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Novas imagens do cometa 3I/ATLAS mostram uma cauda em rápida expansão

Observatório astronómico com telescópios e céu estrelado com duas estrelas cadentes e a Via Láctea visível.

As imagens mais recentes do cometa 3I/ATLAS já chegaram e oferecem uma vista impressionante da cauda crescente deste objeto interestelar, captada graças ao poder do telescópio Gemini Sul, do NOIRLab.

Este resultado é animador para os astrónomos que aguardam o aparecimento de caudas longas e bem definidas à medida que o 3I/ATLAS segue rumo ao seu ponto de maior aproximação ao Sol, o periélio - um encontro estimado para 29 de outubro de 2025 - antes de a trajetória do visitante o encaminhar de novo para o espaço interestelar.

Observações do cometa 3I/ATLAS com o Gemini Sul e o NOIRLab

Segundo a astrónoma Karen Meech, da Universidade do Havai, o plano de observação foi desenhado com objetivos muito concretos:

“Os principais objetivos das observações foram analisar as cores do cometa, que dão pistas sobre a composição e os tamanhos das partículas de poeira na coma, e obter espectros para medir diretamente a química.”

Meech acrescenta que a equipa ficou especialmente satisfeita com a evolução recente:

“Ficámos entusiasmados ao ver o crescimento da cauda, o que sugere uma alteração das partículas em relação às imagens anteriores do Gemini, e obtivemos o nosso primeiro vislumbre da química a partir do espectro.”

O que torna um cometa num cometa: gelo, coma e caudas

Os cometas são um tipo particular de objeto espacial: blocos rochosos cobertos e atravessados por material congelado. Quando estão longe de qualquer estrela, limitam-se a deslocar-se pelo espaço sem grande atividade visível. Porém, ao aproximarem-se de um Sol ardente, o aumento de temperatura faz com que os gelos sublimem, criando uma atmosfera difusa - a coma.

No espaço praticamente não existe resistência do ar, porque o ambiente é, na prática, um vácuo. Por isso, a cauda só se forma quando o cometa está suficientemente perto da estrela para que a pressão da radiação empurre gás e poeira para fora. É também por esta razão que as caudas dos cometas apontam sempre no sentido oposto ao da estrela.

Além disso, é comum existirem duas caudas: uma dominada por poeira e outra composta por partículas de gás ionizado pelo vento solar.

Um objeto interestelar diferente de 1I/'Oumuamua, 2I/Borisov - e também dos cometas do Sistema Solar

Já se sabia que o 3I/ATLAS não se comportava como os dois anteriores objetos interestelares que atravessaram o nosso sistema - 1I/'Oumuamua e 2I/Borisov. Contudo, o conjunto crescente de dados tem mostrado que ele também não se encaixa bem no padrão dos cometas do Sistema Solar.

Um indício claro está na ativação precoce: a sua coma começou a intensificar-se para lá da órbita de Júpiter, a uma distância maior do que aquela em que os cometas, em geral, costumam “acordar”.

Os investigadores associaram este comportamento à composição dos gelos do 3I/ATLAS, que parecem conter uma concentração invulgarmente elevada de dióxido de carbono. Como o gelo de dióxido de carbono sublima a temperaturas mais baixas do que o gelo de água presente noutros cometas, o 3I/ATLAS tornou-se ativo mais cedo.

O que as próximas semanas poderão revelar sobre a cauda do 3I/ATLAS

Será particularmente interessante acompanhar a forma como a cauda evolui. A morfologia e o brilho relativo entre a cauda de poeira e a cauda de gás podem ajudar a inferir mudanças na libertação de material e na interação com o ambiente solar, sobretudo à medida que o cometa se aproxima do periélio.

As novas observações do Gemini Sul foram feitas precisamente para obter um retrato mais detalhado da composição do 3I/ATLAS. A análise completa ainda não está concluída, mas uma coisa já é evidente nas imagens: a cauda do cometa está a crescer.

A espectroscopia é crucial neste processo porque permite identificar assinaturas químicas específicas no brilho do objeto, fornecendo uma medida direta dos compostos presentes - algo que as imagens a cores, por si só, apenas sugerem de forma indireta.

Periélio, aproximações e o que esperar da passagem pelo interior do Sistema Solar

O periélio do 3I/ATLAS nem sequer será uma aproximação extrema ao Sol: o cometa deverá passar apenas para dentro da órbita de Marte, sem cruzar a trajetória da Terra.

A maior aproximação à Terra acontecerá apenas depois do periélio, o que significa que ainda existe uma ampla janela para estudar este visitante enigmático - e possivelmente muito antigo - antes de ele se afastar de vez.

Um marco científico - e um lembrete da escala da galáxia

Para Meech, o significado vai para além dos números e das medições:

“À medida que o 3I/ATLAS acelera de volta para as profundezas do espaço interestelar, esta imagem é simultaneamente um marco científico e uma fonte de maravilhamento.”

E conclui com uma perspetiva mais ampla:

“Recorda-nos que o nosso Sistema Solar é apenas uma parte de uma galáxia vasta e dinâmica - e que até os visitantes mais fugazes podem deixar um impacto duradouro.”

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