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Este motor Diesel dos anos 90 continua a ser produzido ainda hoje

Carro branco Toyota 4x4 com capô aberto, pneus grandes e matrícula “1HZ LEGEND” em exposição.

Enquanto a maioria dos Diesel modernos envereda por cilindradas mais pequenas, turbos por todo o lado, eletrificação e uma camada extra de filtros e sensores, existe um motor que parece viver noutro tempo - e nem se incomoda com isso. Assobia para o lado, como na música do Carlão, ex-Da Weasel (desculpem a referência).

Chama-se 1HZ, é da Toyota e nasceu no início dos anos 90. E sim: ainda se fabrica e está longe de pendurar as luvas. É um Diesel de seis cilindros em linha, 4,2 litros, atmosférico, com bloco em ferro fundido, injeção mecânica e uma filosofia simples: pôr a durabilidade acima de tudo.

Numa era em que se fala de «obsolescência programada» e «inteligência artificial» a toda a hora, este motor continua indiferente. Tás na boa, tás na boa…

Um motor feito para durar

O Diesel 1HZ apareceu em 1990 para equipar o Toyota Land Cruiser da Série 70. Não foi pensado para brilhar em fichas técnicas, mas para aguentar em cenários onde a assistência não está a um toque de distância na app My Toyota. Em muitos casos, nem sequer existe.

Entrega 130 cv de potência e cerca de 285 Nm de binário, variando conforme a especificação e o mercado. Números contidos para um 4,2 litros. Mas a ausência de turbo, a elevada taxa de compressão e a simplicidade da bomba injetora mecânica dão-lhe uma tolerância impressionante a combustível de qualidade inferior e a manutenção mais básica.

Continua em produção

O 1HZ não cumpre as normas europeias. Queiramos ou não, a sustentabilidade é uma preocupação dos países desenvolvidos - e é também por isso que o crescimento económico é tão importante: sem ele, não há políticas ambientais.

Assim, o habitat natural deste Diesel da Toyota são as regiões do mundo onde a prioridade é a fiabilidade estrutural e a facilidade de reparação. Em frotas mineiras, organizações humanitárias ou zonas rurais isoladas, a previsibilidade mecânica vale mais do que a eficiência absoluta. Pode mesmo ser uma questão de vida ou de morte.

A própria Toyota vende o Land Cruiser Série 70 em versões mais recentes noutros mercados com o 2.8 turbodiesel (1GD-FTV) de 204 cv, compatível com exigências ambientais modernas. Este motor lembra-nos que o planeta não avança todo ao mesmo ritmo. Há locais onde o progresso é mais lento - e os motores também.

Por vezes, até gostamos que seja assim. E por falar em carros lentos e fiáveis…

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