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Ex-desenvolvedor de Red Dead Redemption 2 acredita que não é GTA 6, mas sim outro jogo que poderá ganhar o título de "jogo do ano".

Jovem a jogar videojogo com ecrã duplo mostrando paisagens de deserto e cidade à noite.

Com as atenções quase todas viradas para o muito aguardado GTA 6, há outro jogo a começar a meter-se na conversa e a baralhar previsões.

Durante meses, o calendário de lançamentos de 2026 pareceu girar em torno da nova mega-produção da Rockstar. Mas nos bastidores da indústria surgiu uma voz com peso: um antigo developer de Red Dead Redemption 2 está a apontar para um candidato menos óbvio para arrecadar o prémio de “jogo do ano” - Crimson Desert.

GTA 6 sob pressão: o peso de ser o favorito

GTA 6 chega com um nível de expectativa quase sem paralelo. O jogo já venceu por duas vezes a categoria de “título mais aguardado” nos The Game Awards, algo pouco comum. A Rockstar tornou-se sinónimo de lançamentos gigantes, e o historial de Grand Theft Auto alimenta previsões de vendas colossais e de uma presença constante nas redes durante meses.

Com este enquadramento, muita gente assume que o prémio de jogo do ano em 2026 seria pouco mais do que uma formalidade. Ainda assim, a indústria gosta de lembrar que favoritismo não é garantia de troféu. Zelda: Breath of the Wild, The Witcher 3, Elden Ring e Baldur’s Gate 3, por exemplo, ultrapassaram concorrentes fortes precisamente por oferecerem algo que parecia novo dentro de mundos abertos já bem estabelecidos.

É aqui que entra Crimson Desert: não como “o próximo GTA”, mas como uma resposta diferente ao desgaste de certas fórmulas de mundo aberto.

Crimson Desert: o projeto que cresceu em silêncio

Com lançamento previsto para 19 de março de 2026, Crimson Desert foi durante muito tempo visto apenas como um “RPG bonito feito pelo estúdio de Black Desert Online”. Mas, à medida que foram surgindo novos trailers e apresentações, o jogo ganhou outro peso. Hoje, muitos analistas já o tratam como uma das grandes apostas do ano.

O que mais chama a atenção é o conjunto de ambições que o projeto assume. A proposta cruza ação, exploração, mecânicas de combate quase acrobáticas e um mundo de fantasia que tenta ir além do que se espera de um RPG em terceira pessoa.

Liberdade exagerada? É mesmo essa a ideia

Os materiais oficiais e as demonstrações destacam um tipo de liberdade que roça o exagero, mas de forma pensada. Entre as promessas já reveladas estão:

  • Montar e controlar dragões em batalhas aéreas;
  • Explorar ilhas flutuantes com transição fluida entre terra e céu;
  • Fazer derrapagens cinematográficas a cavalo, a alta velocidade;
  • Controlar vários protagonistas ao longo da campanha;
  • Usar golpes inspirados em luta livre, quase como “movimentos de wrestling” em pleno combate;
  • Viajar por um continente descrito como aproximadamente duas vezes maior do que o mapa de Skyrim;
  • Participar em confrontos em massa, tanto em terra como nas alturas.

Esta mistura dá a sensação de um brinquedo gigante em forma de jogo. Um parque de diversões medieval-fantástico onde o jogador está sempre a experimentar coisas novas, sem ficar preso a uma única maneira de combater ou explorar.

O veterano que trabalhou em Red Dead Redemption 2 vê precisamente nessa liberdade “caótica, mas intencional” a força de Crimson Desert para conquistar o público e, quem sabe, as premiações.

Por que um ex-dev de Red Dead 2 acredita no potencial de “jogo do ano”

Quem já trabalhou em grandes produções tende a olhar para novos projetos com algum cepticismo. Por isso, quando um ex-desenvolvedor de Red Dead Redemption 2 diz ver em Crimson Desert material para jogo do ano, a observação não passa despercebida.

Do ponto de vista de alguém que já passou pelo desenvolvimento de um colosso como RDR2, há fatores que costumam pesar bastante:

Fator Impacto em premiações
Identidade própria Júris e público valorizam jogos que não parecem meras cópias de sucessos anteriores.
Coerência do mundo Um universo credível, mesmo em fantasia, ajuda a imersão e favorece críticas positivas.
Ritmo da campanha Missões variadas e bem distribuídas evitam a sensação de “enchimento”.
Inovação mecânica Novos sistemas de combate e exploração chamam a atenção de quem vota em prémios.

Na visão desse profissional, Crimson Desert parece acertar sobretudo na mistura entre narrativa, escala e variedade de interações. Ao permitir que o jogador faça coisas invulgares - como aplicar golpes de luta livre num RPG medieval - o jogo afasta-se daquele padrão de “mais do mesmo” que já começa a cansar parte da comunidade.

GTA 6 x Crimson Desert: disputas diferentes, prémio igual

Na prática, GTA 6 e Crimson Desert lutam pelo mesmo rótulo de “jogo do ano”, mas oferecem experiências bastante diferentes. Enquanto o jogo da Rockstar deverá apostar em sátira social, um mundo urbano hiper-detalhado, crime e caos moderno, Crimson Desert apoia-se na fantasia, na guerra e num sentido de aventura mais clássico.

Essa diferença pode até beneficiar ambos. Quem votar nas premiações terá diante de si dois tipos de espetáculo: um assente em comentários sobre cultura pop e sociedade, outro construído sobre mitologia própria, dragões e batalhas quase cinematográficas.

A grande questão não é qual tem mais marketing, mas qual vai tocar o jogador com mais força na primeira experiência.

Como o público pode reagir a esta disputa

A comunidade de jogadores costuma reagir bem quando sente que um estúdio arrisca em ideias novas. Foi isso que ajudou jogos como Elden Ring, que reinventou a fórmula dos “soulslike” ao abraçar o mundo aberto, e Baldur’s Gate 3, que apostou em escolhas extremas e liberdade narrativa.

Se Crimson Desert cumprir o que promete, pode ocupar esse lugar de “surpresa que cresce pelo boca a boca”, sobretudo entre quem procura algo diferente de mundos urbanos contemporâneos. Já GTA 6, muito provavelmente, continuará a dominar audiências, memes, transmissões em direto e debates públicos.

Termos e conceitos que ajudam a perceber o debate

Para quem acompanha tudo de fora, algumas expressões repetidas nestas discussões podem soar vagas. Há vários pontos que vale a pena ter em conta:

  • Mundo aberto: jogos em que o jogador pode circular livremente por uma grande área, escolhendo a ordem das atividades;
  • Liberdade de ação: não é apenas uma questão de mapa grande; envolve poder abordar uma missão de várias formas, com diferentes estilos de combate e exploração;
  • Escala de produção: orçamentos elevados, equipas grandes e longos períodos de desenvolvimento, algo que tanto GTA 6 como Crimson Desert parecem ter.

Estes elementos ajudam a perceber por que razão um título menos conhecido pode, de repente, entrar com força nas conversas sobre prémios, mesmo frente a um gigante já consolidado como a série GTA.

Cenários possíveis: do hype à realidade

Um cenário é GTA 6 cumprir em cheio as expectativas, dominar vendas e prémios, enquanto Crimson Desert “apenas” se torna um sucesso de nicho entre fãs de RPG. Outro cenário, menos óbvio mas plausível, é o inverso: um lançamento de Crimson Desert muito polido, bem optimizado e com novidades marcantes, a contrastar com um GTA 6 que possa chegar com problemas técnicos ou mecânicas mais conservadoras do que o público esperava.

Existe ainda um cenário intermédio, em que os dois saem muito bem, dividem prémios em várias categorias e a luta pelo troféu principal fica renhida, decidida por detalhes como o impacto emocional da história, a qualidade das missões secundárias ou a originalidade da direção artística.

Para o jogador comum, esta competição até pode ser positiva. Dois grandes projectos a disputar atenção tendem a elevar o nível geral de qualidade. Os estúdios sentem-se pressionados a polir mais, arriscar mais e ouvir melhor o feedback da comunidade, com atualizações e expansões pensadas desde cedo.

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