A Samsung quer alterar a forma como tiramos fotografias com o smartphone. Ao que tudo indica, a marca sul-coreana estará a desenvolver um novo sensor capaz de oferecer zoom contínuo, sem “saltos” e sem penalizar a qualidade. Eis o que está em causa.
Porque é que o zoom nos smartphones ainda funciona por “paliers” (saltos)
Na maioria dos telemóveis actuais, o conjunto de câmaras traseiras inclui vários sensores. Num esquema típico, encontramos:
- Ultra grande angular
- Grande angular
- Telefoto
Na prática, quando o utilizador amplia a imagem, o equipamento vai alternando entre sensores em pontos pré-definidos (por exemplo, 0,6x, 1x e 3x). Entre esses valores, o smartphone recorre ao zoom digital.
Isto significa que uma fotografia captada, por exemplo, a 2,9x tende (em teoria) a ficar abaixo do resultado obtido a 3x, porque a ampliação é feita digitalmente a partir do sensor grande angular (1x), em vez de usar “de raiz” o sensor telefoto. É precisamente este comportamento por degraus - que o utilizador nota quando o foco e a perspectiva mudam ligeiramente ao alternar de lente - que a Samsung pretende ultrapassar.
Sensor Samsung Freeform Continuum: zoom óptico de 1x a 9x sem trocas visíveis
Segundo o site Sammobile, a Samsung estará a trabalhar num sensor Freeform Continuum. A ideia passa por um sensor com zoom óptico de 1x a 9x, suportado por um conjunto de várias lentes.
Este tipo de abordagem já foi explorado por fabricantes como a Sony e a LG e tem um objectivo claro: eliminar a necessidade de o utilizador “pensar” nos pontos fixos de ampliação. Ao reduzir (ou mesmo eliminar) as transições perceptíveis entre câmaras, o resultado esperado é simples: independentemente do nível de zoom, a imagem mantém-se nítida.
Há ainda um efeito colateral potencialmente importante para o design dos telemóveis: se um único módulo cobrir uma faixa ampla de zoom óptico, os fabricantes deixam de precisar de multiplicar sensores na traseira para oferecer diferentes distâncias focais.
Além da fotografia, um zoom óptico contínuo pode também elevar a experiência de vídeo: menos “saltos” durante a gravação, transições mais suaves e uma consistência maior de detalhe ao aproximar e afastar a cena.
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Um sensor que pode estrear numa marca pouco conhecida em França (Tecno)
Este componente poderá chegar ao mercado, primeiro, através de uma marca quase desconhecida em França: a Tecno. De acordo com o Sammobile, a fabricante chinesa terá intenção de integrar esta tecnologia em futuros equipamentos.
Ainda assim, o calendário não aponta para breve: o sensor só deverá estar pronto em 2027, pelo que haverá que esperar para perceber como se traduz em resultados reais - sobretudo em condições exigentes, como pouca luz.
Largan prepara alternativa telefoto com dois espelhos e menos espessura
Em paralelo, é referido um outro sensor de carácter inovador, desta vez atribuído ao construtor taiwanês Largan. Este módulo telefoto recorreria a dois espelhos para captar mais luz e teria uma vantagem adicional relevante em termos de engenharia: seria cerca de 10% menos espesso.
Ao contrário da proposta da Samsung, esta solução poderá estar pronta já no próximo ano, o que a torna, pelo menos em teoria, candidata a uma chegada mais rápida ao mercado.
O que falta perceber: adopção pela Samsung, implementação e impacto no design
A grande incógnita passa agora por como estas tecnologias serão aplicadas em smartphones comerciais e, sobretudo, se a própria Samsung planeia utilizá-las nos seus futuros modelos.
Se a implementação for bem-sucedida, poderá haver uma pequena revolução tanto na utilização quotidiana (zoom mais fluido e previsível) como no desenho dos equipamentos, com a possibilidade de existir um único sensor realmente útil para cobrir várias distâncias focais.
Ainda assim, transformar um protótipo num produto final implica resolver vários desafios: estabilização eficaz em toda a gama de zoom, desempenho consistente em baixa luminosidade, rapidez de focagem e, claro, custos de produção que não tornem os modelos premium ainda mais caros.
Fotografia: o campo de batalha dos topos de gama
A fotografia tornou-se um dos critérios mais determinantes nos equipamentos premium. As marcas disputam a atenção de consumidores cada vez mais exigentes com novas soluções ópticas e computacionais. Resta saber se, além da promessa tecnológica, a qualidade final vai acompanhar.
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