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Ativistas da Flotilha Global Sumud denunciam agressões da Marinha de Israel após interceção rumo a Gaza em Creta

Mulher com colete salva-vidas e algemas num barco com outras pessoas e um navio ao fundo no mar.

Os elementos de uma missão humanitária dizem ter sido agredidos e impedidos de aceder a água e comida por militares da Marinha de Israel.

Relatos de violência e privação na transferência para Creta

Os ativistas da Flotilha Global Sumud, abordados por forças israelitas quando seguiam para Gaza, afirmam que, durante a transferência para a ilha grega de Creta - onde acabaram por ser libertados esta sexta-feira - foram espancados e mantidos sem alimentos e sem água.

"Os participantes da Flotilha Global Sumud acabaram de sobreviver a 40 horas de crueldade a bordo de um navio da Marinha das Forças de Ocupação Israelitas (IOF) em águas gregas", denunciou a flotilha numa publicação no Instagram, citada pela agência Lusa.

De acordo com o mesmo relato, para lá da privação de comida e água, os ativistas terão sido "esmurrados, pontapeados e arrastados pelo convés com as mãos amarradas atrás das costas" quando, segundo dizem, resistiram "pacificamente" à separação de dois membros do grupo. O brasileiro Thiago Ávila e o espanhol-palestiniano Saif Abu Keshek - ambos coordenadores da flotilha - foram levados para interrogatório em Israel.

A publicação acrescenta ainda que as pessoas agredidas "sofreram fraturas no nariz, costelas partidas e espancamentos violentos", e refere que "chegaram a ser disparados tiros contra eles no meio do caos".

Interceção da Flotilha Global Sumud: números e local em disputa

Segundo a AFP, depois de desembarcarem, os ativistas - na sua maioria cidadãos europeus - entraram em quatro autocarros no porto de Atherinolakkos. Sob escolta da guarda-costeira grega, seguiram depois para Heraklion, capital da ilha.

Ainda esta sexta-feira, e para já, 33 embarcações continuavam a navegar ao longo da costa sul de Creta com destino à Faixa de Gaza, de acordo com o localizador de navios da organização.

Pelo seu lado, o Exército israelita declarou ter intercetado 22 das 58 embarcações da flotilha na madrugada de quinta-feira, a cerca de 100 quilómetros a oeste de Creta, em águas internacionais, tendo transferido os 175 ativistas para um navio israelita.

A organização da flotilha, contudo, sustenta que estavam 211 ativistas a bordo e que a interceção ocorreu na Zona Económica Exclusiva (ZEE) da Grécia, segundo uma verificação feita pela AFP.

Reações e contestação da legalidade

A legalidade da operação é posta em causa num comunicado conjunto subscrito por cerca de 10 países, entre os quais Espanha, Turquia e Paquistão, que apontam "violações flagrantes do direito internacional".

Em Portugal, o Governo confirmou na quinta-feira que havia pelo menos três cidadãos integrados na flotilha, sem conseguir precisar se estariam entre os detidos. O ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel, chamou o embaixador israelita para prestar esclarecimentos e assegurou que os serviços consulares estão prontos para apoiar os portugueses, quer na Grécia quer em Israel.

Dois participantes enfrentam justiça israelita

O brasileiro Thiago Ávila e o espanhol-palestiniano Saif Abu Keshek, detidos na quinta-feira a bordo de uma flotilha humanitária, serão interrogados em Israel. São, segundo o relato, os únicos ativistas que não se encontram na Grécia, sendo desconhecido o seu paradeiro. Na rede social X, o Ministério dos Negócios Estrangeiros israelita afirmou que Ávila é "suspeito de atividade ilegal", sem adiantar pormenores, e que Abu Keshek é "suspeito de filiação a uma organização terrorista". O Governo espanhol pediu a libertação imediata de Abu Keshek e garantiu que lhe prestará "toda a proteção".

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