A mais recente explosão de preços nas bombas está a atingir em cheio quem depende do carro todos os dias e as famílias. As tensões geopolíticas em torno do Irão e do corredor petrolífero crítico no Golfo Pérsico estão a empurrar os custos para cima, e o salário mensal já quase não acompanha. Muitos condutores perguntam-se: compensa mudar para eléctrico ou híbrido - ou o sonho de poupar acaba por ficar ainda mais caro do que o próprio combustível?
Quando o preço do combustível dispara, os condutores reagem primeiro com o rato
O mais curioso é onde começa a mudança: não no stand, mas no browser. Plataformas de pesquisa automóvel registam aumentos súbitos nas visualizações de carros eléctricos, híbridos (full hybrid) e híbridos plug-in. As pessoas fazem contas, comparam e simulam cenários - mas não assinam logo um contrato.
"A subida dos preços dos combustíveis faz disparar o interesse por motorizações alternativas, mas a troca efectiva de viatura segue a um ritmo bem mais lento."
Economistas e analistas de mercado reconhecem aqui um padrão conhecido. Quando a gasolina ou o gasóleo sobem de forma acentuada, as quotas de mercado ajustam-se a médio prazo: os modelos mais eficientes ganham terreno e os grandes consumidores perdem. SUV grandes e pick-ups ficam especialmente pressionados quando cada abastecimento passa a engolir valores de três dígitos.
Ainda assim, os compradores não correm de um dia para o outro para os concessionários de eléctricos. Muitos recorrem primeiro a outras “travagens”:
- agrupar deslocações e reduzir viagens espontâneas
- aumentar os dias de teletrabalho, quando possível
- manter o carro por mais tempo, em vez de o trocar cedo
- experimentar carsharing ou boleias/famílias de carpool
Só quando fica claro que o choque na bomba não é um pico passageiro, mas uma nova realidade, é que surge uma viragem maior - e, nessa altura, normalmente para motorizações mais económicas.
O híbrido ganha destaque; o eléctrico cresce sobretudo no mercado de usados
A actual vaga de aumentos chega numa fase delicada para os fabricantes. Muitos grupos abrandaram recentemente a expansão das suas gamas eléctricas, à medida que os apoios encolheram e as margens ficaram sob pressão. Em paralelo, havia planos para voltar a apostar mais em motores de combustão rentáveis, mas sedentos.
É precisamente essa estratégia que agora fica em risco. Se os combustíveis se mantiverem caros por muito tempo, o grande carro a combustão torna-se difícil de vender. Ao mesmo tempo, uma solução que durante muito tempo foi vista como transitória começa a assumir a dianteira: o híbrido clássico.
Os híbridos não precisam de ficha, poupam combustível de forma perceptível em cidade e tendem a ser mais baratos do que muitos eléctricos puros. Para agregados que, todos os meses, equilibram a factura do depósito com a prestação do crédito, isto soa a compromisso pragmático.
"Para muitas famílias, o híbrido é, neste momento, a saída realista da espiral de custos - menos combustível, mas sem uma mudança tecnológica total."
Os eléctricos puros também beneficiam - mas de uma forma inesperada. O que aquece não é o mercado de novos, e sim o canto dos eléctricos usados. Comerciantes nos EUA relatam que estão a comprar propositadamente eléctricos mais antigos em leilões, porque contam com um forte salto de procura. A razão é evidente:
- eléctricos usados custam bastante menos do que novos
- o preço da electricidade, apesar das oscilações, parece mais previsível do que a gasolina
- os custos de manutenção tendem a ser mais baixos
Quem já lida com rendas elevadas, crédito caro e inflação em alta faz contas de outra maneira: um eléctrico usado alivia a pressão do combustível, mas não rebenta de imediato com o orçamento familiar.
O choque de custos no carro novo: de mais cinco euros na bomba passam a 50.000
Há um factor que trava em especial a corrida imediata para eléctricos novos: o preço total. Analistas do sector alertam que um problema de alguns euros a mais por depósito pode transformar-se rapidamente num tema de década, se alguém se apressa a financiar um carro novo.
Sobretudo nos EUA e em partes da Europa, a subida das taxas de juro elevou de forma clara as prestações mensais. Se, além disso, bónus fiscais generosos para eléctricos desapareceram ou foram reduzidos, a vantagem financeira encolhe ainda mais. De repente, entram em cena preços de compra de 40.000 a 50.000 euros - e a suposta poupança na bomba começa a parecer pequena.
Na Alemanha, junta-se outro elemento de incerteza. A interrupção rápida de apoios aos eléctricos deixou muitos interessados inseguros, já de si divididos entre energia cara, encarecimento generalizado e receio de desvalorização. Por isso, observadores do mercado esperam uma quebra nítida nas novas matrículas, sobretudo nos segmentos de preço mais elevado.
Como o mercado se desloca a médio e longo prazo
Investigadores de mercado partem do princípio de que a fase actual de choque de preços afecta o mercado automóvel em três etapas:
- Curto prazo: menos deslocações, mais comparações de preços, aumento forte das pesquisas online por modelos eficientes.
- Médio prazo: mais vendas de híbridos e de carros a combustão pequenos e eficientes, e procura mais fraca por SUV grandes e desportivos.
- Longo prazo: maior peso de veículos electrificados, deslocação para classes mais compactas e crescimento mais forte do mercado de eléctricos usados.
Para os fabricantes, isto significa o seguinte: quem, nos últimos meses, empurrou a sua gama com força na direcção de grandes modelos a combustão enfrenta agora um problema de estratégia. Planos de produção, orçamentos de marketing e stock nos concessionários têm de ser ajustados no curto prazo, embora os ciclos de produção na indústria automóvel sejam, na prática, planeados com anos de antecedência.
O que os condutores podem fazer agora, de forma concreta
Para os consumidores, a questão é como reagir com mais sentido neste contexto. Três pontos de acção destacam-se:
- Verificar o consumo real:
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