Há instantes que não se limitam a prometer o que aí vem: colocam-nos, de imediato, perante o futuro a funcionar. Foi precisamente isso que vimos no Seixal, onde a bp marcou um novo capítulo no carregamento de veículos elétricos ao colocar em operação o primeiro carregador público de 1 megawatt da Europa.
Esta infraestrutura, desenvolvida no âmbito da colaboração entre a Iberdrola e a bp pulse, já está ativa - embora, por agora, cada conector esteja limitado a 600 kW - e faz de Portugal o primeiro cenário europeu a experimentar esta tecnologia com acesso público.
O facto de a bp ter escolhido Portugal para estrear o primeiro carregador público de 1 MW na Europa está longe de ser um acaso: reflete a velocidade com que os portugueses adotam soluções novas e reconhece a posição estratégica do país como campo de testes para inovação em mobilidade elétrica.
Para perceber até onde esta evolução pode chegar, colocámos ao lado do carregador o automóvel certo: o XPENG G9 2025, o elétrico com o carregamento mais rápido atualmente disponível no mercado nacional. Carregador e carro, lado a lado - um diálogo de alta voltagem registado num vídeo em que explicamos, passo a passo, como tudo funciona.
Um megawatt que muda a escala do carregador público de 1 MW da bp no Seixal
Um megawatt não é apenas uma medida: é uma mudança de patamar. São mil quilowatts de potência - o suficiente para alimentar entre 1500 e 2500 habitações, ou aproximadamente 10% da energia consumida por um estádio de futebol cheio numa noite de Champions. E é essa potência que, pela primeira vez, fica concentrada num único ponto de carregamento aberto ao público, aqui mesmo, na Margem Sul.
O equipamento tem um nome técnico pouco amigável - Alpitronic HYC-1000 - e é mais do que um simples posto: é uma antevisão do que vem a seguir. Instalado pela Iberdrola | bp pulse, funciona como plataforma de ensaio para uma nova geração de carregadores ultrarrápidos.
O módulo central, ligado a dois dispensadores, consegue disponibilizar até 1 000 kW de potência total, gerindo automaticamente a distribuição de energia conforme o número de veículos em carregamento. Na prática, comporta-se como um “maestro” elétrico que reparte potência sem perder o compasso.
A nova fronteira do “carregamento rápido”
Durante muito tempo, falar em “carregamento rápido” era falar em 50 kW. Um valor que foi crescendo, aos poucos, com o passar dos anos. Hoje, essa referência ficou para trás. O HYC-1000 chega a 600 kW por conector, mesmo sem recurso a cabos refrigerados - um limite temporário, imposto por questões térmicas. Quando o cabo atinge cerca de 52 °C, o sistema reduz a potência por motivos de segurança.
As próximas iterações deverão trazer cabos com refrigeração líquida, capazes de sustentar 600 kW (ou mais) durante todo o ciclo de carregamento. Mais adiante, entrará em cena o Megawatt Charging System (MCS), direcionado para camiões e veículos industriais, com 1 MW de potência por cabo. De acordo com a bp, Portugal estará entre os primeiros países a testá-lo.
Apesar de toda a sofisticação técnica, a utilização continua simples e familiar: pagamento com cartão, integração nas aplicações habituais, emissão de fatura com NIF e custos totalmente transparentes. E, junto de alguns destes locais, a bp reforça o conceito Pingo Doce & Go, para transformar o tempo de carregamento numa tarefa útil do quotidiano.
O XPENG G9 2025 e a nova medida do tempo
Do lado do automóvel, o XPENG G9 2025 destaca-se por ser o primeiro elétrico vendido em Portugal preparado para potências de carregamento superiores a 500 kW. Com bateria de 93,1 kWh e arquitetura 800 V SiC, consegue passar de 10% a 80% em apenas 12 minutos - ou, traduzido em prática, 1 quilómetro de autonomia por segundo.
Com 575 cv, 695 Nm e autonomia até 585 km WLTP, o G9 junta desempenho e eficiência a um habitáculo tecnológico com aspirações de protótipo: dois ecrãs de 14,96″ em 2.4K, sistema de som Dynaudio com 20 altifalantes e Dolby Atmos 7.1.4, suspensão pneumática inteligente e até carregamento sem fios a 50 W com ventilação ativa.
Portugal na linha da frente da eletrificação
Para a bp, a entrada em funcionamento deste primeiro carregador de 1 MW é um marco que vai além do lado técnico. Representa confiança na capacidade de Portugal liderar a transição elétrica e antecipa aquilo que, dentro de poucos anos, será o novo padrão nas estradas europeias.
E quando um carro consegue absorver a energia de um estádio inteiro em doze minutos, percebe-se que a revolução elétrica já não depende só das baterias. É apenas uma questão de tempo até as paragens para carregar deixarem de ser um problema.
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