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Elétricos de luxo têm um problema - a Ferrari pode ter a solução

Carro desportivo Ferrari vermelho brilhante estacionado junto a um posto de carregamento elétrico num interior moderno.

Os elétricos de luxo e alto desempenho continuam a esbarrar no mesmo entrave, ano após ano: há muito pouco interesse real por parte dos compradores.

Mesmo quando entregam prestações impressionantes, a maioria dos clientes deste segmento continua a preferir o «bom e velho» motor de combustão. Quem escolhe um automóvel de luxo não quer apenas deslocar-se em silêncio: quer som, emoção e um motor com carácter.

É neste cenário que entra o Luce, o primeiro elétrico da história da Ferrari. Mais do que um modelo inédito da marca italiana - e até uma espécie de heresia para alguns -, tudo indica que pode vir a ser o verdadeiro teste ao futuro dos elétricos de luxo. Falámos precisamente desta responsabilidade que a Ferrari tem em mãos neste Auto Rádio, um podcast da Razão Automóvel com o apoio do PiscaPisca.pt. Ora veja:

Algo que ninguém consegue resolver

Os elétricos já provaram ser extremamente eficazes em muitos segmentos. Mas o universo dos supercarros e dos carros de luxo funciona de outra forma. Aqui, os números também contam. Mas não contam tudo.

A vertente sensorial sempre fez parte da fórmula: o som do motor, a vibração mecânica, a subida das rotações. Elementos que um motor elétrico simplesmente não consegue reproduzir. Não é por acaso que várias marcas já começaram a assumir essa realidade.

A Rimac, que criou aquele que é o hipercarro elétrico mais radical do mundo, o Nevera R, já admitiu que os clientes com mais dinheiro continuam a preferir motores de combustão. Foi por isso que o CEO da Bugatti Rimac, Mate Rimac, deu ordens para que a Bugatti desenvolvesse um novo motor V16 híbrido com 1800 cv para o Tourbillon.

Mas a Rimac não é caso único, ainda que tenha a particularidade de querer vender elétricos que custam mais de dois milhões de euros. Alguns milhares de euros abaixo, no patamar onde iria encaixar o Ferrari Luce, era suposto existir um rival da Lamborghini, mas isso já não vai acontecer.

Stephan Winkelmann, diretor-executivo da marca de Sant’Agata Bolognese, falou recentemente sobre o assunto e foi direto ao dizer que o interesse dos clientes é “perto de zero”. Por isso mesmo, a aposta passa por reforçar os motores de combustão interna, mas integrados em sistemas híbridos plug-in.

Tudo ou nada

Por tudo isto, começa a parecer cada vez mais evidente que não estamos perante um problema técnico. É uma questão emocional. E, se há marca capaz de mexer com os sentidos de quem gosta de automóveis, essa marca é a Ferrari.

Quando a Ferrari apresenta um novo modelo, o impacto costuma ir muito além do produto em si. A marca tem uma capacidade rara de transformar engenharia em desejo: tantas vezes se diz que a Ferrari não vende automóveis, vende sonhos. E é precisamente isso que terá de conseguir com o Luce.

Se o primeiro Ferrari elétrico conseguir convencer os clientes da marca, poderá abrir caminho para que outros lancem uma nova geração de elétricos de luxo e alta performance. Por outro lado, se nem a Ferrari conseguir seduzir este público, talvez fique provado que há segmentos onde a eletrificação simplesmente não encaixa.

Encontro marcado no Auto Rádio para a próxima semana

Não faltam motivos para acompanhar o mais recente episódio do Auto Rádio, que regressa na próxima semana nas plataformas habituais: YouTube, Apple Podcasts e Spotify.

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