Perante atrasos já significativos no atribulado programa F126 - que, para tentar ser resgatado, passará agora para a nova divisão naval da Rheinmetall - o Ministério Federal da Defesa da Alemanha decidiu avançar com a aquisição de quatro fragatas MEKO A-200 como solução provisória. De acordo com a informação oficial, o propósito central desta compra é assegurar que o país mantém as capacidades necessárias para cumprir, no quadro das exigências da OTAN, as missões de vigilância e de guerra anti-submarina. A previsão aponta para que o estaleiro TKMS consiga entregar a primeira unidade por volta de 2029.
Compra das fragatas MEKO A-200 como “ponte” para as exigências da OTAN
Sobre esta opção, a tutela da Defesa alemã sublinhou: “Esta abordagem dupla (F126 e MEKO) tem como objectivo principal a segurança e a prevenção de riscos, e não constitui um precedente no que respeita à continuação da aquisição do F126.” Noutra passagem, acrescentou: “Os passos intermédios necessários, como a publicação de concursos, a avaliação de propostas, a revisão de preços, a redacção formal do contrato e a preparação para a apreciação parlamentar, serão agora implementados com cuidado e com a maior brevidade possível.”
Comissão do Orçamento do Bundestag dá luz verde ao avanço do contrato
Entretanto, importa salientar que a Comissão do Orçamento do Bundestag (o parlamento alemão) já autorizou o avanço para a fase seguinte de um contrato preliminar assinado no final de Janeiro, no qual ficou estabelecido o arranque do processo formal para adquirir as novas MEKO A-200. Com um investimento adicional de aproximadamente 240 milhões de euros, esta etapa permitirá que a TKMS continue a consolidar a sua rede de fornecedores e as suas capacidades industriais para executar o projecto, ao mesmo tempo que dá a Berlim uma margem temporal maior para analisar a trajectória a seguir no programa F126.
Um aspecto relevante, frequentemente associado a este tipo de decisão de “capacidade provisória”, é o impacto na continuidade operacional: a introdução de um novo tipo de fragata exige planeamento atempado de formação, manutenção e logística (incluindo stocks de peças e ferramentas especializadas). Quando esse trabalho é antecipado, reduz-se o risco de lacunas de prontidão no período de transição entre programas.
Programa F126: Rheinmetall avalia o estado do projecto (Damen)
Em paralelo, a nova divisão naval da Rheinmetall continua a analisar detalhadamente o estado do F126, que até aqui era liderado pelo estaleiro neerlandês Damen. A empresa já terá feito chegar os dados pertinentes do desenho às suas contrapartes alemãs. Esta evolução foi confirmada pelo director executivo da Rheinmetall, Armin Papperger, que, durante uma videochamada com vários especialistas, referiu que a decisão final deverá ser tomada dentro dos próximos dois a três meses.
Também do ponto de vista industrial, este período de avaliação tende a ser determinante para definir responsabilidades, prazos e mecanismos de controlo de custos, especialmente em programas navais complexos. A clarificação destes pontos é normalmente crucial para estabilizar calendários de entrega e mitigar risco técnico, sobretudo quando existem alterações de liderança no consórcio ou no integrador principal.
Características e armamento das fragatas MEKO A-200 (CODAG-WARP, VLS Mk.41, ESSM Block 2)
Enquanto se aguardam novas definições sobre os programas, recorda-se que as MEKO A-200 deverão apresentar um deslocamento na ordem das 3 950 toneladas, com 121 metros de comprimento (eslora) e 16,4 metros de boca (manga). Sabe-se igualmente que o projecto integra um sistema de propulsão CODAG-WARP, capaz de proporcionar velocidades máximas de cerca de 29 nós e um alcance aproximado de 6 500 milhas náuticas. Para a operação do navio, estima-se uma guarnição de cerca de 125 militares.
No capítulo do armamento, o desenho contempla diferentes opções, incluindo um canhão principal de 76 mm, até 16 mísseis anti-navio, e células VLS Mk.41 nas quais poderão ser alojados até 64 mísseis ESSM Block 2, além de sistemas de defesa aérea de curto alcance.
Imagens utilizadas a título ilustrativo.
Comentários
Ainda não há comentários. Seja o primeiro!
Deixar um comentário