Cada vez mais pessoas estão a morrer de cancro colorrectal em idades jovens, incluindo doentes com apenas 20 anos. O actor James Van Der Beek, a quem foi diagnosticado cancro colorrectal em 2023, morreu aos 48 anos a 11 de Fevereiro de 2026, voltando a trazer esta doença para o centro da atenção pública.
A The Conversation (EUA) pediu ao oncologista gastrointestinal Christopher Lieu e à investigadora em cancro Andrea Dwyer que explicassem o que se sabe sobre o cancro do cólon de início precoce e o que os jovens podem fazer para se protegerem.
Porque é que mais jovens estão a desenvolver cancro colorrectal?
Os investigadores já identificaram vários factores associados ao aumento de casos de cancro colorrectal em pessoas jovens, mas não existe uma única explicação clara que, por si só, justifique esta tendência.
Há factores de estilo de vida - como o consumo de alimentos ultraprocessados e de álcool, bem como a falta de exercício - que têm sido associados ao cancro colorrectal de início precoce. Ainda assim, estas ligações são correlações e não provas de que sejam a causa do cancro colorrectal em adultos jovens.
Uma área de grande interesse para muitos cientistas é o microbioma intestinal: um ecossistema de microrganismos no intestino que ajuda o organismo a digerir os alimentos e a desempenhar outras funções essenciais.
Quando estes micróbios ficam desequilibrados - uma situação conhecida como disbiose - ocorre uma perturbação que pode favorecer inflamação e impactos negativos na saúde, incluindo um risco acrescido de cancro.
O que aumenta o risco de vir a ter cancro colorrectal?
Para além da genética, existem vários factores de estilo de vida que podem elevar a probabilidade de desenvolver cancro colorrectal.
A alimentação, por exemplo, influencia o risco. Consumir muita carne vermelha e alimentos processados e ingerir pouca fibra alimentar pode aumentar o risco de cancro colorrectal. O álcool também provoca cancro - mesmo beber menos de uma bebida por dia pode elevar o risco de cancro.
Fumar, a obesidade e a falta de exercício são outros elementos que contribuem para aumentar o risco.
Qual é a taxa de sobrevivência dos jovens com cancro do cólon de início precoce?
Entre investigadores, há bastante discussão sobre se existem diferenças nas taxas de sobrevivência entre pessoas com cancro colorrectal de início precoce e aquelas que desenvolvem a doença depois dos 50 anos.
Quando o cancro é identificado numa fase inicial, a taxa de sobrevivência aos cinco anos pode chegar aos 80% a 90%. Já quando a doença é detectada numa fase avançada e se disseminou para outras partes do corpo, as taxas de sobrevivência aproximam-se mais dos 10% a 15%.
Um estudo concluiu que doentes jovens com cancro do cólon metastático apresentaram uma taxa de sobrevivência ligeiramente inferior à de doentes com 50 anos ou mais.
Quais são os sintomas iniciais do cancro colorrectal?
Os sinais e sintomas mais frequentes do cancro colorrectal de início precoce incluem sangue nas fezes, dor abdominal e alteração dos hábitos intestinais - ou qualquer combinação destes problemas.
Uma anemia sem explicação aparente, isto é, níveis baixos de glóbulos vermelhos, é outro possível sinal. Estes indícios são alertas que não devem ser ignorados.
Ter estes sintomas não significa necessariamente que a pessoa tenha cancro colorrectal, mas justifica falar com um médico. Em determinados casos, o médico pode solicitar uma colonoscopia para uma avaliação mais aprofundada.
Como funciona o rastreio do cancro do cólon?
O primeiro passo é conversar com a sua equipa de saúde para perceber qual é o teste mais indicado para si. Saber em que categoria de risco se enquadra ajuda a orientar o rastreio, a prevenção e alterações de estilo de vida que reduzam a probabilidade de cancro colorrectal.
Pessoas com risco médio de cancro colorrectal, em geral, não têm historial pessoal nem familiar relevante de cancro colorrectal, cancro hereditário, pólipos pré-cancerosos ou doença inflamatória intestinal. Para estas pessoas existem várias opções de rastreio, incluindo testes às fezes para procurar sangue e células anómalas, bem como exames de imagem para visualizar o cólon e o recto.
Recomenda-se que o rastreio se inicie aos 45 anos e que continue, em intervalos regulares, até aos 75 anos.
Já as pessoas com risco elevado de cancro do cólon, tipicamente, têm historial pessoal ou familiar de cancro colorrectal, cancro hereditário ou doença inflamatória intestinal. Podem também acumular vários factores de risco relacionados com o estilo de vida.
Para quem tem risco elevado, a colonoscopia é o único exame de rastreio recomendado, podendo ser necessário começar mais cedo e repetir com maior frequência.
Como reduzir o risco de cancro do cólon e cancro colorrectal?
Comunicar e agir é fundamental. Fale com a sua equipa de saúde sobre o seu risco individual com base na idade, no historial familiar e em quaisquer sinais e sintomas, para garantir que lhe é indicado o exame e o teste de rastreio mais adequados.
Assuma o controlo da sua saúde. Há factores do estilo de vida que pode gerir para diminuir o risco pessoal de cancro colorrectal: praticar actividade física de forma regular; ter uma alimentação rica em fruta, legumes e fibra e baixa em carnes processadas; e manter um peso saudável.
Reduzir ou eliminar o consumo de álcool e tabaco também pode baixar o risco de cancro colorrectal.
Partilhe informação com familiares e com a sua equipa de saúde. Conhecer o seu historial pessoal e familiar de pólipos ou cancro colorrectal - e comunicá-lo ao médico - pode ajudar a garantir o teste certo, no momento certo.
Partilhar o seu historial pessoal pode salvar a vida dos seus filhos, irmãos e pais.
Christopher Lieu, Professor de Oncologia Médica, University of Colorado Anschutz Medical Campus e Andrea Dwyer, Investigadora em Saúde Comunitária e Comportamental, Directora do Colorado Cancer Screening Program, University of Colorado Anschutz Medical Campus
Este artigo é republicado de The Conversation ao abrigo de uma licença Creative Commons. Leia o artigo original.
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