Amazon Web Services e Google Cloud anunciaram uma parceria para criar um mecanismo de interoperabilidade entre os seus serviços. Em termos práticos, esta interoperabilidade pode tornar-se um dos factores que ajudam a evitar a próxima grande falha generalizada na Internet.
Grande parte das aplicações e serviços online usados diariamente assenta nas infra-estruturas de um número reduzido de grandes fornecedores. Quando um destes intervenientes sofre uma interrupção, uma fatia relevante da Web fica imediatamente afectada. Em novembro, por exemplo, um incidente técnico na Cloudflare desencadeou falhas em vários serviços, incluindo a rede social X. Já em outubro, um problema do lado da Amazon Web Services também teve impacto, deixando vários sites e aplicações inacessíveis.
Perante este cenário, a novidade é positiva: estas interrupções poderão tornar-se menos frequentes graças a um novo projecto de interoperabilidade (iniciado pela Amazon) entre fornecedores de cloud, ao qual a Google Cloud já aderiu. Segundo a Google, “esta solução foi concebida para permitir que os clientes criem facilmente aplicações de nível empresarial que abrangem simultaneamente os ambientes Google Cloud e AWS”. Um dos ganhos mais evidentes é a possibilidade de uma empresa se apoiar rapidamente noutro fornecedor quando surgem problemas.
A Google acrescenta ainda que os seus clientes, bem como os da Amazon Web Services, poderão beneficiar de uma arquitectura intrinsecamente resiliente, com “vários níveis de protecção contra falhas de hardware, de rede e de software, garantindo assim a disponibilidade permanente” das aplicações críticas.
Interoperabilidade Amazon Web Services e Google Cloud: activação em poucos minutos
A ligação entre ambientes já era viável anteriormente, mas a implementação era, regra geral, demorada e trabalhosa. Com esta parceria entre Google Cloud e Amazon Web Services, o processo passa a ser significativamente mais simples.
De acordo com Robert Kennedy, vice-presidente de serviços de rede na Amazon Web Services, “ao definir e publicar uma norma que elimina para os clientes a complexidade dos componentes físicos, com elevada disponibilidade e segurança incorporadas nessa norma, os clientes deixam de ter de se preocupar com tarefas morosas para criar a conectividade pretendida. Quando necessitam de conectividade multicloud, esta fica pronta a ser activada em poucos minutos com um simples clique”.
Além disso, a Amazon refere no seu comunicado que a Microsoft Azure deverá juntar-se a esta iniciativa em 2026. A funcionalidade foi pensada para ser aberta, o que significa que outros fornecedores de serviços cloud poderão também aderir, a par da Google Cloud, da Amazon Web Services e, mais tarde, da Microsoft Azure.
O que muda na prática para estratégias multicloud
Para muitas organizações, a multicloud é mais do que uma escolha tecnológica: é uma forma de reduzir dependências e aumentar a continuidade do negócio. Com uma norma de interoperabilidade mais directa, passa a ser mais fácil desenhar planos de contingência que incluam a mudança de tráfego ou de componentes críticos entre fornecedores, minimizando o impacto de falhas e acelerando a recuperação.
Este tipo de arquitectura também pode facilitar decisões de governação e conformidade, sobretudo quando existe a necessidade de separar cargas de trabalho por requisitos específicos (por exemplo, disponibilidade, risco e criticidade). Mesmo com a promessa de “disponibilidade permanente”, as empresas continuam a precisar de definir claramente objectivos internos de continuidade (como prioridades de serviços e dependências entre sistemas) para tirarem o máximo partido de uma arquitectura resiliente.
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