A partir de 2026, o Euro NCAP vai abandonar o modelo atual de avaliação de segurança e adotar um processo estruturado em quatro fases sequenciais, com um foco acrescido na condução em condições reais, no desempenho dos sistemas avançados de assistência à condução (ADAS) e na atuação após um acidente.
Estas fases passam a chamar-se “Condução Segura”, “Prevenção de Colisões”, “Proteção em caso de Colisão” e “Segurança Pós-Colisão”. Cada uma terá a sua própria pontuação, a qual será somada para determinar a classificação final por estrelas.
No meio destas áreas de avaliação entra, pela primeira vez, um tema que tem vindo a ganhar terreno na indústria: interiores sem botões físicos, onde as funções do automóvel ficam acessíveis apenas através de ecrãs táteis. Esta “tendência” poderá, agora, traduzir-se numa penalização na nota do veículo.
De acordo com Michiel van Ratingen, Secretário-Geral do Euro NCAP, “os protocolos de 2026 reforçam ainda mais o rigor e a relevância dos testes da organização, premiando os veículos que apresentam bom desempenho em todas as fases de segurança - antes, durante e depois de uma colisão”.
Comentários dos utilizadores integrados pelo Euro NCAP
Uma parte significativa das mudanças procura responder às opiniões dos utilizadores, sobretudo no que toca à intrusão dos sistemas de assistência à condução ou ao excesso de alertas emitidos.
Para confirmar que estes sistemas correspondem ao esperado no dia a dia, o Euro NCAP vai passar a analisá-los em utilização real e não apenas em ambiente de pista. Os veículos capazes de vigiar a atenção do condutor - por exemplo, acompanhando o olhar e a posição da cabeça - poderão obter classificações mais elevadas.
Em paralelo, e tal como referido anteriormente, a organização irá também valorizar a existência de comandos físicos para funções essenciais, após múltiplas críticas relacionadas com a distração e a concentração ao volante.
Prevenção de colisões e mais perfis de ocupantes
Os ensaios em contexto de condução quotidiana colocarão os automóveis perante cenários urbanos reais, incluindo interações com ciclistas e motociclistas. Serão ainda avaliadas situações como a utilização incorreta do acelerador e o chamado “acidente por abertura de porta” - quando um ciclista é atingido por uma porta que se abre de forma inesperada.
Os sistemas de apoio à manutenção na faixa de rodagem (Assistente de Manutenção na Faixa), muitas vezes apontados por intervenções abruptas ou pouco previsíveis, passarão igualmente a ser classificados pela suavidade e pela forma intuitiva como atuam - fatores que terão impacto na pontuação final.
Quanto aos testes de colisão, a alteração de maior relevo prende-se com a introdução de novos perfis corporais, abrangendo adultos de estatura mais baixa e mais alta, crianças e ocupantes idosos.
Segurança pós-colisão
A quarta fase diz respeito à segurança após a colisão, uma vertente que ganha especial importância com a disseminação de veículos 100% elétricos. Por isso, o Euro NCAP vai impor requisitos adicionais específicos, incluindo a necessidade de os puxadores elétricos continuarem operacionais depois do impacto, facilitando o acesso das equipas de emergência.
Nos elétricos, será também exigido que a bateria de alta tensão permaneça devidamente isolada e que existam alertas quando houver risco de incêndio, seja na sequência de um acidente ou durante o carregamento.
Outro ponto considerado relevante é a obrigação de os sistemas de chamada de emergência passarem a indicar quantas pessoas seguem no veículo, mesmo que nem todas estejam a utilizar o cinto de segurança.
Revisões de três em três anos
A entidade assume, a partir de agora, o compromisso de rever estes protocolos de três em três anos, de modo a que a avaliação acompanhe a evolução tecnológica e não se torne desajustada face às mudanças constantes no setor automóvel.
Para o Euro NCAP, o objetivo destas atualizações é tornar as classificações mais exigentes, mais úteis e mais alinhadas com a forma como os automóveis modernos se comportam - cada vez mais dependentes de programas informáticos, sensores e monitorização contínua do condutor.
Trata-se de uma transformação profunda que deverá distinguir com maior clareza os veículos que oferecem, de facto, sistemas eficazes daqueles que apenas cumprem os requisitos mínimos em ambiente controlado de teste.
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