5 de fevereiro de 2026, 10:29
Legenda da imagem: A. Krivonosov
Especialistas do sector automóvel alertam para um erro simples, mas frequente: reutilizar a anilha de drenagem (a anilha do bujão do cárter) na mudança de óleo do motor.
A falsa poupança na manutenção - e porque sai cara
A vontade de reduzir custos na manutenção do carro, sobretudo quando se trata de um veículo usado, muitas vezes produz o efeito contrário. Entre as falhas mais comuns e subestimadas está não substituir a anilha de drenagem sempre que se troca o óleo. É uma peça que, regra geral, custa menos de 1 €, mas ignorá-la pode abrir caminho a problemas realmente dispendiosos.
Anilha de drenagem do cárter: como funciona e porque não deve ser reutilizada
Durante a mudança de óleo, o bujão/parafuso de drenagem do cárter é apertado contra uma anilha específica - normalmente de alumínio ou cobre. No primeiro aperto, essa anilha deforma-se de forma controlada, criando a vedação necessária para impedir fugas.
O problema é que, depois de deformada, a mesma anilha já não garante o mesmo assentamento numa utilização seguinte, especialmente se: - o bujão tiver sido apertado em excesso numa manutenção anterior; - o cárter tiver pequenas irregularidades na superfície de contacto; - existir sujidade ou marcas na zona de vedação.
Do “suor” de óleo ao risco de fome de óleo do motor
O cenário mais benigno é o chamado “suor”: uma fuga lenta que vai deixando a zona do cárter húmida. Com o tempo, o proprietário repara que o nível no medidor (vareta) desce gradualmente e surgem manchas no chão onde o carro estaciona.
No pior caso, a fuga pode aumentar com o carro em andamento, provocando queda da pressão do óleo e elevando o risco de fome de óleo no motor. Nestas condições, a lubrificação deixa de ser suficiente e o desgaste acelera de forma dramática.
Consequências possíveis: de desgaste interno a reparação total do motor
Os danos podem ir desde desgaste de bronzes até à necessidade de uma reparação completa do motor. Ainda assim, alguns condutores chegam a apertar o bujão sem qualquer anilha, confiando que “vai aguentar”.
Este hábito é particularmente perigoso em cárteres de alumínio: quando a vedação falha, tenta-se muitas vezes compensar a fuga com mais aperto - e isso pode terminar em rosca espanada. A partir daí, os custos deixam de ser pequenos: pode ser necessário reparar a rosca, substituir componentes ou, em casos extremos, trocar o próprio cárter.
Mesmo detetando a fuga cedo, a conta aumenta
Mesmo quando a fuga é notada a tempo, a suposta poupança transforma-se em despesas adicionais, como: - regresso à oficina; - nova mudança de óleo; - compra da anilha correta; - reposição do óleo perdido.
No total, o valor final tende a ser muito superior ao preço daquela peça “barata”.
Boas práticas na mudança de óleo do motor (e a importância do aperto correto)
A substituição da anilha de drenagem em cada revisão não é exagero: é higiene técnica básica. Para reduzir ainda mais o risco de problemas, vale a pena confirmar também: - o binário de aperto recomendado pelo fabricante (apertar “a olho” aumenta o risco de fuga ou de rosca danificada); - se a zona de contacto está limpa e sem rebarbas; - se, após a troca, não existem pingos e a área fica seca após alguns minutos a trabalhar e uma inspeção visual.
Um detalhe adicional que muitos ignoram: verificação após alguns quilómetros
Como medida preventiva, é sensato voltar a verificar o chão da garagem/estacionamento e inspeccionar a zona do bujão após alguns quilómetros. Uma microfuga inicial pode passar despercebida no momento da manutenção e só se evidenciar depois do óleo aquecer, dilatar e circular sob pressão.
Também ajuda manter o hábito de controlar o nível na vareta com regularidade - especialmente nos dias seguintes a uma manutenção - para detetar cedo qualquer descida anormal.
Anteriormente, especialistas do 32CARS referiram que há oficinas que recusam reparar um carro quando o cliente leva as próprias peças.
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