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Com o possível cancelamento do programa F126, a Alemanha iniciou a compra de novas fragatas MEKO A-200 à TKMS.

Navio militar cinzento NE-820 com tripulação a bordo e um bote rápido a seu lado no mar calmo.

Ontem, através de um comunicado oficial, a empresa alemã TKMS informou que a Alemanha deu início ao processo de aquisição de novas fragatas MEKO A-200, antecipando-se a um eventual cancelamento do programa F126. A decisão foi viabilizada por um acordo preliminar assinado com o Escritório Federal de Equipamentos, Tecnologia da Informação e Apoio em Serviço da Bundeswehr (BAAINBw). De acordo com as indicações disponíveis, este entendimento deverá permitir que a Marinha Alemã receba o primeiro navio até ao final de 2029, estando o arranque dos trabalhos preparatórios previsto já para este mês.

Acordo preliminar entre a TKMS e o BAAINBw para lançar as fragatas MEKO A-200

Em termos práticos, o acordo preliminar entre a TKMS e o Estado alemão cobre as fases iniciais necessárias para colocar a construção das MEKO A-200 em marcha, incluindo o reforço de equipas, o recrutamento e os primeiros trabalhos de preparação. Embora ainda não exista um contrato de aquisição definitivo, Berlim comprometeu-se a disponibilizar 50 milhões de euros para o projecto até ao final de Março, com possibilidade de extensões progressivas, consoante a evolução do programa.

O Dr. Oliver Juckenhöfel, Vice-Presidente Executivo para Navios de Superfície na TKMS, sublinhou que: “Este acordo preliminar estabelece as bases para o lançamento imediato do projecto. Em particular, permite-nos adquirir materiais e iniciar de imediato o fabrico de aço no estaleiro.”

Contexto: possível cancelamento do programa F126 e aumento do número de fragatas

Entretanto, segundo a imprensa especializada local, a Alemanha estará a ponderar reforçar a sua capacidade de escoltas com oito novas fragatas construídas pela TKMS, em vez das seis inicialmente encomendadas ao estaleiro neerlandês Damen no âmbito do F126. Caso Berlim avance nesse sentido, alguns analistas admitem ainda a hipótese de uma compra adicional de fragatas MEKO A-200 como solução intermédia para mitigar os atrasos já registados - embora permaneça por esclarecer quantos navios seriam incluídos e qual seria o calendário de entregas.

Um ponto adicional a considerar é o impacto operacional de qualquer transição: a alteração de um programa como o F126 para uma solução baseada nas MEKO A-200 implica ajustar planeamento de tripulações, doutrina de manutenção e cadeias de sobressalentes. Ainda que estes temas raramente surjam nos anúncios iniciais, tendem a ser determinantes para que a introdução de uma nova classe de navios seja rápida e sustentada.

Características da plataforma: dimensões, propulsão, autonomia e guarnição

Quanto às características técnicas da plataforma que a Marinha Alemã poderá vir a receber, as fragatas MEKO A-200 apresentam cerca de 121 metros de comprimento e 16,4 metros de boca, dimensões compatíveis com um deslocamento na ordem das 3 950 toneladas.

No capítulo da propulsão, cada navio seria equipado com um sistema CODAG-WARP, permitindo uma velocidade máxima aproximada de 29 nós e uma autonomia de cerca de 6 500 milhas náuticas. A guarnição prevista é de aproximadamente 125 militares, com capacidade de acomodação para mais 49 caso a missão o exija. Está igualmente previsto um hangar apto a operar até dois drones ou helicópteros com peso até 6 toneladas.

Armamento e capacidade de projecção com embarcações rápidas

No que respeita ao armamento, e considerando a configuração padrão apresentada para a Marinha Real Australiana, cada navio disporia de um conjunto modular e adaptável de opções, incluindo:

  • um canhão principal de 76 mm;
  • até 16 mísseis antinavio;
  • células VLS Mk.41 com capacidade para alojar até 64 mísseis ESSM Block 2;
  • sistemas de defesa aérea de curto alcance.

Estas capacidades podem ser ampliadas pela possibilidade de operar até duas embarcações insufláveis semirrígidas (SIBs) com comprimento até 8 metros, facilitando a acção de equipas de operações especiais na intercepção e captura de embarcações adversárias.

Consequências contratuais se o F126 for cancelado e hipótese de reutilização de equipamentos

Por fim, caso Berlim opte por cancelar o F126 actualmente contratado com a Damen, a empresa neerlandesa poderá ficar obrigada a compensar a Alemanha, seja através do reembolso dos montantes investidos, seja pela entrega de equipamentos já produzidos que pudessem, em teoria, ser integrados no projecto das MEKO A-200. Apesar de subsistirem dúvidas quanto à viabilidade técnica desta última via, alguns analistas apontam a possibilidade de reutilização de componentes - como o radar - na nova fragata, embora não exista, até ao momento, qualquer confirmação oficial.

Do ponto de vista industrial e estratégico, uma decisão deste tipo também pode influenciar o equilíbrio de cargas de trabalho entre estaleiros, fornecedores e integradores de sistemas, além de ter implicações na calendarização de modernizações e na disponibilidade efectiva da frota. Para uma marinha com responsabilidades no Báltico, no Mar do Norte e em missões NATO, a previsibilidade de entregas e a padronização de sistemas pesam tanto quanto as especificações no papel.

Imagens meramente ilustrativas.

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