Numa nova prova de maturidade e continuidade do Programa de Desenvolvimento de Submarinos (PROSUB), a Marinha do Brasil está prestes a cumprir mais um marco no seu percurso de modernização naval. Amanhã, 25 de novembro, terá lugar a cerimónia de lançamento ao mar do Almirante Karam (S-43), o quarto submarino de ataque de propulsão convencional da classe Riachuelo. Este momento reforça de forma decisiva a capacidade submarina do país e assinala o encerramento do ciclo de construção das unidades convencionais previsto no programa.
Em paralelo, decorre outro acontecimento de peso: a incorporação ao serviço do Tonelero (S-42), a terceira unidade da classe Riachuelo, cuja entrada em operação também está planeada para a mesma data. Assim, a Marinha do Brasil assinala dois passos importantes num só dia, espelhando o avanço sustentado de um programa que exigiu anos de planeamento, investimento e cooperação industrial com o Naval Group de França - parceria considerada determinante para a consolidação e desenvolvimento da indústria naval brasileira.
Almirante Karam e a classe Riachuelo no Complexo Naval de Itaguaí
O Almirante Karam, anteriormente identificado como Angostura, representa o fecho da etapa convencional do PROSUB antes da transição para a fase nuclear com o futuro Álvaro Alberto. Tal como aconteceu com os seus antecessores Riachuelo (S-40), Humaitá (S-41) e Tonelero (S-42), a construção foi realizada no Complexo Naval de Itaguaí, considerado o centro da modernização tecnológica e produtiva do sector naval no Brasil. Esta infraestrutura permitiu ao país consolidar competências próprias em conceção, engenharia e fabrico de submarinos, materializando um salto qualitativo em soberania industrial e na defesa nacional.
O lançamento ao mar do Almirante Karam encerra uma etapa essencial do PROSUB, um programa que, para além de dotar a Marinha do Brasil de meios submarinos modernos, procura reforçar a base tecnológica e industrial necessária para sustentar projectos futuros de elevada complexidade, incluindo o desenvolvimento de propulsão nuclear. Depois de entrar na água, a unidade seguirá para um processo alargado de ensaios, tanto em porto como em navegação, destinado a validar o desempenho de múltiplos sistemas - incluindo combate, propulsão, geração eléctrica e comunicações, entre outros.
De acordo com os calendários seguidos nas unidades anteriores, prevê-se que o Almirante Karam seja oficialmente entregue à Marinha do Brasil ao longo de 2026, após a conclusão bem-sucedida dos seus testes de mar. A sua integração no serviço operacional representará a culminação de mais de uma década de esforço contínuo no plano industrial e estratégico, consolidando o Brasil como o país com a frota de submarinos mais moderna e avançada da América do Sul.
Do PROSUB convencional ao submarino de propulsão nuclear Álvaro Alberto
Com o Tonelero já em operação e o Almirante Karam agora à tona, o PROSUB entra na sua fase final antes de enfrentar o objectivo mais ambicioso: a construção do submarino de propulsão nuclear Álvaro Alberto. Este projecto, que conjuga tecnologia nacional com cooperação internacional, deverá colocar o Brasil num grupo restrito de nações capazes de operar submarinos de propulsão nuclear, reafirmando a sua liderança regional e o compromisso com a defesa dos interesses estratégicos no Atlântico Sul.
Imagens usadas apenas para fins ilustrativos.
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