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A gravidade de Marte pode não ser suficiente para evitar a perda muscular dos astronautas.

Astronauta a fazer exercício num ginásio com vista para o deserto marciano ao pôr do sol.

Para preservar a função muscular, é necessária uma gravidade mais elevada

Investigadores da Universidade de Rhode Island realizaram um estudo para perceber de que forma a baixa gravidade afecta os músculos. A questão é especialmente relevante no contexto de futuras missões a Marte, onde a força gravítica é cerca de um terço da terrestre.

No ensaio foram utilizados 24 ratos, mantidos a bordo da Estação Espacial Internacional em condições de diferentes níveis de gravidade (0,33g, 0,67g e 1g). A experiência decorreu durante 28 dias.

Os resultados mostraram que, em microgravidade, os ratos sofreram uma atrofia muscular significativa, sobretudo no músculo gémeo, que desempenha um papel essencial no movimento. Ainda assim, mesmo uma gravidade de 0,33g, próxima da marciana, reduziu em parte a perda de massa muscular.

Apesar disso, o grupo exposto a 0,33g continuou a apresentar uma diminuição considerável da força dos membros anteriores. Os investigadores concluíram que, para conservar a função muscular, é necessária uma gravidade de pelo menos 0,67g.

A professora Mari Mortro, do Laboratório de Metabolismo e Biologia Muscular, referiu que os resultados do experimento podem ser aproveitados no desenvolvimento de métodos para adaptar os astronautas às condições de Marte. Sublinhou também que reproduzir a gravidade na Terra é extremamente difícil e dispendioso.

O estudo mostrou ainda que a gravidade de Marte (0,38g) pode não ser suficiente para impedir a activação de genes responsáveis pela degradação muscular. Isto põe em causa a possibilidade de permanência prolongada de seres humanos em Marte sem medidas adicionais.

Os cientistas pretendem dar continuidade às investigações para criar estratégias que minimizem a atrofia muscular em ambientes de baixa gravidade. Entre as soluções em análise estão treinos específicos e gravidade artificial.

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