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Mangueiras de rega e esconderijos de cobras no jardim

Homem enrola mangueira verde no jardim, rodeado de plantas, vasos e luvas de trabalho no chão.

Muitos jardineiros amadores ficam satisfeitos com relvados acabados de cortar e canteiros cheios de cor, mas quase nunca pensam em cobras. No entanto, basta um único utensílio deixado ao acaso para tornar o jardim especialmente apelativo para estes animais. Os especialistas alertam: quem ignora este pormenor pode acabar por meter a mão diretamente num esconderijo de répteis.

Porque é que a primavera atrai cobras para o jardim

A partir de cerca de março, as cobras saem dos seus abrigos de inverno. O metabolismo acelera e elas procuram locais soalheiros e protegidos para aquecer o corpo. As condições ideais situam-se entre 25 e 30 graus, com ambiente seco ou ligeiramente húmido e, de preferência, resguardado do vento.

É precisamente esse tipo de cenário que muitas vezes encontram em jardins privados. Locais preferidos típicos:

  • sebes e arbustos densos
  • pilhas de madeira e ramos empilhados
  • muros de pedra, muros de seca e fendas entre pedras
  • erva alta e cantos por limpar
  • lonas e coberturas esquecidas

Em alguns países, registam-se todos os anos centenas a milhares de mordeduras de cobra, muitas delas causadas por espécies de víboras. Também nos países de língua alemã o número de encontros tem vindo a aumentar. A combinação de períodos de calor mais longos com habitats alterados empurra os animais cada vez mais para perto das zonas habitadas - e, por isso, também para os jardins.

As cobras não têm uma atitude agressiva para com as pessoas; na maioria das vezes, apenas se defendem quando se sentem encurraladas ou surpreendidas.

Esta ferramenta de rega funciona para as cobras como um convite

O que muitos não imaginam é que a simples mangueira de jardim pode transformar-se numa toca perfeita para uma cobra - sobretudo quando fica enrolada no chão.

Porque é que a mangueira de jardim é tão apelativa

O efeito é fácil de explicar:

  • Aquecimento rápido: o material da mangueira aquece bastante ao sol e conserva o calor durante muito tempo.
  • Cantinho húmido e aconchegante: depois de regar, costuma ficar água residual no interior ou junto da mangueira. Em conjunto com o calor, cria-se um microclima agradavelmente quente e húmido.
  • Túnel protegido: uma mangueira muito enrolada forma cavidades que quase não se veem de cima. Para uma cobra, isso parece um túnel seguro mesmo ao nível do chão.

As cobras pertencem ao grupo dos chamados animais ectotérmicos. Não regulam a própria temperatura corporal e dependem do ambiente. Tudo o que aquece bem e, ao mesmo tempo, oferece proteção entra automaticamente na sua lista de preferências.

Uma mangueira enrolada na zona soalheira de um canteiro é, do ponto de vista de uma cobra, quase um esconderijo de sonho.

Por isso, quem, na primavera ou no verão, pega depressa na mangueira para regar, deve observar bem a área. Sobretudo se a mangueira estiver pousada na relva ou passada ao longo de um muro, pode haver uma cobra escondida por baixo ou entre as voltas.

Como verificar a mangueira antes de lhe tocar

Com alguns gestos simples, reduz bastante o risco:

  • A partir de um a dois metros de distância, faça uma rápida leitura da zona: há movimento? Vê-se uma forma alongada e suspeita?
  • Toque ligeiramente na mangueira ou à sua volta com um pau ou cabo de vassoura.
  • Aguarde alguns segundos: uma cobra assustadiça costuma recuar se tiver uma via de fuga.
  • Só depois pegue com a mão e levante a mangueira.

Esta pequena rotina quase não demora tempo, mas evita surpresas desagradáveis.

Outros esconderijos típicos de cobras no jardim

A mangueira de jardim é apenas um exemplo. Muitos outros objetos criam condições semelhantes - quentes, escuras e protegidas.

Materiais e objetos problemáticos

As cobras apreciam especialmente:

  • lonas e coberturas escuras pousadas no chão
  • chapas metálicas ou peças de chapa colocadas por cima
  • restos de placas de fibrocimento ou de telhado
  • tábuas e paletes pousadas diretamente no solo
  • pedras e lajes de betão armazenadas soltas

Todos estes materiais têm algo em comum: absorvem o calor do sol e libertam-no lentamente. Debaixo deles forma-se um espaço sombrio e protegido do vento - condições ideais para répteis, insetos e pequenos mamíferos.

Quem reduz estas “armadilhas de chão” no jardim retira às cobras grande parte dos esconderijos atrativos.

Como transformar esconderijos em zonas inofensivas

Com alguns ajustes, o risco pode ser reduzido de forma significativa:

  • Colocar as placas na vertical: as placas metálicas ou de fibrocimento devem, de preferência, ficar encostadas verticalmente a uma parede. Assim, quase não se forma um espaço protetor por baixo.
  • Levantar as lonas: não deixe as coberturas estendidas no chão; enrole-as ou coloque-as em prateleiras, mesas ou paletes.
  • Elevar as ferramentas: ancinhos, pás, carrinhos de mão, regadores e mangueiras devem, idealmente, ser pendurados ou guardados em suportes.
  • Arrumar as pilhas de madeira: menos recantos apertados e sem montes apodrecidos diretamente no chão.

Como manter o jardim pouco apelativo para cobras

Quem quiser reduzir os encontros com cobras no seu terreno deve atuar em vários pontos ao mesmo tempo.

Ordem e manutenção como medidas mais importantes

  • Corte a relva com regularidade, sobretudo junto a caminhos e zonas de estar.
  • Limite a vegetação espontânea perto de terraços e entradas da casa.
  • Guarde os utensílios de jardim depois de os usar, não os deixe permanentemente na relva.
  • Não coloque compostores e restos de poda diretamente junto das zonas de maior utilização.

As zonas mais selvagens no fundo do jardim podem, ainda assim, fazer sentido - atraem animais e promovem a biodiversidade. Quem tem crianças pequenas ou cães deve separar claramente essas áreas das zonas de estar e de brincadeira.

O que fazer se aparecer uma cobra?

Mesmo com todos os cuidados, pode surgir uma cobra. Nessa situação, o mais importante é:

  • manter a calma e não entrar em pânico;
  • não encurralar o animal nem o tentar “afugentar” com paus;
  • manter crianças e animais domésticos à distância;
  • recuar devagar e deixar ao animal possibilidades de fuga.

Muitas espécies são inofensivas e acabam por seguir o seu caminho se ninguém se aproximar. Só quando o animal se instala num local sensível, como junto à porta de casa, ou aparece com frequência, é que compensa contactar serviços locais de proteção da natureza ou uma empresa especializada em répteis.

Porque é que as cobras, apesar de tudo, são úteis

Por mais desagradável que possa parecer a ideia de uma cobra no jardim, estes animais desempenham uma função importante. Regulam as populações de ratos e de outros pequenos mamíferos, que por sua vez podem danificar plantas, cabos e provisões.

Quem arruma bem a mangueira, as lonas e as placas reduz o risco de um encontro direto, sem expulsar totalmente estes animais. Um jardim estruturado e arrumado, com algumas pequenas ilhas de natureza planeadas de forma consciente, oferece um bom compromisso entre segurança e proximidade com a natureza.

A chave não está em eliminar por completo as cobras, mas sim em evitar esconderijos de risco nos sítios errados.

Foi precisamente a humilde mangueira de jardim que mostrou como pequenas coisas podem mudar drasticamente o caráter de um jardim para os animais. Quem passar a ter este detalhe em atenção protege-se a si próprio - e, ao regar, deixa de meter inadvertidamente a mão num esconderijo quente e vivo.

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