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Atenção Mazda. Este é o primeiro motor Wankel chinês

Engenheiros a medir peça metálica com paquímetros em escritório com drone e computador ao fundo.

Não parece existir grande coisa que fique fora do raio de ação da engenharia chinesa. Depois de marcarem pontos nas baterias e nos automóveis elétricos, também os motores de combustão interna passaram a estar claramente no radar.

Ainda recentemente apresentaram aquele que é, hoje, o motor a gasolina mais eficiente, depois de já terem feito o mesmo no universo Diesel. E até no mundo das duas rodas começam a aparecer abordagens pouco óbvias.

Um dos alvos mais improváveis foi um território que, durante muito tempo, pareceu pertencer quase em exclusivo a uma marca: a Mazda. Falamos, naturalmente, do motor Wankel. Ao longo de décadas, este motor transformou-se numa espécie de assinatura da Mazda - do Cosmo ao RX-7, sem esquecer o 787B, vencedor das 24 Horas de Le Mans.

É precisamente por isso que ganha ainda mais relevo o facto de surgir agora um novo motor Wankel vindo do grande vizinho do Japão: a China. O responsável é o Changan Automobile Group, através da sua subsidiária Harbin Dongan Auto Engine. E há um pormenor impossível de desvalorizar: a Changan é, justamente, a parceira chinesa da Mazda.

Dessa colaboração nasceu a berlina elétrica 6e, que terá companhia, em 2026, com o SUV elétrico CX-6e. Entretanto, a Changan já está igualmente presente no mercado português.

Apesar desta proximidade, o grupo chinês apressou-se a sublinhar que a marca japonesa não participou no desenvolvimento do novo motor Wankel. Isto mesmo num momento em que a Mazda também trabalha numa nova geração do seu Wankel.

O primeiro motor Wankel R05E feito na China

Divulgado a 19 de dezembro, o novo protagonista dá pelo nome de R05E e torna-se o primeiro motor Wankel chinês a atingir a fase de protótipo funcional. O programa arrancou oficialmente em abril e foi desenvolvido em conjunto com a AVL, empresa austríaca especializada em engenharia, simulação e validação de sistemas de propulsão.

O R05E é um Wankel de rotor único, com pistão triangular de arestas curvas, sistema de dupla ignição com circuitos independentes, veio excêntrico de baixa massa e outras soluções destinadas a atenuar vibrações. A refrigeração é líquida e o bloco, em alumínio fundido, utiliza um revestimento compósito antifricção com nanodiamantes (NDC), pensado para diminuir perdas energéticas.

Os valores deste primeiro protótipo ajudam a enquadrar o que está em cima da mesa: 53 kW (cerca de 71 cv) às 6500 rpm. Fica longe de «assustar» um Mazda RX-7 ou RX-8, pelo que convém ajustar expectativas. Afinal, este primeiro motor Wankel chinês não foi concebido para ser instalado num automóvel - pelo menos, por enquanto.

Não é para carros: o motor Wankel R05E promete voar alto

A Dongan desenvolveu um motor Wankel moderno… com a intenção de o pôr no ar. O R05E foi pensado para equipar aquilo a que muitos já chamam «carros voadores», isto é, aeronaves de descolagem e aterragem vertical (VTOL), mas não apenas: drones de grande porte e outros veículos, tripulados ou não, que operem abaixo dos 1000 metros de altitude.

Porquê a fasquia dos 1000 metros? Porque é esse o limite associado à chamada “economia de baixa altitude”, uma aposta em grande escala por parte da China.

Segundo a Dongan, este novo motor Wankel pode servir veículos aéreos tripulados de média e grande dimensão, e já está a preparar variantes atmosféricas e sobrealimentadas mais potentes para veículos aéreos não tripulados (UAV). Esse trabalho está a ser feito com parceiros como a DJI, a Huawei e a ARIDGE, a divisão de mobilidade aérea da XPeng.

Nestes contextos, sustenta a empresa, um motor de combustão interna compacto, suave, leve e com elevada relação potência/peso continua a ser uma opção plenamente lógica, mesmo numa fase em que muitos projetos concorrentes privilegiam sobretudo soluções 100% elétricas.

Quando chega ao mercado?

No caso do R05E, o primeiro motor Wankel chinês, a produção em série está apontada para 2027. É verdade que não vai para carros, mas, mais uma vez, a China demonstra que não há «vacas sagradas» na sua ambição, mesmo quando isso significa apostar em tecnologias que, durante muitas décadas, foram domínio do Ocidente.

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