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ANECRA junta-se à nova “super associação” europeia do setor automóvel

Carro desportivo elétrico azul em exposição moderna com iluminação focada e mapa da Europa na parede.

Num setor cada vez mais influenciado por decisões tomadas a nível europeu, a representação institucional ganhou outra escala - e uma arquitetura mais robusta.

A 31 de março de 2026, em Bruxelas, ficou oficialmente concluída a fusão entre o CECRA (Conseil Européen du Commerce et de la Réparation Automobiles) e a Automotive Mobility Europe (AME). Desta união nasce uma organização mais ampla, desenhada para aumentar a capacidade de intervenção e coordenação do setor. A ANECRA, que já fazia parte do CECRA, passa agora a integrar esta nova estrutura europeia.

CECRA + Automotive Mobility Europe (AME): uma estrutura única para o setor

A ambição passa por reunir, numa única entidade, a representação de concessionários, oficinas, operadores independentes e até conselhos europeus de marca. Na prática, trata-se de construir uma frente comum para um setor que vive uma transformação profunda - tecnológica, energética e regulatória.

Ao concentrar estas várias sensibilidades sob o mesmo chapéu, a nova organização pretende ganhar consistência na forma como defende posições e responde a propostas legislativas com impacto direto no ecossistema automóvel, desde a venda ao serviço após a venda.

Uma voz mais forte junto das instituições europeias

De acordo com a ANECRA, esta integração é um passo decisivo para reforçar a capacidade de atuação em Bruxelas. O que está em causa são decisões que mexem com o quotidiano das empresas: metas de emissões, eletrificação e regras de concorrência no pós-venda, entre outras matérias com efeitos imediatos na operação e na rentabilidade.

“Vemos esta fusão como um passo de enorme relevância […] num setor que atravessa uma transformação estrutural sem precedentes.”

Roberto Gaspar, secretário-geral da ANECRA

A entrada e participação de associações provenientes de mercados-chave como França e Alemanha acrescenta massa crítica e aumenta a força institucional da nova entidade na relação com decisores e reguladores europeus.

O que muda para Portugal?

Para a ANECRA - que representa cerca de 3800 empresas em Portugal - este enquadramento chega numa fase particularmente delicada. O peso da legislação europeia no setor automóvel está num máximo histórico e a tendência é de crescimento, o que torna ainda mais relevante a presença organizada em Bruxelas.

Isto é especialmente sensível em áreas como o comércio de viaturas novas e usadas e o pós-venda independente, segmentos onde as margens já são pressionadas pelo mercado e onde o enquadramento regulatório pode agravar custos, alterar práticas comerciais e definir novas obrigações de conformidade.

Além disso, a aceleração da transição energética e tecnológica tende a exigir maior investimento em capacitação, equipamentos e processos - realidade que afeta diretamente oficinas e operadores independentes, bem como concessionários com atividades de venda e assistência. A capacidade de antecipar normas e defender condições de adaptação realistas passa a ser um fator competitivo.

A ANECRA garante que continuará a trabalhar para que a voz das empresas portuguesas seja ouvida em Bruxelas, assegurando que a especificidade do mercado nacional não fica diluída numa agenda europeia cada vez mais determinante para o futuro do setor.

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