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Marinha Real britânica adapta o **RFA Lyme Bay** como **plataforma de guerra de minas** com sistemas autónomos

Homem a operar equipamento digital num barco enquanto um pequeno barco robótico é içado no mar ao pôr do sol.

A Marinha Real britânica está a avançar com a adaptação do navio RFA *Lyme Bay* para operar como uma plataforma de guerra de minas, num desenvolvimento que poderá estar associado a um eventual destacamento para o Mediterrâneo oriental ou para o Médio Oriente, tendo em conta o actual contexto regional. De acordo com a informação oficialmente divulgada pela força naval, o navio da classe Bay deverá receber, nos próximos dias, tecnologias autónomas de última geração destinadas a detectar, identificar e neutralizar minas navais, reforçando as capacidades de contra-medidas de minas da frota britânica.

Com as alterações previstas, o RFA *Lyme Bay* passará a poder actuar como uma unidade-mãe para sistemas não tripulados, com capacidade para armazenar, preparar, lançar e recuperar um conjunto alargado de plataformas autónomas - incluindo drones subaquáticos e embarcações de superfície dedicadas à caça às minas.

RFA Lyme Bay e a transição para uma Marinha Híbrida na guerra de minas

Este conceito enquadra-se na transição da Marinha Real britânica para uma “Marinha Híbrida”, na qual navios tripulados operam em conjunto com sistemas não tripulados, aumentando o alcance e reduzindo o risco em missões de elevada perigosidade, como as operações de contra-medidas de minas. Para esse efeito, o Lyme Bay será dotado de sistemas de comando e controlo do tipo “plug and play”, que permitem integrar rapidamente diferentes equipamentos e empregá-los conforme as necessidades operacionais do momento.

Actualmente, o RFA *Lyme Bay* integra a Royal Fleet Auxiliary, a componente logística e de apoio da Marinha Real britânica, cuja missão principal é sustentar operações à escala global. “Ao tirar partido da tecnologia autónoma, garantimos que a Marinha Real se mantém na linha da frente da defesa subaquática”, declarou o Primeiro Lorde do Mar, general Sir Gwyn Jenkins.

Estado de alta prontidão e sinalização de um possível emprego operacional

Este processo ocorre depois de o RFA *Lyme Bay* ter sido colocado em estado de alta prontidão há algumas semanas, o que tem alimentado especulações sobre um possível emprego operacional numa zona onde o risco de ameaças navais - incluindo minas - voltou a assumir uma relevância acrescida.

Preparativos em Gibraltar e cenários possíveis de utilização

Na sequência deste plano, as tarefas de integração dos novos sistemas serão realizadas em Gibraltar, um dos principais pontos de apoio britânicos no Mediterrâneo. No local, o navio será igualmente sujeito a inspecções, com o objectivo de garantir a sua disponibilidade para operações prolongadas.

Embora o comunicado oficial não indique um destino específico, vários relatos da imprensa especializada referem que o RFA Lyme Bay poderá ser destacado para o Mediterrâneo oriental, acumulando também funções complementares, como apoio a evacuações ou presença naval em áreas de interesse estratégico. Neste contexto, a situação no Médio Oriente - com especial atenção aos espaços de acesso - tem sido marcada por operações militares intensas, deslocações navais e riscos acrescidos para o tráfego marítimo, o que torna ainda mais crítica a capacidade de detecção e neutralização de minas.

Porque a guerra de minas voltou a ganhar peso no ambiente marítimo actual

A ameaça das minas mantém-se particularmente relevante por combinar baixo custo relativo com impacto potencial elevado: pode restringir acessos a portos, condicionar rotas comerciais e atrasar operações de projecção de forças, mesmo sem necessidade de presença naval permanente do adversário. A aposta em plataformas autónomas permite acelerar a pesquisa e a classificação de contactos, mantendo as tripulações a uma distância de maior segurança durante as fases mais perigosas da missão.

Do ponto de vista operacional, a utilização de uma unidade-mãe como o RFA *Lyme Bay* facilita a sustentação no teatro: alojamento, manutenção, planeamento e gestão do ciclo de missão dos sistemas não tripulados. Esta arquitectura também tende a favorecer a interoperabilidade em operações multinacionais, ao permitir a integração rápida de módulos e cargas úteis diferentes, ajustadas ao tipo de ameaça e às condições locais.

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