Saltar para o conteúdo

The Elder Scrolls 6 será diferente de Starfield e Fallout 76 e terá uma abordagem única.

Personagem de videojogo com espada e mapa a observar paisagem verde com castelo ao fundo ao pôr do sol.

Depois de vários anos de silêncio e de indicações pouco concretas, surgiu mais um pormenor sobre The Elder Scrolls 6 que voltou a alimentar discussões e expectativas entre os fãs.

Numa intervenção recente, Todd Howard deixou perceber que o próximo grande RPG da Bethesda deverá afastar-se do rumo seguido por Starfield e Fallout 76, recuperando uma filosofia de conceção mais alinhada com Skyrim e com os Elder Scrolls clássicos. Ainda sem data de lançamento e sem material oficial para o público, o projecto começa, aos poucos, a revelar intenções nos bastidores.

Oito anos de incógnitas e a intenção de regressar ao ADN de The Elder Scrolls 6

The Elder Scrolls 6 foi anunciado em 2018 com um teaser mínimo e sem detalhes adicionais. Desde então, a comunicação do estúdio girou sobretudo em torno de Starfield e do suporte contínuo a Fallout 76, deixando a nova visita a Tamriel praticamente fora do radar.

O próprio Todd Howard já reconheceu que o anúncio aconteceu cedo demais. Na altura, o jogo estava longe de um estado palpável e, mesmo hoje, continua “muito longe” de estar concluído, de acordo com declarações mais recentes.

The Elder Scrolls 6 é encarado como um projecto de maturação prolongada, pensado para durar muitos anos - e não apenas para causar impacto no dia de lançamento.

Esta postura ajuda a explicar o prolongado silêncio. Enquanto o entusiasmo crescia do lado de fora, a equipa trabalhava na base tecnológica e na definição da identidade do próximo Elder Scrolls, num mercado que mudou bastante desde 2011, ano em que Skyrim chegou às lojas.

Creation Engine 3 na Bethesda: a nova base técnica para The Elder Scrolls 6

Do lado técnico, Howard referiu que a Bethesda passou os últimos anos a aprimorar o Creation Engine 2, o motor que suporta Starfield. Inicialmente, a ideia seria aproveitar essa fundação para The Elder Scrolls 6, mas a estratégia evoluiu.

Neste momento, a expectativa é que The Elder Scrolls 6 seja o título de estreia do Creation Engine 3, apresentado como o próximo degrau da tecnologia interna do estúdio e, ao mesmo tempo, como plataforma para projectos futuros.

  • Creation Engine (original): usado em Skyrim, Fallout 4 e outros títulos anteriores.
  • Creation Engine 2: a base de Starfield, orientada para ambientes espaciais e forte presença de geração procedural.
  • Creation Engine 3: motor planeado para The Elder Scrolls 6 e para os jogos seguintes.

Howard sublinhou ainda que “a maioria das pessoas que criou Skyrim continua no estúdio”. O recado é directo: apesar da evolução tecnológica, a Bethesda quer comunicar continuidade criativa num mercado hoje bem mais competitivo.

Starfield e Fallout 76 como “desvios criativos” antes de The Elder Scrolls 6

Numa entrevista ao canal KindaFunnyGames, Todd Howard recorreu a uma expressão que não passou despercebida: descreveu Starfield e Fallout 76 como “desvios criativos” quando comparados com o estilo que consolidou Elder Scrolls, Fallout 3, Fallout 4, Skyrim e Oblivion.

Com The Elder Scrolls 6, voltamos a um estilo clássico que fazia falta - aquela forma específica de explorar e “habitar” o mapa que os fãs conhecem.

A formulação é intencionalmente aberta, mas aponta para uma mudança de foco. Starfield apostou em viagens espaciais, centenas de planetas, uso intenso de geração procedural e sistemas de construção de bases ao longo da galáxia. Já Fallout 76, ao centrar-se num multiplayer persistente, afastou-se da estrutura tradicional de campanha narrativa a solo que o estúdio tornou popular.

A leitura mais comum é que The Elder Scrolls 6 deverá reduzir esse “ruído” e recentrar a experiência num mundo único e coeso, com prioridade à exploração terrestre, a facções, à progressão da personagem e à sensação de viver numa região com identidade própria - como acontecia em Skyrim.

O que The Elder Scrolls 6 pode alterar face a Starfield e Fallout 76

As palavras de Howard abriram espaço a interpretações na comunidade. Muitos jogadores entendem que The Elder Scrolls 6 poderá afastar-se de algumas decisões de design que dividiram opiniões nos projectos mais recentes.

Menos ênfase em construção e mais exploração “à Skyrim” em The Elder Scrolls 6

Um dos temas mais apontados é a construção. Tanto Starfield como Fallout 76 incentivam o jogador a erguer bases, abrigos e estruturas, ocupando uma fatia relevante do ciclo de jogo.

Nos Elder Scrolls, a base clássica passa por andar, descobrir cidades, ruínas, masmorras, cavernas e segredos com naturalidade - sem tantos sistemas paralelos a dominar a experiência.

Jogo Foco principal Estrutura do mundo
Skyrim Exploração, narrativa, facções Um único mapa coeso, denso e interligado
Fallout 76 Multijogador, eventos, construção Servidor online partilhado
Starfield Viagem espacial, exploração procedural Centenas de planetas separados entre si
The Elder Scrolls 6 (pretendido) RPG clássico, exploração profunda Uma região única com forte identidade

Se o “estilo clássico” for aplicado à letra, TES 6 tende a dar prioridade a:

  • exploração contínua num único mapa grande e detalhado;
  • missões (quests) mais complexas, com várias abordagens e consequências no mundo;
  • facções marcantes, com linhas narrativas próprias e decisões difíceis;
  • construção com um papel mais discreto, como complemento e não como pilar central.

Menos “jogo massivo online (MMO)” e mais RPG a solo consistente

Outro sinal apontado pelos fãs é o afastamento de elementos típicos de MMO presentes em Fallout 76. O jogo foi concebido como um serviço online, com eventos e temporadas, e isso acabou por influenciar o ritmo e a estrutura narrativa.

Em The Elder Scrolls 6, a expectativa recai sobre uma jornada a solo mais robusta, com princípio, meio e fim bem definidos - ainda que recheada de liberdade e conteúdo opcional. Se existir multijogador, a tendência é que seja secundário ou inexistente, preservando a tradição da série principal.

Porque é que The Elder Scrolls 6 está a demorar tanto

O intervalo entre o anúncio e o lançamento tornou-se motivo de chacota recorrente na comunidade. Passou mais tempo entre 2018 e hoje do que entre o lançamento de Skyrim (2011) e a revelação de TES 6.

Alguns factores ajudam a justificar a demora:

  • Prioridade a outros projectos: Starfield foi a grande aposta “de nova geração” e consumiu anos de produção.
  • Transição de gerações: o estúdio quer evitar que TES 6 nasça tecnicamente datado, já a pensar num ciclo de consolas mais avançado.
  • Novo motor gráfico: a passagem para o Creation Engine 3 exige testes, ferramentas e fluxos de trabalho internos mais maduros.

A estratégia parece clara: em vez de lançar algo “a correr” para aproveitar a marca Elder Scrolls, a Bethesda prefere esperar até estar confortável com a visão do jogo.

O que a comunidade espera do “estilo clássico” da Bethesda em The Elder Scrolls 6

Quando Howard fala em “estilo clássico”, está a apontar para um conjunto de características que definiram jogos como Morrowind, Oblivion e Skyrim - frequentemente resumidas em três pilares.

  • Liberdade na construção da personagem: o jogador decide quem é, em que competências aposta e como resolve conflitos.
  • Exploração emergente: a experiência vai muito além da missão principal; o mapa recompensa curiosidade constante.
  • Narrativas paralelas fortes: facções, guildas e tramas secundárias quase tão memoráveis como o enredo central.

Para quem chegou ao universo Bethesda por Starfield, a mudança pode ser evidente: em vez de saltar entre sistemas estelares, a ambição passa por aprofundar uma única região, com densidade cultural, política e geográfica.

Uma nota extra: cenário e “identidade de região” em The Elder Scrolls 6

Sem confirmação oficial, parte da conversa à volta de The Elder Scrolls 6 gira também em torno do local onde a aventura poderá decorrer. A série sempre beneficiou quando a região escolhida tem uma identidade forte e coerente - não apenas visual, mas também social e política - e isso encaixa no discurso de “um mundo mais coeso”.

Independentemente do território final, a ideia de concentrar a experiência numa área bem definida pode ajudar a recuperar aquilo que muitos fãs valorizam: cidades com personalidade, rotas de viagem reconhecíveis, facções com conflitos plausíveis e um sentido de pertença ao mundo.

Possíveis cenários de lançamento e vida longa (expansões e mods) com o Creation Engine 3

Como o projecto ainda estará longe da recta final, há hipóteses que começam a ganhar força. Uma delas é The Elder Scrolls 6 chegar como um “pilar” de uma geração de consolas, recebendo expansões durante muitos anos - à semelhança do que aconteceu com Skyrim.

Outra possibilidade é um foco reforçado na modificação pela comunidade. A Bethesda tem um histórico sólido de abertura a mods e, se o Creation Engine 3 for bem estruturado, pode facilitar desde campanhas criadas por fãs a melhorias de interface, novos sistemas de combate ou ajustes na magia.

Para o público geral, o resultado desejado é um RPG que continue a crescer muito depois do lançamento, com conteúdos oficiais e criações da comunidade a coexistirem - tal como Skyrim no PC.

Termos e conceitos úteis para acompanhar o desenvolvimento de The Elder Scrolls 6

Há dois conceitos que surgem repetidamente nas conversas sobre TES 6 e que nem sempre são claros para quem acompanha o tema de forma mais casual.

  • Motor gráfico (engine): conjunto de ferramentas e código que torna o jogo possível - gráficos, física, IA, animações, iluminação e muito mais. Quando a Bethesda fala em Creation Engine 3, está a referir-se ao “esqueleto” técnico que sustenta o jogo.
  • Jogo como serviço: modelo assente em actualizações frequentes, temporadas e, muitas vezes, microtransacções, desenhado para manter jogadores activos durante anos. Fallout 76 segue esta lógica. O “regresso ao estilo clássico” sugere que The Elder Scrolls 6 deverá afastar-se desse formato e aproximar-se de uma experiência completa, com expansões tradicionais.

Para quem procura campanhas longas a solo, escolhas com impacto e a sensação de estar num mundo vivo, esta mudança de direcção parece promissora. Resta saber se The Elder Scrolls 6 vai conseguir honrar o legado de Skyrim com as novas possibilidades do Creation Engine 3 - evitando repetir os problemas que dividiram opiniões em Starfield e Fallout 76.

Comentários

Ainda não há comentários. Seja o primeiro!

Deixar um comentário