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Reino Unido negoceia a venda dos últimos três C-130J Super Hercules da Royal Air Force

Quatro homens em uniformes militares junto a mesa com miniatura de avião em pista com avião de carga cinzento ao fundo.

O Reino Unido estará em negociações avançadas para concluir a venda dos últimos três C-130J Super Hercules que integravam a frota da Royal Air Force e foram retirados de serviço em 2023. Apesar de o potencial cliente ainda não ter sido identificado publicamente, de forma a preservar a confidencialidade do processo, um relatório de Gareth Jennings indica que existe interesse concreto na aquisição destas aeronaves.

De acordo com a informação disponível, o lote em causa incluirá dois aparelhos C-130J (C5) e um C-130J (C4).

O que está em causa: os C-130J Super Hercules (C4 e C5) ainda com vida útil significativa

Importa sublinhar que estas aeronaves não terão sido abatidas por desgaste excessivo ou por terem atingido o fim de vida. Pelo contrário, tratar-se-á de células em bom estado e com vários anos de operação pela frente, tendo ainda beneficiado da substituição de componentes considerados críticos pela Defence Equipment Sales Authority (DESA), com o objectivo de aumentar a atractividade do pacote para potenciais compradores.

A decisão de retirar os Super Hercules estará antes ligada à evolução da frota de transporte da Royal Air Force: a entrada e consolidação do A400 Atlas (também referido como Airbus A400) em número considerado suficiente para assegurar, por si só, as missões que anteriormente eram realizadas pelos C-130.

Da frota original ao desinvestimento: 23 aeronaves e várias vendas internacionais

Em tempos, o Reino Unido operou 23 aeronaves de transporte C-130J. Nos últimos anos, a maioria desses aparelhos foi sendo alienada e transferida para parceiros internacionais de Londres, num processo faseado de desinvestimento.

Desde a sua retirada, os Super Hercules remanescentes têm permanecido armazenados e com manutenção assegurada pela Marshall Group, enquanto se aguardava a definição de um novo operador.

Precedente recente: Turkish Air Force reforçou a frota com 12 aeronaves

Um dos exemplos mais relevantes deste movimento foi a compra, pela Turkish Air Force, de 12 aeronaves provenientes do lote britânico, no âmbito do esforço de modernização das suas capacidades. A decisão foi confirmada em Outubro do ano passado, após um processo negocial descrito como prolongado.

Ancara justificou a aquisição com a necessidade de incorporar novas células que ajudassem a aliviar a pressão sobre uma frota de transporte já muito solicitada. Antes de fechar o acordo, a Turquia apoiava-se sobretudo em aeronaves Airbus A400 para estas missões, mantendo simultaneamente em serviço outras versões da família C-130, nomeadamente as variantes B e E.

Bangladesh Air Force: cinco C-130J para reforço do transporte aéreo

Outro precedente importante encontra-se na Bangladesh Air Force, que recebeu o último dos C-130J adquiridos ao Reino Unido em Junho de 2024, com o objectivo de reforçar as suas capacidades de transporte aéreo.

No total, Daca integrou cinco unidades: duas contratualizadas em 2018 e três adicionais em 2019. Na altura, as autoridades bengalis referiram a intenção de acelerar a integração destas aeronaves em operações de manutenção de paz em que o país participa, salientando igualmente o seu papel crítico em missões humanitárias.

Tentativa sem desfecho: Hellenic Air Force chegou a ser apontada como interessada

A Hellenic Air Force foi também apontada como potencial compradora, mas o processo não avançou. Ainda assim, chegaram a ocorrer várias reuniões entre responsáveis gregos e britânicos para discutir os termos de uma eventual operação, incluindo contactos com representantes da Marshall Aerospace.

Neste caso, tratava-se de um país com experiência prévia na família C-130, uma vez que operava uma frota de cerca de 15 aeronaves nas variantes B e H.

O mercado de segunda mão e a integração operacional: factores que podem pesar na decisão

A venda de C-130J usados tende a atrair países que procuram acelerar a disponibilidade de meios de transporte táctico, evitando prazos longos associados à construção de aeronaves novas. Para muitos operadores, a compatibilidade com infra-estruturas existentes, a disponibilidade de formação e a facilidade de integração em doutrinas já estabelecidas são vantagens determinantes, sobretudo quando já existe experiência com a família C-130.

Além disso, a condição técnica do lote e o histórico de manutenção - incluindo intervenções orientadas por entidades como a DESA e a conservação assegurada pela Marshall Group - podem reduzir riscos na entrada ao serviço, facilitar o planeamento logístico e tornar o pacote mais competitivo face a alternativas no mercado.

Imagens utilizadas apenas para fins ilustrativos.

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