O Presidente da República Francesa tornou a decisão oficial esta sexta-feira: a interdição dos telemóveis nos liceus vai avançar. A entrada em vigor está marcada para a próxima rentrée, isto é, em setembro de 2026.
A medida promete gerar debate entre alunos, famílias e comunidades educativas. No dia 28 de novembro, Emmanuel Macron confirmou que, a partir do início do ano letivo de setembro de 2026, os telemóveis deixarão de poder ser utilizados nos liceus (ensino secundário) em França. Para o chefe de Estado, a escola deve preservar-se como um espaço de aprendizagem e de convivência, defendendo que é ali que se estuda e se troca ideias com os outros, sem a interferência constante do ecrã.
Macron sublinhou ainda que a estratégia combinará prevenção, acompanhamento e, quando necessário, proibição, com aplicação à escala nacional. A confirmação do calendário - setembro de 2026, aquando da rentrée escolar - foi transmitida pelo Palácio do Eliseu a um órgão de comunicação social francês.
Interdição dos telemóveis nos liceus: a decisão de Emmanuel Macron e o calendário para 2026
A iniciativa aproxima-se de uma proposta legislativa apresentada três dias antes pela deputada macronista Laure Miller, que pretende alargar aos liceus a interdição do uso de telemóveis, seguindo regras equivalentes às já aplicadas noutros estabelecimentos de ensino.
Se o objetivo é uniformizar práticas, a implementação concreta exigirá normas claras: onde ficam guardados os equipamentos, como se controlam as exceções e que procedimentos existem para situações urgentes (por exemplo, contactos familiares imprescindíveis). Em muitos contextos escolares, a operacionalização passa por cacifos, bolsas seladas ou guarda em mochila - mas tudo isto implica recursos, fiscalização e aceitação por parte da comunidade.
A interdição do telemóvel no “collège” (ensino básico) foi um falhanço?
Importa lembrar que a interdição dos smartphones já está em vigor nos collèges (nível equivalente ao ensino básico) em França desde a rentrée anterior. Na prática, os alunos que levam equipamento devem mantê-lo guardado, seja em cacifos próprios, seja dentro da mochila, conforme as regras definidas por cada estabelecimento.
A medida, anunciada na primavera, foi defendida pela então ministra da Educação Nacional, Elisabeth Borne, que a apresentou como determinante para o bem-estar e o sucesso escolar. Outro propósito assumido foi incentivar as crianças a passarem o máximo de tempo possível a ler livros. Ainda assim, os primeiros relatos no terreno apontam para uma execução irregular: em vários locais, a proibição existe no papel, mas nem sempre é aplicada de forma consistente ou eficaz.
Um ponto frequentemente debatido é o equilíbrio entre disciplina e educação digital. Mesmo com uma interdição, continua a ser essencial trabalhar competências como literacia mediática, gestão de tempo e segurança online, para que os jovens saibam lidar com tecnologia fora da escola - onde, na maioria dos casos, o telemóvel regressa imediatamente às rotinas diárias.
Jovens “viciados” nas redes sociais?
O anúncio surge na sequência de um inquérito divulgado pela Missão Interministerial de Luta contra as Drogas e os Comportamentos Aditivos (MILDECA) em parceria com a Toluna Harris Interactive. De acordo com os resultados, 70% dos franceses apoiariam proibir as redes sociais a menores de 15 anos.
O estudo sugere também um nível elevado de dependência destas plataformas entre os mais novos: 21% dos inquiridos dizem passar mais de três horas por dia nas redes sociais. Além disso, 76% consideram que ficam online tempo a mais - uma percentagem que sobe para 80% entre os menores de 24 anos.
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O que deve reter sobre a interdição dos telemóveis nos liceus em França
- A interdição dos telemóveis nos liceus foi oficializada por Emmanuel Macron.
- A medida entra em vigor na rentrée de setembro de 2026.
- A abordagem anunciada combina prevenção, acompanhamento e interdição, com aplicação nacional.
- A interdição já existe nos collèges, mas os primeiros balanços apontam para dificuldades de aplicação em alguns estabelecimentos.
- O debate liga-se à preocupação com redes sociais e possíveis comportamentos de adição entre os jovens, conforme indicado pelo inquérito da MILDECA com a Toluna Harris Interactive.
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