Porque plantar agora muda o verão por completo
Se aproveitares o fim do inverno ou a primavera para meter mãos à terra, o retorno chega mesmo a tempo do calor: cor, perfume e flores em abundância no auge do verão. A vantagem está em escolher plantas de flor de verão com bolbos, tubérculos ou rizomas, que voltam ano após ano em vez de fazerem só uma passagem rápida como muitas anuais.
Muita gente associa bolbos apenas às túlipas e narcisos, que se plantam no outono. Mas, para um impacto forte no verão, há outros nomes a ter em conta: amarílis, dálias, canas, lírios e companhia entram na terra na primavera e começam a trabalhar depressa.
Esta plantação de primavera dá-te, ainda no mesmo ano, um verdadeiro espetáculo de flores - e, consoante a espécie, durante várias épocas.
A grande vantagem destas plantas de bolbo e tubérculo é que, na maioria dos casos, já vêm refrigeradas do comércio. A fase de frio necessária fica assim resolvida; só tens de esperar pelo momento certo, sem risco de geadas. Quem planta entre fevereiro e o fim de maio, em regra, arranca a tempo do pico do verão.
Há apenas uma regra essencial: evitar encharcamento. O solo deve ser solto, bem drenado e nunca ficar constantemente molhado, senão os bolbos apodrecem rapidamente. Em vasos, ajuda muito colocar uma camada de drenagem com argila expandida ou gravilha.
Como plantar bolbos de primavera corretamente
Quer lhes chames bolbos, tubérculos, rizomas ou cormos, o processo de plantação é muito parecido:
- Faz um buraco com cerca de duas a três vezes a altura do bolbo
- Coloca o bolbo com a ponta virada para cima
- Preenche com terra fina e pressiona ligeiramente
- Rega para garantir bom contacto entre a terra e o bolbo
Em vaso, começa sempre pela drenagem e depois coloca uma camada de terra de boa qualidade para plantas. Nos tubérculos, compensa plantar mais juntos para que floreiras e vasos fiquem, depois, com aspeto mais cheio.
Os 10 bolbos de verão mais fortes para plantar até ao fim de maio
Com estes dez favoritos, crias a base para um verão muito mais vistoso do que os típicos vasos de gerânios.
1. Amarílis (Hippeastrum) – a estrela exótica para lugares quentes
A amarílis, conhecida sobretudo de interior, também existe para o exterior. Gosta de sol, calor e solo bem drenado. As flores grandes, em forma de trompete, ficam especialmente elegantes no terraço ou num canteiro abrigado.
Em vaso, o bolbo é mais fácil de proteger: no outono, recolhe-o seco, guarda-o num local fresco mas sem geada e volta a colocá-lo no exterior na primavera.
2. Anémonas – nuvens leves de flores
As anémonas criam quase um tapete de flores no canteiro ou no vaso. As flores delicadas, quase sempre simples, parecem flutuar sobre a folhagem fina, o que as torna ideais para a frente do canteiro e para preencher falhas.
Antes de plantar, deixa os tubérculos algumas horas em água morna; assim, rebentam com mais facilidade. Um local de meia-sombra chega perfeitamente.
3. Begónias tuberosas – explosão de cor na sombra
Para cantos escuros, varandas viradas a norte ou zonas sob árvores, as begónias tuberosas são quase imbatíveis. Precisam de pouca luz direta e, ainda assim, florescem durante meses.
Na primavera, planta os tubérculos de forma rasa, com a parte côncava virada para cima. No outono, desenterram-se, guardam-se secas e no ano seguinte repete-se o processo.
4. Caládio – a planta de folhagem com efeito uau
O caládio destaca-se menos pelas flores e mais pelas folhas: em forma de coração, salpicadas, rosa, brancas, verdes - muitas vezes parecem pintadas à mão. Perfeito para terraços de meia-sombra ou varandas com pouca luz.
Os tubérculos gostam de calor. Planta apenas quando as noites já estiverem estáveis e amenas. No inverno, ficam secos e sem geadas dentro de casa.
5. Canna – ambiente tropical no canteiro
As cannas lembram bananeiras no aspeto: folhas grandes e imponentes e, por cima, espigas florais coloridas. Adoram sol pleno, muita água e bons nutrientes.
No jardim, muita gente planta os rizomas diretamente no canteiro. Em zonas mais frias, vale a pena desenterrar no outono e guardar num local protegido da geada.
6. Crocosmia – pontos de cor mais intensos
As crocosmias trazem movimento ao canteiro com as suas hastes curvas e finas, em tons de laranja ou vermelho. Combinam bem com gramíneas ou junto a sebes escuras.
Em zonas de clima mais suave, os bolbos podem ficar no solo; uma camada de mulch ajuda a proteger de frio mais severo.
7. Dálias – um clássico para canteiros cheios
As dálias fazem parte do essencial para muitos jardineiros amadores. Há formas para todos os gostos, desde variedades simples, amigas das abelhas, até pompons enormes. Florescem todo o verão, desde que retires regularmente as flores secas.
Os tubérculos só devem ir para a terra quando já não houver risco de geadas noturnas. No fim do outono, desenterram-se, guardam-se secos e voltam a plantar-se no ano seguinte - poupando a compra anual.
8. Gladiolos – ideais para cortar e levar para dentro
Os gladiolos oferecem hastes florais altas e elegantes, perfeitas para ramos. No canteiro, criam linhas limpas e muito gráficas.
Se plantares novos bolbos de duas em duas semanas, prolongas bastante a floração: as espigas abrem em sequência e seguem bem para o final do verão.
9. Lírios (Lilium) – perfume e elegância
Os lírios são moradores fiéis do jardim. Depois de bem instalados, os seus bolbos ficam no solo durante muitos anos. Muitas variedades têm perfume intenso, ótimo para zonas perto do terraço ou de um canto de descanso.
Preferem locais soalheiros ou de meia-sombra, com os “pés” frescos e a parte aérea ao sol - por isso, resulta bem plantá-los entre vivazes mais baixas.
10. Tuberosas – perfume de fim de tarde para o terraço
As tuberosas ainda são um segredo para muita gente. As suas hastes florais são discretas, mas o perfume ao fim do dia é fortíssimo.
Os tubérculos devem ser colocados em locais quentes e protegidos, por exemplo em vasos junto à zona de estar. No outono, voltam a ser retirados e guardados sem geada.
Que bolbo vai para onde?
Com a localização certa, tiras muito mais partido destas plantas. Em linhas gerais, a escolha pode ser esta:
| Localização | Plantas adequadas | Vantagem principal |
|---|---|---|
| Sol pleno no canteiro | Canna, dálias, crocosmia, gladiolos, lírios, tuberosas | Fundo alto e colorido, bom para insetos |
| Varanda / terraço soalheiro | Dálias, gladiolos, amarílis, canna | Vasos cheios e muitas flores de corte |
| Meia-sombra / sombra | Begónias tuberosas, caládio, anémonas | Levam luz a zonas mais escuras |
Como guardar bem os bolbos de verão no inverno
Muitas destas espécies vêm de regiões mais quentes e aguentam mal o nosso inverno. Para as manter de um ano para o outro, convém agir com método no outono:
- Corta a parte aérea depois da primeira geada
- Desenterra os tubérculos com cuidado e sacode a terra mais grossa
- Deixa secar durante alguns dias num local arejado
- Guarda em caixas com um pouco de papel de jornal ou terra seca
- Mantém num espaço fresco, escuro e sem geada
Os lírios e, consoante a zona, as crocosmias podem ficar no solo, desde que o terreno não seja demasiado húmido. Uma cobertura de folhas ou composto de casca ajuda a reforçar a proteção.
Dicas práticas para quem quer pouco trabalho e muitos vasos
Se tens pouco tempo, aposta em vasos grandes. Quanto maior o volume de terra, menos vezes tens de regar. Misturar vários bolbos no mesmo recipiente dá volume, alturas diferentes e floração escalonada - por exemplo, anémonas em baixo, dálias ao meio e gladiolos ao fundo.
Um adubo líquido de quinze em quinze dias na água da rega, ou um adubo de libertação lenta no momento da plantação, costuma chegar. Sem nutrientes suficientes, as flores e o crescimento ficam bem mais fracos.
O que muitos subestimam quando falam de bolbos
Os bolbos de verão ganham a fama de serem “complicados” porque é preciso voltar a retirá-los no outono. Na prática, o esforço compensa: muitos tubérculos aumentam de tamanho de ano para ano, podem ser divididos e dão quase de graça novas plantas.
Quem tem crianças pode transformar a plantação num pequeno ritual da estação. Ver a mudança de um canteiro vazio para uma parede de flores é muito mais marcante quando se pôs as mãos na terra - e é precisamente aí que está o encanto desta tarefa de primavera.
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