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Abarth em 2026: entre a certeza dos números e as dúvidas sobre o rumo

Carro desportivo vermelho Abarth 2026 com jantes azuis numa garagem moderna com um carro cinzento ao fundo.

A Abarth chega a 2026 com um dado inquestionável e várias perguntas por responder. O dado vem das contas: em 2025, as vendas sofreram uma queda muito significativa, com uma descida de cerca de 74% (valores até novembro) quando comparadas com o mesmo período de 2024.

É precisamente aqui que nascem as interrogações: que caminho deve seguir a marca do escorpião depois de a aposta numa gama exclusivamente elétrica ter ficado muito aquém do impacto comercial que se antecipava?

Aposta elétrica com 500e e 600e e o peso do contexto Stellantis

Com o encerramento definitivo da era dos motores de combustão em 2024, a Abarth reposicionou-se totalmente, colocando os elétricos 500e e 600e no centro de uma “nova” identidade. Em teoria, a decisão encaixava no discurso da Stellantis e no calendário regulatório europeu. Na realidade, os resultados tornaram o cenário bem mais frágil e voltaram a trazer para a conversa alternativas que, ainda há pouco tempo, pareciam fora de hipótese.

Também é importante reconhecer que, no universo Abarth, a proposta emocional sempre teve um papel determinante: resposta imediata, sensação de leveza e um carácter muito próprio. Na transição para elétricos, essa “assinatura” pode exigir mais do que potência e aceleração - implica também calibrar a experiência ao volante para convencer um público que, por tradição, é especialmente exigente.

Em paralelo, fatores como hábitos de carregamento, perceção de valor em segunda mão e custos associados (por exemplo, seguros) tendem a influenciar a decisão de compra, sobretudo num segmento em que o cliente procura prazer de condução, mas também facilidade de utilização no dia a dia.

Regresso a soluções térmicas ou híbridas: uma porta entreaberta (sem plano fechado)

A possibilidade de a Abarth voltar a soluções térmicas ou híbridas já foi, inclusive, assumida publicamente por Gaetano Thorel, diretor europeu da FIAT e da Abarth. As declarações surgiram à margem do lançamento do FIAT 500 Hybrid - que já tivemos oportunidade de conduzir -, em novembro passado, modelo que marca o retorno da combustão ao citadino.

Ainda assim, por agora, essas palavras não passam de intenções: não existe, neste momento, um plano de produto concreto e devidamente calendarizado para os próximos anos.

Viabilidade técnica: onde a engenharia ajuda e onde os custos travam

Do ponto de vista técnico, reintroduzir combustão não é, à partida, impossível. A base do Abarth 600e é multi-energias, e a própria FIAT conseguiu adaptar a plataforma do 500 - inicialmente desenhada apenas para elétricos - para voltar a receber motores de combustão.

Já no caso do Abarth 500e, o desafio pode ser sobretudo económico. Existem limitações práticas - por exemplo, um motor de maior cilindrada e potência exige mais capacidade de refrigeração - que podem obrigar a alterações de fundo. E quanto mais profunda for a transformação, maior será a fatura, tornando a operação potencialmente inviável.

Abarth 600e Competizione já chegou (e é a principal novidade conhecida para 2026)

Para já, o guião da marca mantém-se: gerir a gama elétrica atual, sem mudanças de rumo anunciadas. Nesse contexto, a novidade confirmada (e esperemos que não seja a única) para 2026 é a chegada do Abarth 600e Competizione, já disponível para encomenda em Portugal por 45 700 euros.

Este modelo substitui a série especial e limitada Scorpionissima, assumindo o lugar de topo de gama e afirmando-se como o Abarth de produção mais potente de sempre. Mantém os 207 kW (281 cv) do Scorpionissima - a porta de entrada faz-se com o 600e Turismo, com 175 kW (238 cv) -, cumpre os 0–100 km/h em 5,85 s e recorre a um diferencial autoblocante mecânico Torsen para garantir que a potência chega ao asfalto “sem dramas”.

O pacote técnico inclui ainda travagem de alto desempenho, com pinças monobloco Alcon, e pneus Michelin desenvolvidos especificamente para este modelo.

No habitáculo, destacam-se os bancos Sabelt, os revestimentos em Alcantara e um ambiente claramente orientado para a condução desportiva. Por fora, o 600e Competizione diferencia-se pela possibilidade de pintura bicolor e por grafismos exclusivos.

2026 pode ser discreto em lançamentos, mas decisivo na estratégia

Assim, 2026 promete ser um ano com poucas novidades de produto na Abarth, mas pode revelar-se determinante no plano estratégico. Antonio Filosa, o diretor-executivo da Stellantis, deverá apresentar um novo plano estratégico do grupo durante o primeiro semestre, momento em que também se deverá clarificar o futuro da marca fundada por Carlo Abarth.

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