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Tarifas de Trump aproximam UE e China. É o início do fim das tarifas dos elétricos?

Carro elétrico branco de design moderno em sala com paredes de vidro e vista urbana.

As tarifas recentemente impostas pelos Estados Unidos da América (EUA) podem estar a produzir o efeito oposto ao desejado, ao aproximar potências económicas rivais, como a União Europeia (UE) e a China.

Depois de Donald Trump ter anunciado tarifas aplicadas de forma indiscriminada a todos os parceiros comerciais - entretanto suspensas por 90 dias -, a China e a UE voltaram à mesa das negociações para reduzir obstáculos ao comércio e reforçar a cooperação económica, com especial atenção aos automóveis elétricos.

Será este o princípio do fim das tarifas sobre os automóveis elétricos fabricados na China?

De acordo com a Reuters, tanto o ministro do Comércio chinês, Wang Wentao, como o comissário europeu do Comércio, Maros Sefcovic, indicaram que as duas partes chegaram a consenso quanto à criação de um preço mínimo para os automóveis elétricos produzidos na China. As conversações deverão arrancar em breve.

Este eventual entendimento deverá substituir as tarifas de até 35,3% que a UE aplicou aos automóveis elétricos importados da China, para além dos 10% que já estavam em vigor.

A possibilidade de fixar um preço mínimo já tinha sido colocada anteriormente em cima da mesa, mas acabou por não avançar, porque as duas potências não conseguiram chegar a acordo quanto ao valor a definir. Ainda assim, o bloco europeu sempre demonstrou abertura para negociar as tarifas.

Segundo o Ministério do Comércio chinês, “as tarifas impostas pelos EUA são um exemplo típico de unilateralismo, protecionismo e intimidação económica”. No mesmo comunicado, acrescenta-se: “Tendo em conta que a UE sempre atribuiu grande importância às suas relações com a China, Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia, afirmou que é crucial para as relações UE-China manter a continuidade e a estabilidade nas circunstâncias atuais”.

Uma solução deste tipo também teria impacto na indústria automóvel europeia, que procura equilibrar a defesa da concorrência com a necessidade de evitar uma escalada comercial. Ao mesmo tempo, poderá dar maior previsibilidade aos fabricantes e aos consumidores, num mercado em rápida transformação.

Efeito inverso

Esta aproximação repentina entre a UE e a China pode acabar por reforçar a posição da China como o maior exportador mundial de automóveis elétricos, precisamente o contrário daquilo que os EUA pretendiam alcançar.

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