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Reforma da faturação eletrónica: como a Solo apoia os auto-empreendedores

Homem jovem a trabalhar num portátil numa mesa junto à janela, com telemóvel, cadernos e chá.

A reforma da faturação eletrónica está a gerar apreensão, mas começam a surgir respostas práticas para apoiar os auto-empreendedores. Um exemplo é a plataforma Solo.

A mudança é profunda - e está mesmo ao virar da esquina. A partir de 1 de setembro de 2026, todas as empresas estabelecidas em França e sujeitas a IVA terão a obrigação de conseguir receber faturas em formato eletrónico - sem exceção. Ao todo, a medida abrange perto de 10 milhões de agentes económicos, desde grandes grupos até microempreendedores.

A implementação, no entanto, será faseada. As PME e as microempresas terão até 1 de setembro de 2027 para se regularizarem e passarem a conseguir emitir uma fatura eletrónica. Na prática, até um auto-empreendedor que emite apenas algumas faturas por mês terá, em breve, de dispor de uma Plataforma Acreditada (PA) para receber as faturas dos seus fornecedores - um ponto que muitos ainda desconhecem e que também assusta.

Muito pouca clareza para muitos

Apesar de o relógio já estar a contar, no terreno reina a confusão. “É uma realidade que observamos todos os dias: *para muitos independentes, fatura eletrónica continua a ser sinónimo de fatura em PDF”, alerta Audrey Lagerqvist, COO da Betao, empresa tecnológica franco-sueca que edita, entre outros, o site de referência *Portail Auto-Entrepreneur. Na prática, o PDF tradicional vai deixar de ser suficiente e dará lugar a formatos de dados estruturados, que terão de circular obrigatoriamente através de plataformas específicas.

Entre um calendário considerado pouco claro e o receio de novos custos de gestão, muitos encaram a faturação eletrónica como uma ameaça à rentabilidade. “Os microempreendedores são os mais frágeis do ponto de vista económico. Quando falamos de mais 10 ou 20 euros por mês, isso não é irrelevante na gestão do dia a dia”, recorda a responsável.

Para lá do preço, é a complexidade operacional que mais intimida. Os microempreendedores são muitas vezes um pouco esquecidos, aqueles para quem os esforços de comunicação do governo não são direcionados, lamenta Ingalille d’Armaillé, responsável de relações públicas na Betao. Esta falta de informação aumenta a ansiedade, sobretudo entre quem ainda trabalha sem ferramentas digitais avançadas.

Ao contrário das PME, os microempreendedores tendem a gerir tudo sozinhos, muitas vezes sem apoio de um contabilista. “Na ausência de uma comunicação governamental suficientemente clara, o verdadeiro risco é deixar muitos independentes pelo caminho”, sublinha. Para muitos, esta reforma é mais uma “montanha” administrativa, mas não se preparar deixou de ser opção: em breve, cada estrutura terá de indicar a sua Plataforma Acreditada (PA) para se manter em conformidade.

A conformidade não deve ser paga”: a aposta da Solo

Para dissipar as dúvidas, os independentes podem apoiar-se em atores com histórico no setor. A Betao, que acompanha há 12 anos mais de 600 000 independentes através do seu ecossistema, está a lançar a plataforma de gestão Solo. A 13 de fevereiro de 2026, a Solo obteve o estatuto de Plataforma Acreditada (PA) junto da Direção-Geral das Finanças Públicas (DGFiP). Este registo assegura aos utilizadores uma conformidade total.

A nossa ferramenta foi pensada para responder a problemas reais. Não lhes impomos, por exemplo, a abertura de uma conta bancária dedicada para usarem os nossos serviços”, afirma Audrey Lagerqvist. Desta forma, a Solo permite que o empreendedor escolha livremente o seu parceiro financeiro.

A plataforma também aposta no contacto humano. “Temos uma oferta premium com acompanhamento de um especialista. Em menos de dois minutos, o empreendedor consegue falar connosco ao telefone para obter resposta à sua dúvida”, promete a COO. Um apoio valioso, sobretudo porque a administração, por vezes, tem dificuldade em dar respostas claras a casos específicos da microempresa.

Neste contexto, a oferta “Solo Start” foi criada como um plano 100 % gratuito para apoiar a primeira fase da reforma. “Acreditamos que a conformidade não deve ser paga. Este plano gratuito vai permitir que todos os solopreneurs recebam as suas faturas dentro da nossa ferramenta, como a lei exige a 1 de setembro de 2026”, argumenta Audrey Lagerqvist.

Esta opção gratuita inclui o essencial para começar com tranquilidade: receção ilimitada de faturas eletrónicas, criação de orçamentos, ligação bancária e acesso a um painel de controlo de gestão. A lógica é simples: permitir que o independente se equipe sem pressionar a tesouraria e, depois, evoluir ao ritmo do crescimento do negócio.

Para quem já ultrapassou a fase inicial e começa a faturar com regularidade, existem planos pagos que desbloqueiam a emissão de faturas e funcionalidades avançadas. “A ideia é mesmo permitir que os nossos clientes evoluam em função do seu volume de negócios”, resume a responsável.

Porque a fatura eletrónica também pode ser uma boa notícia

Mesmo exigindo adaptação, a transição traz vantagens concretas que vão além do cumprimento legal - em especial na segurança financeira. “O Estado vai ter conhecimento de todos os estados da fatura, *o que vai permitir uma melhor visibilidade dos pagamentos em atraso**”, explica Audrey Lagerqvist. “O estado de receção fica registado, é uma informação dificilmente contestável. Isto traz muito mais rigor à gestão*”, acrescenta. E isto é particularmente relevante quando um único incumprimento pode empurrar uma microempresa para a insolvência.

Deixaremos de precisar de enviar uma fatura por e-mail ou de gastar um selo postal. Os custos associados à fatura em papel vão desaparecer”, enumera a especialista. Além disso, recorrer a uma plataforma acreditada ajuda a garantir que o utilizador está sempre dentro das regras, uma vez que a ferramenta simplesmente impede que se esqueça de uma menção obrigatória.

A recomendação é clara: não deixar tudo para o fim. Começar já ajuda a suavizar a curva de aprendizagem sem a pressão das datas oficiais. “O nosso papel é assumir toda a complexidade técnica. Assim que o mandato esteja assinado, o empreendedor é guiado. A experiência dele não muda, simplifica-se”, tranquiliza Audrey Lagerqvist.

Importa ainda notar que esta implementação é apenas uma etapa de uma harmonização mais ampla. O objetivo final está apontado para 2030 em toda a Europa, com uma fatura normalizada que facilitará as trocas transfronteiriças.

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