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Mercado automóvel europeu em janeiro: números da ACEA

Carro desportivo elétrico azul expositor em salão moderno com janelas amplas e outros veículos ao fundo.

A Associação Europeia de Fabricantes de Automóveis (ACEA) já tornou públicos os registos de vendas do mercado automóvel europeu relativos ao primeiro mês do ano, e o arranque ficou aquém do desejável.

Em janeiro, o mercado automóvel desceu 3,9% em comparação com o mesmo mês de 2025, somando 961 382 unidades. Deste total, 799 625 automóveis foram vendidos na União Europeia.

Importa ainda notar que, ao longo do artigo, quando se fala do “mercado europeu” em sentido mais amplo, a referência inclui União Europeia + EFTA + Reino Unido - um detalhe relevante para ler correctamente a distribuição por marcas e grupos, sobretudo em construtores com grande presença fora da UE.

Principais mercados: quedas na Alemanha e em França, subidas em Espanha, Reino Unido e Itália

Entre os maiores mercados europeus, a Alemanha e a França apresentaram ambas uma contracção de 6,6%. Em contrapartida, Espanha, o Reino Unido e Itália conseguiram crescer 1,1%, 3,4% e 6,2%, respectivamente.

Este comportamento misto ajuda a explicar por que motivo o total europeu ficou negativo: os recuos nos dois maiores mercados tendem a ter um impacto significativo no resultado agregado, mesmo quando há recuperações noutros países.

Mercado automóvel europeu: Volkswagen na liderança, Skoda em alta e Toyota em queda

Tal como seria expectável - e em continuidade com a tendência observada em 2025 -, a Volkswagen continuou a comandar destacadamente o mercado automóvel europeu (UE + EFTA + Reino Unido). A marca alemã matriculou 100 228 unidades, apesar de ter registado uma quebra de 11,2% face a janeiro do ano passado.

Na segunda posição surge a Skoda, que mantém uma luta muito equilibrada com a Toyota. Com 64 967 unidades vendidas (mais de mil acima da rival japonesa), a marca checa cresceu 10,1%, sendo a única do trio da frente a aumentar e, simultaneamente, a que apresentou a maior subida entre as dez marcas mais vendidas.

A Toyota completa o trio da frente com 63 801 unidades matriculadas, traduzindo uma descida de 11,8% em comparação com janeiro de 2025. Logo a seguir aparecem a BMW e a Peugeot, com 54 574 e 53 799 unidades, respectivamente, ambas com resultados em terreno negativo: -8,7% e -2,9%.

As 10 marcas mais vendidas no mercado europeu (UE + EFTA + Reino Unido)

A Renault e a Mercedes-Benz, embora mais abaixo na tabela, destacaram-se por serem - além da Skoda - as únicas entre as dez primeiras a conseguirem crescer, com aumentos de 4,4% e 2,8% nas vendas. Já a Audi manteve um desempenho praticamente estável, com uma descida residual de 0,5% face a janeiro de 2025.

A lista das 10 mais vendidas fecha com a Kia, que colocou 39 622 unidades (-5,1%), e com a Hyundai, que somou 33 271 unidades (-19,9%), sendo esta a maior quebra dentro deste conjunto.

Marca Unidades (jan.) Variação vs jan. 2025
Volkswagen 100 228 -11,2%
Skoda 64 967 +10,1%
Toyota 63 801 -11,8%
BMW 54 574 -8,7%
Peugeot 53 799 -2,9%
Renault - +4,4%
Mercedes-Benz - +2,8%
Audi - -0,5%
Kia 39 622 -5,1%
Hyundai 33 271 -19,9%

Marcas fora das 10 mais vendidas: quem ganhou e quem perdeu mais

Fora do grupo das 10 mais vendidas, o maior destaque pertence à chinesa BYD, que foi a marca com o crescimento mais expressivo face a janeiro de 2025: +165%, totalizando 18 242 unidades comercializadas. Também com sinal positivo surgem outras marcas, como a Alpine (+65,2%), a FIAT (+24,6%) e a Lancia (+22%).

No sentido oposto, Jaguar, Mitsubishi e Dacia estiveram entre as quedas mais acentuadas em relação a 2025, com descidas de 99,4%, 35,1% e 35%, respectivamente.

A Tesla, que em 2025 já tinha sentido uma forte contracção, manteve o padrão negativo no início deste ano, embora de forma menos intensa: em janeiro, vendeu 8075 unidades, o que corresponde a -17%.

Grupos automóveis: Stellantis cresce, Volkswagen e Renault recuam

Ao olhar para os grupos, apesar de a Stellantis ter apenas uma marca entre as 10 mais vendidas, o construtor conseguiu ainda assim crescer face ao período homólogo (+6,7%). Em contraste, o Grupo Volkswagen recuou 3,8%.

O Grupo Renault apresentou uma descida mais vincada, de 15%. A mesma tendência de quebra também se verificou nos grupos Hyundai, BMW e Toyota, com reduções de 12,5%, 5,7% e 13,4%, respectivamente.

O que pode estar por trás destes resultados (leitura de contexto)

Um arranque de ano mais fraco pode reflectir vários factores típicos do mercado automóvel europeu, como alterações nos níveis de stock e de campanhas comerciais após o fecho do ano, bem como a sensibilidade dos consumidores a custos de financiamento e ao preço final dos veículos. Em mercados onde a procura é mais dependente de frotas e de empresas, variações na calendarização de encomendas também podem influenciar de forma relevante o mês de janeiro.

Além disso, a transição tecnológica em curso - com maior atenção a electrificação, diferentes tipos de híbridos e metas de emissões - tende a afectar a forma como clientes e marcas gerem o “timing” de compras e matrículas, o que pode contribuir para oscilações mais acentuadas entre marcas e grupos no curto prazo.

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