Em 2025, o mercado europeu (UE + EFTA + Reino Unido) ganhou um novo fôlego no que toca às motorizações eletrificadas, com destaque para os híbridos recarregáveis. De acordo com a ACEA, foram comercializados mais de um milhão destes veículos, o que traduz um aumento de 33,4% face ao ano anterior.
Este avanço torna-se ainda mais expressivo quando colocado ao lado da evolução do mercado automóvel no seu conjunto: em 2025, o total de matrículas na Europa subiu apenas 2,4%, fixando-se em pouco mais de 13 milhões de unidades.
Quotas e tendências das motorizações eletrificadas (híbridos recarregáveis em destaque)
Apesar do salto nas vendas, os híbridos recarregáveis ficaram aquém da fasquia dos 10% de quota, estabilizando em 9,6% do mercado europeu.
A liderança continuou a pertencer aos híbridos convencionais, que dispensam carregamento externo - incluindo híbridos ligeiros e híbridos completos. Esta tecnologia somou 34,4% do mercado, com mais de 4,5 milhões de unidades vendidas.
Ainda assim, o ritmo de crescimento dos híbridos convencionais foi de 12,4%, o mais baixo entre as soluções eletrificadas. Em comparação, os veículos 100% elétricos avançaram 29,7% face a 2024, atingindo 2,5 milhões de unidades matriculadas - o equivalente a cerca de 19,5% do mercado europeu.
Um dos fatores que ajuda a explicar esta evolução é a maior maturidade da oferta: há mais versões eletrificadas em segmentos generalistas, e muitas gamas foram alargadas com opções que conciliam autonomia e custos de utilização competitivos. Em paralelo, a expansão (ainda que desigual) da rede de carregamento e a melhoria da eficiência energética tornaram a escolha eletrificada mais prática para um número crescente de condutores.
Metas de emissões
Este enquadramento é globalmente positivo para a indústria automóvel europeia. Embora a meta de redução de 100% das emissões de CO₂ para novos automóveis em 2035 tenha sido revista - passando a Comissão Europeia a exigir agora uma redução de 90% face aos níveis de 2021 -, a presença de automóveis elétricos continua a aumentar, estando atualmente nos 17,4%.
Para os construtores, esta trajetória é especialmente relevante porque influencia diretamente a gestão das emissões médias das frotas vendidas, bem como a estratégia de produto nos próximos anos. Na prática, um maior peso de modelos eletrificados facilita o cumprimento das metas e reduz a necessidade de medidas corretivas mais dispendiosas a curto prazo.
Gasóleo em queda acentuada
Os automóveis a gasóleo foram os que mais perderam terreno, registando uma descida de 24% nas vendas, para pouco mais de um milhão de unidades. Em 2025, o gasóleo representou apenas 7,7% do mercado.
Também os modelos equipados exclusivamente com motor a gasolina sofreram uma contração marcada: -18,9%, para 3,4 milhões de unidades. Ainda assim, com 26,1% do mercado, a gasolina manteve-se como a segunda solução de motorização mais vendida, atrás apenas dos híbridos convencionais.
Por sua vez, os veículos movidos a pilha de hidrogénio, gás natural, GPL, E85/etanol e outros combustíveis registaram um crescimento de 7,8%, alcançando 352 937 unidades. Este conjunto passou a representar 2,7% do mercado em 2025, acima dos 2,5% verificados em 2024.
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