A Controladoria-Geral da República da Colômbia confirmou ter dado luz verde ao contrato celebrado em novembro de 2025 entre o Ministério da Defesa Nacional e a empresa sueca Saab para a aquisição de 17 caças Gripen E/F destinados à Força Aeroespacial Colombiana (FAC). Após analisar os estudos técnicos, económicos e jurídicos que sustentaram a escolha, o organismo de controlo concluiu que a operação cumpriu os requisitos de transparência e legalidade, não tendo identificado irregularidades nem observações que pudessem colocar em causa a integridade do processo.
Auditoria ao contrato do Saab Gripen E/F: documentação, confidencialidade e controlo legal
Segundo a nota oficial, a Controladoria-Geral conferiu a totalidade do dossiê contratual, incluindo anexos técnicos, plano de financiamento e os compromissos de cooperação industrial e social (offsets). A verificação foi realizada nas instalações da FAC, onde informação classificada do programa Gripen se encontra protegida por cláusulas de confidencialidade, limitando a divulgação pública de detalhes técnicos e financeiros. Ainda assim, a entidade fiscalizadora exerceu plenamente as suas competências constitucionais e legais, acedendo a todos os elementos necessários para assegurar a conformidade do procedimento.
Avaliação técnica da FAC: 9 variáveis, 157 subvariáveis e comparação Saab vs. Dassault
Durante a fase de avaliação, a FAC aplicou um processo técnico exigente assente em nove variáveis e 157 subvariáveis, abrangendo desempenho operacional, aviónica, sensores, armamento, custos de sustentação, infraestruturas e transferência de tecnologia. Entre as propostas examinadas, apenas a Saab e a francesa Dassault apresentaram informação suficiente para uma comparação completa, tendo a Saab obtido a classificação mais elevada.
Os relatórios técnicos sublinharam como vantagens do Gripen E/F: o menor custo por hora de voo, a capacidade de operar a partir de pistas curtas e a integração facilitada com a infraestrutura já existente - factores considerados determinantes para a decisão final.
Valor, calendário de entregas e financiamento: 3,135 mil milhões de euros e pagamentos faseados
O parecer do organismo de controlo considerou que a proposta da Saab foi a mais favorável aos interesses do país, não apenas no custo global, mas também no calendário de entrega e no alcance do apoio logístico previsto. O contrato, avaliado em 3,135 mil milhões de euros (cerca de 3,42 mil milhões de dólares), contempla:
- Entrega de 17 aeronaves novas
- Armamento de última geração
- Formação técnica e operacional
- Um sistema abrangente de manutenção e sustentação
O acordo estabelece ainda um esquema de pagamentos escalonado: 40% entre 2026 e 2031 e os restantes 60% entre 2028 e 2032, suportado por dotações orçamentais futuras já aprovadas até um tecto máximo equivalente ao valor total do contrato, estimado em cerca de 3,4 mil milhões de dólares.
Offsets: 85% para projectos governamentais e 15% para a indústria aeroespacial nacional
O contrato inclui um programa de offsets industriais e sociais. De acordo com a distribuição indicada, 85% será canalizado para projectos do Ministério do Comércio, Indústria e Turismo, enquanto 15% será orientado para reforçar a indústria aeroespacial nacional e as capacidades técnicas da própria Força Aeroespacial Colombiana. A Controladoria-Geral salientou que estes offsets não alteram o valor total do contrato, mas representam um componente relevante para o desenvolvimento tecnológico e estratégico do país.
Para além do efeito económico directo, este tipo de contrapartidas tende a criar condições para programas de qualificação, certificação e especialização em manutenção e engenharia aeronáutica, com impacto na disponibilidade operacional e na redução de dependências externas ao longo do ciclo de vida do sistema.
Do Kfir ao Gripen E/F: decisão final, controvérsias e impacto na defesa aérea
A aprovação do órgão fiscalizador surge depois de um processo prolongado de avaliação e negociação que terminou em novembro de 2025, quando o Governo colombiano e a Saab formalizaram a compra dos novos Gripen E/F para substituir a frota IAI Kfir de origem israelita. Apesar das controvérsias iniciais relacionadas com o custo unitário e com a falta de clareza quanto à configuração final das aeronaves, a aquisição é apresentada como um marco na defesa aérea colombiana: introduz em serviço um dos caças de combate mais avançados da região e reforça a postura militar estratégica do país.
A transição para uma nova plataforma implica, além da entrega das aeronaves, uma adaptação gradual de doutrinas, treino e logística. Nesse contexto, a combinação entre formação, suporte técnico e integração com infraestruturas existentes assume um papel crítico para acelerar a passagem do Kfir para o Gripen E/F com menor risco operacional.
Imagens utilizadas para fins meramente ilustrativos.
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