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António Félix da Costa: “Nos últimos anos tive que partir muita parede”

Carro desportivo verde metálico de alta performance exposto em sala moderna e iluminada.

O piloto português António Félix da Costa prepara-se para arrancar para uma das fases mais exigentes e ambiciosas de toda a sua trajectória no automobilismo.

Em apenas duas semanas, surgiram duas confirmações de peso: foi apresentado pela Jaguar TCS Racing para a próxima temporada de Fórmula E e assegurou igualmente um lugar no Campeonato do Mundo de Resistência (WEC), ao serviço da Alpine ELF Endurance Team.

António Félix da Costa na Fórmula E com a Jaguar TCS Racing

Conhecido desde os tempos de formação por «Formiga», Félix da Costa vira agora a página da Porsche - um ciclo de três anos com alguns momentos atribulados - para integrar uma das formações mais fortes do pelotão da Fórmula E.

Também por esse motivo, o piloto de Cascais mostra-se convicto de que a aposta na Jaguar é a decisão certa para dar continuidade à carreira, num passo que descreve como óbvio e natural.

“Venho de uma equipa que estava muito competitiva e sempre na luta pelos campeonatos, mas a verdade é que a Jaguar foi, pelo menos para mim, o meu maior concorrente nos últimos anos”, começou por explicar Félix da Costa à Razão Automóvel (numa mesa redonda com outros meios internacionais).

“Poder incorporar esta equipa agora, ainda por cima de uma forma tão natural e tão boa, é algo que a cada dia que passa faz mais sentido”, confessou.

Os resultados recentes sustentam essa leitura: nas últimas quatro épocas, o vice-campeão da Fórmula E foi sempre um piloto da Jaguar TCS Racing, e a equipa britânica tem repetidamente surgido como uma das estruturas mais regulares do campeonato.

Assim, António Félix da Costa chega a um projecto robusto, com um monolugar competitivo e uma organização que domina bem as exigências específicas da Fórmula E.

“Acho que é o melhor sítio onde podia estar para tentar novamente ganhar um campeonato do mundo na Fórmula E”, afirmou o piloto natural de Cascais, que na temporada de 2019/2020 venceu esta categoria com as cores da DS Techeetah.

WEC: entrada com a Alpine ELF Endurance Team e a ambição de conciliar programas

A mudança para a Jaguar, contudo, não é a única novidade no horizonte. Félix da Costa confirmou também a entrada no WEC com a Alpine, concretizando um objectivo que perseguia há vários anos: combinar a Fórmula E com o Mundial de Resistência.

Este foi, de resto, um dos temas que gerou fricção na relação com a anterior equipa, a Porsche, uma vez que a marca alemã não permitiu que o piloto português acumulasse os dois campeonatos.

“Eu vim de uns últimos três anos onde tinha que bater o pé com muita força e partir muita parede para às vezes conseguir coisas simples que eram importantes para mim”, atirou, antes de explicar que, na Jaguar, o processo tem sido bastante diferente.

Aqui (na Jaguar) achei que ia ter que chegar com a mesma atitude. Mas basicamente foi tudo muito natural: ‘Queres fazer o WEC? Claro que sim, queremos ver-te feliz!’”.

Para o português, esta disponibilidade das equipas nesta etapa da carreira pesa - e muito - na tomada de decisões.

“É importante que as equipas com que corro entendam que o meu trabalho, sendo piloto de corridas, é fazer corridas. Eu quero é fazer corridas. Não posso correr até aos 60 anos. Até aos 50 anos se calhar, vamos ver. Mas enquanto estou no meu auge e consigo arranjar bons lugares em campeonatos ultracompetitivos, quero espremer todo esse sumo que tenho para espremer”.

“Tanto no WEC como na Fórmula E, as duas equipas disseram: ‘Claro que sim. Estamos aqui para ajudar-te a fazer os dois campeonatos da forma mais natural’. E isso foi logo uma lufada de ar fresco, que eu adorei”.

Um percurso que sustenta a ambição: título na Fórmula E e objectivos no WEC

O percurso de Félix da Costa dispensa apresentações. Entrou na Fórmula E em 2014, precisamente no ano de estreia da competição eléctrica, e depressa se impôs como um dos nomes mais rápidos e consistentes da grelha. A conquista do título mundial em 2020, pela DS Techeetah, projectou-o para o topo da categoria e, desde então, manteve-se entre os principais protagonistas - agora, ao volante de um Jaguar, pretende voltar a discutir o campeonato.

No WEC, o piloto português já conta com várias participações nas 24 Horas de Le Mans, incluindo uma vitória em LMP2 em 2022 com a Jota, embora a vitória à geral continue por cumprir como meta. Em 2023, estreou-se nos Hypercars (também com a Jota), mas num contexto particularmente difícil. Com a Alpine, Félix da Costa acredita que o cenário pode ser muito diferente.

“No WEC, tive um cheirinho do que é correr na categoria principal no primeiro ano dos Hypercars, com a Jota, mas recebemos o carro a meio do ano, falhámos as primeiras duas corridas e não fizemos testes. Foi um ano muito complicado”, começou por explicar.

“Agora não. Estou a entrar numa equipa que já lá está há dois anos, vamos ter vários testes, simulador e uma série de recursos que eu não tive no passado. Vai ser uma época mais bem preparada”, garante o português.

Quanto às metas para a época, não deixa margem para dúvidas: regressar às lutas pelas vitórias, tanto na Fórmula E como no WEC.

“Estou contente com a combinação dos dois campeonatos. Sei que a Alpine neste momento não é uma equipa ganhadora, mas é uma equipa de Top 5, que está a crescer e uma marca que está a investir. Por isso tenho a certeza que quando chegarmos a Le Mans no próximo ano vamos estar numa posição de, pelo menos, podermos lutar pelos lugares de cima. Essa é a motivação”.

Desta forma, Félix da Costa entra na próxima temporada com presença assegurada em dois programas de referência, em campeonatos que atravessam fases de competitividade muito assinaláveis.

O WEC, por exemplo, tem crescido de forma notável em popularidade nos últimos anos, ao ponto de conseguir atrair mais construtores oficiais do que qualquer outra categoria. Já a Fórmula E tem-se caracterizado, temporada após temporada, por um equilíbrio que, muitas vezes, deixa a decisão do vencedor em aberto quase até às corridas finais.

É neste contexto que António Félix da Costa quer continuar a escrever a sua história, idealmente com títulos e um bom número de vitórias pelo caminho.

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