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Ucrânia quer financiar esforço militar com venda de equipamento excedente e inovação em drones

Soldado ucraniano em uniforme camuflado monta um drone militar sobre uma mesa de trabalho.

A Ucrânia procura reduzir a dependência do apoio dos aliados e quer sustentar o esforço militar através da venda de equipamento excedente - um excedente alimentado por anos de inovação pensada para resistir à invasão.

Transformada num verdadeiro laboratório de tecnologias de guerra, a Ucrânia, ao fim de quatro anos de invasão russa, acelerou a criação de soluções para defesa e ataque. Para depender menos da ajuda externa, Kiev pretende agora exportar para países da Europa e do Médio Oriente material bélico que lhe sobra, bem como capitalizar o conhecimento obtido no terreno, de modo a financiar a continuidade do conflito.

"A guerra mudou muito. Primeiro eram drones contra humanos, soldados e tanques. Agora é sobretudo drones contra drones", disse à agência France-Presse (AFP) Konstantyn, comandante-adjunto de uma unidade antiaérea no Leste da Ucrânia.

No terreno, o país tem apostado em sistemas de interceção de drones utilizados pela Rússia, incluindo os iranianos Shahed, e, em paralelo, tem produzido veículos não tripulados para o ar, a terra e o mar. No domínio terrestre, estas plataformas permitem entregar abastecimentos às tropas, evacuar feridos, colocar ou remover minas e até enfrentar posições inimigas à distância - um conjunto de capacidades que acabou por contribuir para a estagnação do conflito.

Russos com menos ganhos

Em março, a Rússia quase não avançou: somou apenas 23 quilómetros quadrados e, ao mesmo tempo, perdeu outras áreas, segundo dados do Instituto para o Estudo da Guerra analisados pela AFP. O progresso - o mais baixo desde setembro de 2023 - é justificado, de acordo com a entidade norte-americana, pela contraofensiva ucraniana entre Donetsk e Dnipropetrovsk, bem como pela decisão de Moscovo de proibir o uso de terminais de Internet Starlink e de limitar a plataforma Telegram, anteriormente muito utilizada na frente.

Com a guerra no Irão, países do Golfo que foram atingidos pela retaliação de Teerão pediram apoio a Kiev, e Volodymyr Zelensky reconheceu que sistemas ucranianos ajudaram no abate de drones Shahed. O presidente deslocou-se igualmente ao Médio Oriente e assinou acordos de defesa com duração de uma década, que incluem a produção de drones na Ucrânia e no Golfo.

"A Ucrânia está a partilhar experiência que não está disponível no Médio Oriente", afirmou o presidente ucraniano à agência Reuters. "O conhecimento especializado não é um drone, mas uma habilidade, uma estratégia, um sistema em que o drone é apenas uma parte da defesa", acrescentou o líder de Kiev, que espera que, com financiamento adequado, o país consiga fabricar dois mil drones por dia - apesar de precisar de cerca de mil diariamente, o que abriria margem para exportar o excedente.

Berlim anunciou entendimentos com Kiev no domínio da defesa aérea, incluindo a produção de drones na Alemanha. "Agora, mais do que nunca, queremos aprender uns com os outros", resumiu o chanceler Friedrich Merz, num discurso em linha com o de Roma. "A Itália, em particular, está muito interessada em desenvolver a produção conjunta, especialmente na área dos drones, um setor no qual sabemos muito bem que a Ucrânia se tornou uma nação líder nos últimos anos", disse a primeira-ministra Giorgia Meloni.

Yevgen Magda, diretor do centro de estudos Institute of World Policy, sediado em Kiev, sublinhou à AFP que "este é um momento bastante arriscado para a diplomacia ucraniana". "O mercado de armas é algo bastante delicado e ter sucesso com uma única ação ou uma única visita é muito difícil", avisou. "Esperemos que seja implementado da forma que for melhor para a Ucrânia, mas é muito difícil garantir algo neste momento", acrescentou.

Baixo custo dos drones torna-os vitais em combate

Uma abordagem recorrente tanto na guerra na Ucrânia como em conflitos no Médio Oriente passa por lançar grandes quantidades de drones e mísseis para saturar os sistemas de defesa aérea. Para que este volume de ataques e de interceções possa manter-se de forma contínua, a escala de produção e os custos por unidade tornam-se decisivos. A Ucrânia tem desenvolvido intercetores individuais com preços entre 700 e 12 mil dólares. Em contraste, um único míssil das baterias do sistema Patriot, dos EUA, custa mais de um milhão de dólares.

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FP-5 Flamingo
Um exemplo de míssil de cruzeiro produzido localmente é o FP-5 Flamingo, cuja produção começou em meados de 2025 e que já foi utilizado em várias ocasiões, atingindo alvos russos até 1300 km da fronteira. Este alcance obriga a rever a estratégia de afastar da linha da frente infraestruturas estratégicas, como fabricantes de armamento.

Não tripuladas
Existem milhares de modelos de dispositivos não tripulados - aéreos, terrestres e aquáticos - destinados a tarefas táticas, de ataque e de interceção. Entre os exemplos estão o octocóptero R18, o UJ-25 kamikaze, a embarcação autónoma Magura e o veículo de combate Ironclad.

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