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Delfim Correia da Silva ensina Camões na Universidade de Goa desde 2008

Professor com livro ensina alunos em sala de aula iluminada por janela aberta com vista para plantas verdes.

Um docente português em Goa

Delfim Correia da Silva tem 61 anos e soma 35 anos de carreira no ensino. Vive na Índia desde 2008 e, na Universidade de Goa, leciona a disciplina de Estudos Camonianos.

Camões na Universidade de Goa: desafio e redescoberta

"Ensinar Camões em Goa, na universidade em particular, é um desafio e é também uma redescoberta, para mim e para os alunos, porque há marcas da presença de Camões, há uma enorme estátua, embora cativa no Museu Arqueológico em Velha Goa, mas há na literatura goesa várias referências a Camões e obviamente a obra de Camões também se refere muito à Índia, ao Oriente, e em alguns casos mesmo especificamente a Goa.

O desafio na Universidade de Goa tem a ver com isso, com tentar retirar um pouco a carga colonial do poeta-soldado, mostrando um Camões que se transformou na Índia e se transformou graças ao Oriente.

Tem sido uma experiência muito, muito enriquecedora para mim, muito diferente daquela que foi há 25 anos, quando comecei a ensinar no Ensino Secundário em Portugal "Os Lusíadas", os sonetos e a lírica de Camões.

A reação é um pouco de surpresa, a partir do momento que começamos a revelar esta faceta do Camões oriental, do Camões que foi construindo a sua obra a partir da experiência no local, com as dificuldades, com os mistérios, as dúvidas. Procuramos sempre contextualizar os textos o melhor possível com as referências aos locais específicos, aos eventos específicos que têm a ver com a Índia, que têm a ver com o Oriente.

Os alunos começam a adquirir um certo interesse, um certo entusiasmo, e isso levou um aluno a escolher como tema de dissertação do mestrado um tópico que é um estudo comparativo entre o "Mahabharata", um poema épico indiano, e "Os Lusíadas".

É um trabalho particularmente interessante que demonstra o interesse real que os alunos têm hoje em dia por Camões, pelos estudos camonianos. Os temas de Camões, sobretudo a partir do momento em que ele vem para o Oriente, em 1553, são a grande transformação em Camões e na sua obra. Sem isso, Camões não seria o Camões que hoje conhecemos, provavelmente não teria concluído "Os Lusíadas" e não teria esta visão humanista e global que a sua obra representa hoje em dia."

No âmbito das comemorações camonianas

Iniciativa integrada nas comemorações dos 500 anos do nascimento de Luís de Camões.

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