As contas do mercado automóvel nacional relativas ao primeiro trimestre de 2025 já estão apuradas. Depois de avaliadas as marcas com mais matrículas, importa perceber que motorizações estão a ganhar (ou a perder) terreno nas escolhas dos portugueses.
A eletrificação do parque automóvel continua a afirmar-se em Portugal. Entre janeiro e março, foram matriculados 34 086 veículos ligeiros e pesados eletrificados - somando elétricos, híbridos e híbridos carregáveis - o que representa um aumento de 29,4% face ao período homólogo de 2024, de acordo com a ACAP (Associação Automóvel de Portugal).
Este avanço torna-se ainda mais significativo porque, no acumulado do trimestre, o mercado total de automóveis novos registou uma ligeira contração de 1,1%, totalizando 67 788 unidades. Ainda assim, os ligeiros e pesados eletrificados já equivalem a 50,2% de todos os veículos novos vendidos no país.
Um fator que ajuda a sustentar esta tendência é a maior visibilidade (e utilização) da rede pública e privada de carregamento, sobretudo nos principais eixos urbanos e nas ligações entre cidades. Ao mesmo tempo, o aumento da oferta eletrificada - com mais versões e gamas - tem alargado a escolha tanto para clientes particulares como para frotas.
Mercado automóvel nacional: eletrificados dominam nos ligeiros de passageiros
O domínio das motorizações eletrificadas é ainda mais claro quando se observa apenas o segmento de ligeiros de passageiros. Nos primeiros três meses do ano, 65,1% dos veículos matriculados recorreram a soluções eletrificadas, o que corresponde a 33 262 unidades, num total de 58 545 ligeiros de passageiros vendidos. Em termos homólogos, trata-se de um crescimento de 29,7%.
Dentro dos eletrificados, a liderança pertence aos híbridos (que não exigem ligação à corrente e incluem os micro-híbridos). No trimestre, somaram 14 327 unidades e cresceram 57,1% face a 2024. Atualmente, representam 24,5% do mercado de ligeiros de passageiros.
A segunda posição é ocupada pelos 100% elétricos, que já pesam 20,8% do mercado nacional, com 12 175 unidades vendidas. Isto traduz-se num aumento de 29,2% em comparação com o ano anterior - na prática, um em cada cinco carros novos vendidos em Portugal é 100% elétrico.
Em sentido contrário, os híbridos carregáveis perderam expressão: registaram uma descida de 4,9%, com 6760 unidades matriculadas, equivalentes a 11,5% do mercado nacional.
Já os ligeiros de passageiros a GPL (Gás de Petróleo Liquefeito) contabilizaram 4879 unidades no primeiro trimestre de 2025, atingindo uma quota de 8,3%. Este valor representa uma subida face a 2024, ano em que a quota se fixava em 7,2%.
Para além do preço de aquisição, muitos compradores têm pesado cada vez mais o custo total de utilização (combustível/energia, manutenção e fiscalidade). Essa conta tende a favorecer as soluções eletrificadas em contextos de quilometragem elevada e utilização urbana, enquanto opções como o GPL continuam a atrair quem procura poupança no abastecimento com um padrão de uso regular.
Gasóleo cada vez menos relevante
Apesar do crescimento dos eletrificados, a gasolina mantém-se como a motorização individual mais vendida entre os ligeiros de passageiros. No primeiro trimestre, representou 29,3% do mercado, com 17 170 unidades comercializadas.
Quem perde mais rapidamente espaço é o gasóleo. Entre janeiro e março, foram vendidos apenas 3239 ligeiros de passageiros com motores a gasóleo, o que corresponde a uma quota de 5,5% - quando, em 2024, essa quota se situava nos 8,8%. Esta queda é explicada também pela diminuição da oferta, com menos modelos e versões disponíveis com este tipo de motorização.
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