OSINT aponta chegada de dois EA-37B Compass Call ao Reino Unido via RAF Mildenhall
Recorrendo a plataformas públicas de rastreio de voos, analistas de inteligência de fontes abertas (OSINT) indicaram que dois dos mais avançados aviões de guerra electrónica ao serviço da Força Aérea dos EUA terão entrado em espaço britânico. Segundo os registos observados, tratam-se de dois EA-37B Compass Call, com os números de cauda 17-5579 e 19-1587, cuja rota os colocava a caminho da base RAF Mildenhall, em Inglaterra.
Sem confirmação oficial da Força Aérea dos EUA e do CENTCOM
Até ao momento, a Força Aérea dos EUA não confirmou publicamente a deslocação destas aeronaves, nem esclareceu o objectivo do movimento. Por essa razão, permanece por confirmar se o passo seguinte será um destacamento para o Médio Oriente ou, em alternativa, uma permanência em Europa.
Questionados pelo meio especializado The Warzone, tanto a Ala 55 sediada na Base Aérea de Offutt (que opera a plataforma) como o Comando Central dos EUA (CENTCOM) recusaram-se a validar o destino final. Assim, a leitura do cenário continua dependente de novos dados que venham a clarificar o alcance do eventual destacamento.
Contexto operacional: riscos e pressão para acelerar a substituição do EC-130H
Importa recordar que o EA-37B Compass Call é actualmente a mais moderna plataforma de guerra electrónica na frota da Força Aérea dos EUA. Precisamente por se tratar de um activo de elevado valor, alguns analistas consideram menos provável que seja colocado de imediato num teatro de operações de alta exposição, como o associado à Operação Epic Fury.
Esta cautela é reforçada por acontecimentos recentes: foi noticiado anteriormente um ataque iraniano bem-sucedido contra um avião de alerta e controlo aerotransportado (AWACS) E-3 Sentry que estaria destacado na Base Aérea “Príncipe Sultan”, na Arábia Saudita. Na mesma linha, analistas norte-americanos referem que nessa localização teriam estado também dois EC-130H a apoiar a Operação Epic Fury, podendo igualmente ter sofrido danos nos ataques - embora tal não tenha sido confirmado oficialmente.
A verificar-se a afectação dessas aeronaves, isso poderá constituir um incentivo adicional para a Força Aérea dos EUA avançar com o reforço do destacamento e, ao mesmo tempo, acelerar o processo de substituição já planeado: está prevista a aquisição de cerca de 10 aviões EA-37B para assumir o lugar do EC-130H.
Para que serve o EA-37B Compass Call no Médio Oriente
Caso venham efectivamente a operar no Médio Oriente, os EA-37B Compass Call destacam-se por serem aeronaves concebidas para detectar, localizar e seguir emissores no terreno, associados a múltiplos tipos de sistemas e redes do adversário. Esta vocação torna-os particularmente relevantes para apoio a operações terrestres, ainda que, no quadro específico em análise, essas operações não tenham começado.
Em paralelo, a sua missão pode incluir interferência e degradação de comunicações, com potencial para perturbar as ligações entre activos iranianos. Ao fragmentar a capacidade de coordenação e de resposta, este tipo de plataforma pode reduzir a eficácia de reacções combinadas face a acções dos EUA e de Israel.
O papel do rastreio público e o que (não) permite concluir
A leitura baseada em OSINT assenta em dados observáveis - como trajectos, escalas e timings - e pode antecipar tendências, mas não substitui confirmações oficiais sobre missão, regras de emprego, carga útil ou destino final. Além disso, alterações de última hora (mudança de plano, escalas técnicas ou medidas de segurança operacional) podem desviar rotas sem que isso corresponda a uma intenção estratégica definitiva.
Ainda assim, quando activos de elevado perfil como o EA-37B Compass Call surgem em rotas associadas a bases com histórico de apoio a projecções para outros teatros, o sinal político-militar é inevitável: demonstra prontidão, reforça a dissuasão e sugere capacidade de escalar rapidamente meios especializados.
Passagens anteriores pela Europa antes da guerra no Médio Oriente
Este não seria, de resto, o primeiro contacto recente destes aparelhos com o continente europeu. Antes do eclodir da guerra no Médio Oriente, um EA-37B norte-americano já tinha passado pela RAF Mildenhall e, igualmente, pelas bases alemãs de Ramstein e Spangdahlem.
De acordo com informação então divulgada pela Força Aérea, a deslocação teve como objectivo apresentar capacidades aos aliados de Washington na Europa, num contexto em que alguns países poderão ponderar integrar soluções deste tipo nos seus próprios inventários, reforçando a componente de guerra electrónica no quadro colectivo.
Imagens utilizadas a título ilustrativo
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