Os construtores chineses continuam a consolidar a sua presença no mercado automóvel europeu e, apesar das tarifas aplicadas pela União Europeia (UE) aos veículos elétricos fabricados na China - introduzidas no final do ano passado - o ritmo de crescimento mantém-se.
Em novembro, as marcas chinesas mais do que duplicaram as vendas na Europa, somando 78 358 unidades, o que equivale a uma subida de 108%. Este resultado destaca-se ainda mais por contraste com a evolução do mercado automóvel europeu no mesmo mês: apenas +2,2%, para aproximadamente 1,05 milhões de veículos matriculados (fonte: Dataforce).
Como consequência direta, a quota de mercado conjunta dos construtores chineses atingiu 7,4% em novembro, mais do dobro do registado em novembro de 2024, quando ficou pelos 3,6%.
Importa notar que esta progressão não se explica apenas pelo produto: a expansão das redes comerciais, a melhoria da logística de entrega e políticas de preço agressivas têm acelerado a adoção, sobretudo em mercados onde a sensibilidade ao custo é mais elevada.
BYD, MG e a liderança das marcas chinesas na Europa
A impulsionar este crescimento estão, sobretudo, a BYD e a MG. Em novembro, a BYD colocou 20 281 automóveis, o que representa um aumento de 230% face ao mesmo mês do ano anterior. Já a MG, pertencente ao grupo chinês SAIC, vendeu 23 133 unidades, crescendo 20% e mantendo-se como a marca chinesa com maior volume de vendas na Europa.
Ainda assim, a vantagem da MG está a diminuir a um ritmo acelerado. Em novembro, a diferença entre MG e BYD foi de apenas 2852 unidades, quando em novembro do ano passado a distância era de 12 997 unidades.
Também a Chery apresentou uma performance muito expressiva. Ao agregar as vendas das marcas do grupo (Chery, Jaecoo e Omoda), foram comercializados 14 636 automóveis em novembro, correspondendo a um crescimento de 381%.
Paralelamente, a estratégia de algumas marcas passa por reforçar garantias, melhorar a perceção de qualidade e investir em assistência após-venda - fatores decisivos para ganhar confiança num mercado maduro e altamente competitivo como o europeu.
Híbridos de ligação à tomada em destaque
Para contornar as tarifas aplicadas aos veículos elétricos produzidos na China, várias marcas chinesas têm vindo a apostar em soluções tecnológicas alternativas, com especial foco nos híbridos de ligação à tomada.
Em novembro, o BYD Seal U foi o híbrido de ligação à tomada mais vendido na Europa, preservando a liderança à frente do Volkswagen Tiguan. O Jaecoo 7 também conseguiu entrar entre os dez primeiros europeus desta categoria, ao alcançar o oitavo lugar.
Além disso, pela primeira vez, um modelo chinês entrou na lista dos dez automóveis 100% elétricos mais vendidos na Europa. O BYD Dolphin Surf ficou na 10.ª posição em novembro, com 5632 unidades matriculadas, relativamente perto do nono elétrico mais vendido, o Skoda Enyaq, que contabilizou 6029 unidades.
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