Declarações de Donald Trump sobre Cuba e a ideia de “assumir o controlo”
O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, admitiu a possibilidade de o país vir a “assumir o controlo” de Cuba num futuro próximo, levantando a hipótese de uma intervenção militar depois de, segundo disse, “terminar o trabalho” no Irão.
As declarações foram feitas durante um jantar privado do Forum Club, na Florida. Nessa ocasião, Trump apontou para um elemento da assistência, natural da ilha caribenha, e comentou: "E ele é originário de um lugar chamado Cuba, que vamos tomar quase de imediato", numa frase que desencadeou gargalhadas entre os presentes.
De seguida, o dirigente ligou essa alegada acção à política externa norte-americana no Médio Oriente. "Vamos acabar com uma primeiro, gosto de terminar o trabalho", acrescentou, numa referência ao conflito com o Irão.
Prosseguindo na mesma linha, descreveu um cenário envolvendo um navio de guerra dos EUA: "Ao regressar do Irão, faremos com que um dos nossos grandes navios, talvez o porta-aviões USS Abraham Lincoln, o maior do mundo, se aproxime, pare a cerca de 100 metros da costa [de Cuba] e nos digam: 'muito obrigado, rendemo-nos'", apontando essa como a suposta reacção das autoridades cubanas.
O magnata nova-iorquino proferiu estas palavras num tom aparentemente jocoso, com parte do público a reagir com risos.
Reforço das sanções dos EUA contra Cuba no mesmo dia
Os comentários surgiram no mesmo dia em que Donald Trump endureceu as sanções contra Cuba, argumentando que o país constitui "uma ameaça extraordinária" para a segurança nacional dos Estados Unidos.
As novas medidas, aprovadas através de um decreto presidencial, têm como alvo bancos estrangeiros que cooperem com o Governo cubano e incluem restrições no domínio da imigração, elevando a pressão sobre Havana num contexto de crise económica.
No texto do decreto, Donald Trump determina sanções contra indivíduos e entidades ligados aos sectores da energia e das minas, bem como a outros sectores na ilha, além de prever penalizações para qualquer pessoa considerada culpada de "graves violações dos direitos humanos".
Washington acusa ainda o Governo cubano de promover "políticas e práticas destinadas a prejudicar os Estados Unidos", descrevendo-as como contrárias "aos valores morais e políticos das sociedades livres e democráticas".
Resposta de Havana e escalada recente entre Washington e Cuba
O Governo cubano classificou as novas sanções como "ilegais e abusivas". "Reprovável, mas curioso e ridículo. O Governo dos EUA está alarmado e responde com novas medidas coercivas unilaterais ilegais e abusivas contra Cuba", escreveu o ministro dos Negócios Estrangeiros de Cuba, Bruno Rodríguez, nas redes sociais.
Bruno Rodríguez sustentou que as medidas de Washington constituem uma reacção "ao desfile do Dia do Trabalhador com mais de meio milhão de cubanos em Havana, encabeçado pelo general do Exército Raúl Castro e pelo Presidente, Miguel Díaz-Canel, e às assinaturas de seis milhões de cubanas e cubanos (81% da população com mais de 16 anos) em defesa da pátria sob ameaça militar, denunciando o bloqueio intensificado e o embargo energético".
"A Pátria, a Revolução e o Socialismo defendem-se com ideias e com armas. Não nos intimidarão", enfatizou o ministro dos Negócios Estrangeiros de Cuba.
Desde janeiro último, os Estados Unidos têm vindo a aumentar a pressão sobre o Governo cubano para que avance com reformas económicas e políticas.
Inserido nesta escalada, Washington aplicou um bloqueio petrolífero que agravou de forma significativa a crise estrutural que já afecta a nação caribenha.
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