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Novo Mercedes-Benz Classe C elétrico: design, tecnologia e até 760 km de autonomia

Carro elétrico Mercedes-Benz C-Class EV 760 cinzento estacionado num salão com carregador.

Sempre que a Mercedes-Benz revela um novo Classe C, há motivo para manchetes - afinal, trata-se de um dos modelos mais procurados da marca alemã. Desta vez, a novidade ganha ainda mais peso: pela primeira vez, o Classe C passa a existir numa versão totalmente elétrica.

Depois de a BMW ter mostrado o iX3 e o i3, a resposta da Mercedes-Benz chegou em duas frentes: primeiro com o GLC elétrico, que já tivemos ocasião de conduzir (veja o vídeo), e agora com o Classe C elétrico. A concorrência está oficialmente lançada.

Este novo Classe C elétrico ilustra bem a alteração de estratégia da marca no universo elétrico, sobretudo ao nível do estilo, na sequência de um desempenho comercial aquém do esperado por parte dos EQS e EQE.

Tal como já tínhamos observado nos recentes CLA, GLC e GLB, também aqui o Classe C elétrico passa a seguir muito mais de perto as linhas do Classe C a combustão - que continuará à venda. Ao mesmo tempo, a marca da estrela reforça a presença em segmentos capazes de assegurar maior volume, onde até há pouco a oferta estava praticamente limitada aos EQA e EQB.

Um Classe C… diferente

Embora se aproxime das proporções e de vários códigos visuais do Classe C com motor térmico, este Classe C elétrico conserva pouco do modelo tradicional. Desde logo, abdica da clássica carroçaria de três volumes e adota um perfil tipo fastback, com inspiração claramente coupé. Ainda assim, mantém a abertura de bagageira típica dos três volumes, sem incluir o óculo traseiro no portão - ao contrário do que acontece, por exemplo, no Audi A5.

Na frente destaca-se uma grelha de grandes dimensões, muito próxima da que vemos no GLC. A assinatura luminosa inclui 1050 pontos iluminados, conferindo-lhe um aspeto mais expressivo e ousado do que o registado nos EQE e EQS.

Atrás, repete a solução da “máscara” em preto a ligar os dois farolins, também já utilizada no GLC, e integra projetores com o desenho da estrela de três pontas. A completar o conjunto surge um discreto spoiler colocado por cima do portão da bagageira.

Compêndio tecnológico

A Mercedes-Benz descreve-o como o Classe C mais amplo de sempre, resultado em grande medida dos 2,96 m de distância entre-eixos anunciados.

Essa sensação nota-se nos lugares traseiros e reflete-se também na capacidade de carga: a bagageira oferece 470 litros, aos quais se juntam 100 litros extra na bagageira dianteira (frunk). Para referência, o Classe C a combustão chega a 455 litros de volume de carga (nas versões não eletrificadas).

Ainda assim, o espaço não é o único ponto forte do interior deste Classe C. À semelhança do que já acontecia no GLC, trata-se de um verdadeiro concentrado tecnológico, com destaque para o enorme ecrã MBUX Hyperscreen (opcional), com 99 cm de largura e 39,1”, que domina praticamente todo o tabliê.

A seleção de materiais também se faz notar, tal como o sistema de som 4D da Burmester. Este pode trabalhar em conjunto com a ventilação dos bancos e com a função de massagem, reforçando a sensação de conforto a bordo - e há ainda a possibilidade de incluir um céu estrelado.

É mesmo isso: o tejadilho panorâmico do Classe C recorre a tecnologia de cristais líquidos, permitindo alternar de transparente para opaco de forma quase instantânea e, em simultâneo, transformar o ambiente num céu estrelado.

Até 760 km de autonomia

Para já, a Mercedes-Benz revelou apenas a versão C 400 4MATIC. Esta configuração utiliza dois motores elétricos, debita 360 kW (489 cv) e cumpre os 0 aos 100 km/h em 4,1s. Tal como já tínhamos visto no CLA e no GLC, recorre a uma solução pouco comum: uma caixa de duas velocidades integrada no eixo traseiro, pensada para favorecer a aceleração ou a eficiência consoante a situação.

O C 400 4MATIC usa uma bateria de iões de lítio NMC (níquel, manganês, cobalto) com 94,5 kWh de capacidade útil, anunciando até 760 km de autonomia no ciclo combinado WLTP. Como o GLC - que foi o primeiro a estrear esta mesma plataforma MB.EA - adota arquitetura elétrica de 800 V, possibilitando carregamentos até 330 kW em corrente contínua (DC), suficientes para recuperar 320 km de autonomia em apenas 10 minutos.

Com a ajuda de um conversor adicional, o sistema também aceita carregamentos em postos rápidos convencionais de 400 V e inclui ainda capacidade de carga bidirecional (V2L).

No próximo ano deverão surgir mais variantes do Classe C elétrico, e a Mercedes-Benz garante que haverá uma versão de tração traseira capaz de percorrer cerca de 800 km com uma só carga.

Ainda assim, importa lembrar que o principal rival, o BMW i3, já aponta para 900 km de autonomia (ciclo WLTP), suportados por uma bateria de 113 kWh. Podem conhecê-lo em detalhe neste vídeo:

Suspensão inteligente

No capítulo dinâmico, o Classe C recorre a várias soluções que já experimentámos no GLC. Um dos destaques é a suspensão pneumática com tecnologia preditiva e Car-to-X, capaz de comunicar com outros veículos e, dessa forma, antecipar irregularidades no piso para ajustar o amortecimento.

Com esta suspensão inteligente, a marca promete um nível de conforto sem precedentes na história do modelo, ao mesmo tempo que pretende fazer deste o Classe C mais desportivo de sempre. À primeira vista parece contraditório, mas a Mercedes-Benz aponta o elemento-chave para cumprir a promessa: eixo traseiro direcional.

As rodas traseiras podem esterçar até 4,5º, aumentando a agilidade em curva e ajudando a disfarçar as dimensões e o peso do Classe C. Em paralelo, contribui para maior estabilidade a velocidades elevadas, em autoestrada.

Quando chega?

A Mercedes-Benz ainda não comunicou o preço do novo Classe C elétrico para Portugal, nem avançou uma data exata de lançamento, mas tudo indica que chegue ao mercado ainda este ano.


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