A Mazda retirou do mercado europeu o MX-30 equipado com motor Wankel como extensor de autonomia (R‑EV). Depois de a marca ter terminado, no início do ano passado, a comercialização do MX-30 totalmente elétrico na Europa, a versão R‑EV deixou agora de surgir no configurador oficial.
A decisão foi confirmada à Autocar por um porta-voz da Mazda, que atribuiu o cancelamento do MX‑30 R‑EV a uma “combinação de razões”, entre as quais as tendências de compra e as prioridades de produção.
Mazda MX-30 R‑EV: extensor de autonomia e motor Wankel fora da Europa
O MX‑30 R‑EV diferenciava-se por permitir aumentar a utilização do automóvel para lá do raio de ação exclusivamente elétrico. Em modo elétrico, a autonomia anunciada era de 85 km, mas, com o apoio do extensor de autonomia, o total podia ultrapassar 600 km.
Esse resultado era possível graças a um motor rotativo Wankel com 75 cv e 117 Nm, utilizado apenas como gerador para alimentar o sistema elétrico - ou seja, sem ligação direta às rodas.
Apesar da proposta técnica pouco comum, o modelo ficou aquém do esperado nas vendas europeias, sendo encarado como um produto de baixo volume.
Antes desta decisão, o MX-30 100% elétrico já tinha sido descontinuado na Europa em 2023, depois de ter registado cerca de 600 unidades vendidas. A autonomia limitada do elétrico puro - 200 km oficiais - e um preço elevado foram apontados como razões para a procura reduzida. Em Portugal, por exemplo, os valores começavam ligeiramente acima dos 40 000 euros (sem considerar campanhas).
Produção do R‑EV e continuidade do Mazda MX-30 no Japão
A saída do Mazda MX-30 do mercado europeu não significa o fim do modelo a nível global. No Japão, o primeiro elétrico da marca continuará disponível e, além das versões 100% elétrica e R‑EV, inclui ainda uma variante a gasolina com o Skyactiv‑G 2,0 litros, associado a um sistema híbrido ligeiro.
Entretanto, a própria versão R‑EV, equipada com motor Wankel, está com a produção temporariamente suspensa, com retoma prevista para o próximo verão.
Num plano mais prático, esta retirada na Europa não impede, por si só, a continuidade de assistência e manutenção aos veículos já vendidos, mas tende a reduzir a visibilidade comercial do modelo e a limitar a sua evolução nesta região. Para potenciais compradores no mercado de usados, a decisão pode também influenciar a perceção de procura futura e, por consequência, a valorização.
Também vale a pena notar que a solução de extensor de autonomia tem sido um nicho no mercado europeu: agrada a quem quer condução elétrica no dia a dia sem dependência constante de carregamentos longos, mas compete hoje com híbridos plug-in mais comuns e com elétricos de maior autonomia, numa fase em que o consumidor privilegia propostas mais simples e com rede de assistência alargada.
Novas apostas elétricas da Mazda
O fim do MX-30 na Europa não representa o abandono dos elétricos por parte da Mazda no continente, até porque existem metas de emissões para cumprir. No ano passado, a marca lançou a berlina elétrica 6e e, este ano, está prevista a chegada do SUV elétrico CX‑6e, que já foi possível ver de perto.
Tanto o 6e como o CX‑6e resultam da parceria da Mazda com a chinesa Changan, recorrendo à plataforma e à tecnologia elétrica do fabricante asiático.
Em Portugal, o CX‑6e tem chegada marcada para junho, com preços a partir de 44 985 euros. Já o 6e entrou no mercado nacional no final do ano passado, com valores desde 40 050 euros.
A Mazda afirma que vai manter o investimento em veículos 100% elétricos e tem em desenvolvimento a sua primeira plataforma dedicada, que deverá culminar no lançamento global de um novo elétrico em 2028.
O motor Wankel em sistemas híbridos também permanece nos planos da marca, mas a estratégia poderá mudar: em vez de funcionar exclusivamente como gerador, como no MX‑30 R‑EV, a Mazda admite que ele volte a ter um papel como força motriz, algo que já foi sugerido no Salão de Tóquio.
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