco Montepio, se esse efeito for retirado da comparação, o resultado líquido dos primeiros três meses de 2026 teria crescido 11%, o que, nas suas palavras, "reflet[e] o reforço da performance operacional e recorrente do Banco Montepio".

Desempenho operacional do Banco Montepio e produto bancário

A instituição sublinha uma "aceleração da atividade comercial, tanto a nível do crédito como dos depósitos" e considera que o desempenho até março "confirma a execução bem-sucedida da estratégia em curso, após um ano de 2025 marcado pela melhor performance de sempre no crescimento do negócio e pela consolidação da instituição no patamar de investimento ("grau de investimento") pelas agências internacionais de notação financeira Moody's, Fitch e DBRS".

Nesse enquadramento, o produto bancário aumentou 4,4% em termos homólogos, atingindo 109,1 milhões de euros, num movimento que o banco atribui à "evolução positiva da atividade comercial". Dentro deste total, a margem financeira chegou a 84,3 milhões de euros.

O Montepio acrescenta que o produto bancário incorpora também contribuições para o setor bancário no valor de nove milhões de euros, registadas em "outros resultados de exploração negativos".

As comissões líquidas somaram 34 milhões (+3,4%), apoiadas por maiores "comissões de mediação de seguros, de mercado e dos serviços de pagamento, decorrentes da expansão da atividade comercial, uma vez que não existiram alterações materiais no preçário".

Depósitos e crédito a clientes

No período em análise, os depósitos de clientes alcançaram um novo máximo histórico de 16.300 milhões de euros, o que representa um aumento de 6,8% face aos 1033 milhões do primeiro trimestre de 2025. O segmento de particulares representou 68% do total.

Sobre a evolução homóloga, o Banco Montepio indica que "a evolução homóloga dos depósitos foi fortemente impulsionada por ambos os segmentos, tendo os particulares subido 551 milhões de euros (+5,2%) e o segmento de empresas incrementado 482 milhões de euros (+10,2%), refletindo uma dinâmica comercial relevante".

No crédito a clientes (bruto), verificou-se uma subida de 8,5% (1.048 milhões de euros), para 13.400 milhões, com o crédito "em cumprimento" a aumentar 1.092 milhões (+9,1%) em termos homólogos.

Considerando apenas o primeiro trimestre de 2026, o crescimento do crédito a clientes (bruto) foi de 2,7% e o dos depósitos situou-se em 1,4%. Já o crédito a clientes "em cumprimento" avançou 2,7% (351 milhões de euros) no primeiro trimestre, para 13.200 milhões de euros.

Qualidade dos ativos, imparidades, capital e liquidez

Nos indicadores de qualidade dos ativos, o Montepio aponta para um custo do risco de crédito nulo, preservando o patamar observado em 2025. O banco assinala ainda uma redução homóloga das exposições não produtivas (NPE) em 44 milhões de euros (-17,6%), o que colocou o rácio NPE (crédito malparado) em 1,6%, face a 2,1% no final de março de 2025, abaixo da média do Sistema Bancário Português (2,1% no final de 2025).

O rácio NPE líquido de imparidades totais para risco de crédito ficou em 0,2%, quando no final do mês homólogo de 2025 era de 0,4%. A cobertura dos NPE por imparidades específicas foi de 50,9%, acima da média de 41,4% da União Europeia no final de 2025.

Quanto à cobertura por imparidades totais para risco de crédito, atingiu 85,9% (80,1% no final de março de 2025) e situou-se em 109,5% quando considerados colaterais e garantias financeiras associadas (120,6% no final do mês homólogo de 2025).

O Banco Montepio reporta igualmente uma diminuição homóloga da exposição ao risco imobiliário em 58 milhões de euros (-33%), para um total de 118 milhões de euros, o que corresponde a 0,6% do ativo líquido (0,9% no final de março de 2025) e a 7,2% dos fundos próprios (11,3% no final de março de 2025).

Na eficiência, medida pelo rácio recorrente de "custo/rendimento", houve uma melhoria para 61,0% no primeiro trimestre deste ano, face aos 62,3% do final de 2025.

Nos primeiros três meses de 2026, o valor líquido do agregado de imparidades e provisões situou-se em 0,9 milhões de euros, traduzindo um aumento da dotação líquida em 11,3 milhões relativamente ao período homólogo.

Ao nível de capital, o rácio de Capital Próprio Principal de Nível 1 (CET1) foi de 16,0% (-0,2 pontos percentuais em termos homólogos), enquanto o rácio de Capital Total ficou em 19,0% (-0,4 pontos percentuais). Já o rácio MREL (montante mínimo de capital próprio e passivos elegíveis), em percentagem do total dos RWA (ativos ponderados pelo risco), fixou-se em 26,0% (+1,0 pontos percentuais).

Em liquidez, o rácio de cobertura de liquidez (LCR) foi de 174,2% e o rácio de financiamento estável (NSFR) estabeleceu-se em 141,1%. A reserva de liquidez ascendeu a 5.800 milhões de euros (+1,4% em termos homólogos), "refletindo o reforço da posição de liquidez".

Custos operacionais

No primeiro trimestre deste ano, os custos operacionais do Montepio totalizaram 72,4 milhões de euros, acima dos 70,8 milhões registados no trimestre homólogo, o que, segundo o banco, "reflet[e] os acréscimos dos custos com pessoal e dos gastos gerais administrativos associados à evolução da taxa de inflação".

Os custos com pessoal aumentaram 2,4% para 40,8 milhões, "em resultado de ajustamentos na estrutura de custos induzidos pela inflação e pela política interna de valorização e retenção de talento".

Por sua vez, os gastos gerais administrativos atingiram 18,9 milhões de euros, mais 3,5%, refletindo o efeito da inflação na contratação e na renovação de contratos associados à prestação de serviços, em particular no âmbito do processo de transformação digital do Banco Montepio e dos desenvolvimentos dos sistemas de informação.

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