O futuro da reparação automóvel esteve no centro do debate durante o 18.º Encontro Nacional da Reparação Automóvel, uma iniciativa promovida pela ANECRA - Associação Nacional das Empresas do Comércio e da Reparação Automóvel - que teve lugar no dia 29 de março.
O encontro decorreu no Hotel Solverde, em São Félix da Marinha, no concelho de Espinho, e juntou mais de 200 profissionais do setor, num fórum dedicado à análise dos principais obstáculos e das oportunidades que irão influenciar a reparação automóvel em Portugal nos próximos anos.
Reparação automóvel em Portugal: o que foi discutido
Entre os temas abordados, destacou-se a necessidade de acelerar a transição energética no setor automóvel. Alfredo Amaral, diretor executivo da OKIS360, chamou a atenção para o facto de o setor ser responsável por 23% das emissões de CO₂ na União Europeia, sublinhando a urgência de medidas concretas nesta matéria.
Na sua intervenção, defendeu ainda que a sustentabilidade deve ser encarada como um investimento e não como um encargo. Segundo referiu, “estima-se que cada euro investido em mobilidade verde possa gerar quatro euros em retornos socioeconómicos até 2030”.
Roberto Gaspar, secretário-geral da ANECRA, apresentou depois uma leitura detalhada da realidade do setor, concluindo que “o setor automóvel se encontra forte e dinâmico, ao mesmo tempo que apresenta excelentes índices de crescimento”.
Custos de mão de obra e pressão nas oficinas
A análise do responsável da ANECRA incluiu também a evolução do valor da mão de obra. De acordo com os dados divulgados pela associação, em 2024 verificou-se um aumento generalizado superior a 5%.
Ainda assim, o valor médio da mão de obra nas oficinas independentes mantém-se cerca de 40% abaixo do praticado nas marcas e nos concessionários, o que continua a criar diferenças significativas na competitividade do mercado.
Principais desafios do pós-venda automóvel
No que respeita ao pós-venda, a ANECRA realizou um inquérito para identificar os problemas mais relevantes enfrentados pelo setor. Os resultados apontam como principais dificuldades:
- falta de pessoal qualificado, referida por 74% dos inquiridos;
- custos associados à gestão ambiental, apontados por 39%;
- concorrência desleal, indicada por 33%;
- evolução técnica das viaturas, surgindo em quarto lugar.
Estes dados mostram que a reparação automóvel em Portugal vive uma fase de transformação profunda, em que a adaptação tecnológica, a formação e a gestão eficiente dos recursos ganham peso crescente.
A modernização das oficinas, a atração de novos profissionais e a capacidade de responder a veículos cada vez mais complexos foram também temas subjacentes ao debate. Num contexto em que a eletrificação e a digitalização estão a mudar rapidamente o mercado, o setor terá de reforçar competências e investimento para continuar a crescer de forma sustentada.
O encontro da ANECRA deixou, assim, uma mensagem clara: o futuro da reparação automóvel dependerá da capacidade das empresas para combinar sustentabilidade, qualificação e inovação, sem perder de vista a realidade económica das oficinas e dos consumidores.
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