Uma história no mínimo rocambolesca, mas que está longe de ter graça para quem vive ali.
Chega. Os moradores do bairro de Barrios de Gordón, na província de León, em Espanha, decidiram avançar com uma queixa em tribunal contra uma vizinha. O motivo: farta de ver cabos de fibra óptica a passar junto à sua fachada, a mulher acabou por os cortar - deixando a localidade sem Internet.
O site espanhol 20minutos esteve no local para perceber um conflito que já se arrasta há mais de um mês. E a situação continua sem solução, porque a moradora em causa impede a intervenção dos técnicos.
Barrios de Gordón: um diálogo quase impossível
A reportagem deu voz, entre outros, a Isidro, trabalhador independente que ficou impossibilitado de exercer a sua actividade:
Vim para esta aldeia há um ano para criar a minha empresa e o meu trabalho depende de uma ligação à Internet. Não poder trabalhar significa não poder receber.
Também María José relatou estar particularmente preocupada com a mãe, que tem um sistema de alerta de emergência ligado à rede. Por esse motivo, a família acabou por ter de sair de casa:
«Ela quer ficar em casa, mas sem o sistema de alerta não pode estar sozinha. Tem muito pouca mobilidade e não consegue sair para avisar alguém se acontecer alguma coisa.»
Isidro, visivelmente irritado com o que aconteceu, acrescentou:
«No início estava tudo bem, mas há um mês tentei que uma empresa instalasse a fibra óptica. Quando os técnicos chegaram, os proprietários intervieram para impedir qualquer ligação. Eles chegaram a colocar o cabo de fibra óptica e, dois dias depois, todos os cabos apareceram cortados. Não se sabe exactamente quem fez isto, mas prefiro não dizer mais e deixar cada um tirar as suas próprias conclusões.»
O que está em causa quando se corta a fibra óptica
Além do transtorno óbvio - ficar sem acesso à Internet -, este tipo de incidente afecta directamente o funcionamento de serviços essenciais e do quotidiano. Para quem trabalha a partir de casa ou depende de plataformas online, a interrupção da ligação representa perda imediata de rendimento, tal como Isidro descreveu. E, em situações como a de María José, um simples corte de cabos pode colocar em risco a segurança de pessoas vulneráveis que dependem de dispositivos de teleassistência.
Numa comunidade pequena, onde muitas vezes existe menor redundância de infra-estruturas, um acto de vandalismo ou uma intervenção indevida pode causar um “apagão” digital generalizado. Daí a decisão dos moradores de procurarem uma resposta por via judicial.
Um precedente ainda mais rocambolesco
Apesar de este caso não ter qualquer piada para os residentes, está ainda assim muito longe dos estragos provocados em 2011 por uma mulher de 75 anos que, com uma simples picareta e uma serra, cortou ligações à Internet na Arménia e em parte da Geórgia.
Na altura, segundo explicava o Le Figaro, a polícia georgiana indicou que a responsável pela falha em massa foi apanhada em flagrante a furtar cabo, mas acabou por ser libertada devido à idade. Antes disso, já teria seccionado um cabo de fibra óptica que fornecia Internet à capital georgiana, Tbilissi, e a outras regiões do Cáucaso, referiam então os mesmos relatos. Mais informações sobre o caso podem ser consultadas aqui.
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