O radiotelescópio australiano ASKAP permitiu aos astrónomos fazer uma descoberta que está a pôr em causa as explicações mais aceites sobre a forma como certos sistemas estelares se comportam. Uma fonte até agora desconhecida emite um sinal de rádio estável a cada 36 minutos - com uma regularidade quase “de relógio” - mas com características que não encaixam de forma convincente em nenhum tipo de objecto celeste já catalogado.
Um novo enigma no céu: o que é a ASKAP J1424?
A fonte enigmática recebeu o nome pragmático ASKAP J1424. Foi identificada em janeiro de 2025, durante uma sessão de observação com cerca de 10 horas, realizada com o Australian SKA Pathfinder (ASKAP).
A periodicidade invulgar do sinal torna este caso especialmente desconcertante: não se trata apenas de um evento isolado, mas de uma emissão repetitiva e consistente, que obriga a reavaliar até que ponto os modelos actuais conseguem descrever todos os fenómenos de rádio que ocorrem no Universo.
Para perceber a verdadeira natureza da ASKAP J1424, é provável que sejam necessárias observações complementares noutros comprimentos de onda (por exemplo, infravermelho, óptico, raios X) e a comparação com dados de outros radiotelescópios. Só uma abordagem multi-instrumento poderá esclarecer se estamos perante um tipo raro de objecto já previsto teoricamente, ou se esta fonte revela um mecanismo físico ainda não considerado nas classificações actuais.
Além disso, a confirmação da estabilidade do sinal ao longo de períodos mais longos - dias, semanas ou meses - será decisiva. Se a regularidade se mantiver, a ASKAP J1424 poderá transformar-se num caso de referência para testar limites de rotação, campos magnéticos e interacções em sistemas estelares, ajudando a afinar (ou a corrigir) os modelos que hoje orientam a interpretação de emissões periódicas no rádio.
Comentários
Ainda não há comentários. Seja o primeiro!
Deixar um comentário