Saltar para o conteúdo

Pentágono ordena retirada de cinco mil soldados da Alemanha e tensão com Trump sobre Ormuz e tarifas

Soldado em uniforme camuflado a entrar numa aeronave militar estacionada numa pista.

Retirada de cinco mil soldados dos EUA da Alemanha: decisão do Pentágono

O Pentágono comunicou esta sexta-feira que o secretário da Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, deu instruções para que cerca de cinco mil militares norte-americanos sejam retirados da Alemanha ao longo do próximo ano. A decisão é anunciada num contexto de agravamento das fricções entre Washington e Berlim, marcado tanto pelo aumento de tarifas norte-americanas como pelo desagrado de Donald Trump com a posição alemã relativamente ao bloqueio do estreito de Ormuz.

Segundo um comunicado do porta-voz do Pentágono, Sean Parnell, citado pela agência France-Presse, "Esperamos que a retirada esteja concluída nos próximos seis a doze meses". O anúncio surge depois de o presidente dos EUA ter ameaçado reduzir o contingente militar estacionado não só na Alemanha, mas também em Espanha e Itália.

À Reuters, um alto responsável do Pentágono, sob anonimato, classificou a retórica recente de Berlim como "inapropriada e contraproducente". Na mesma linha, sustentou que "O presidente está a reagir corretamente a estas declarações contraproducentes".

A mesma fonte explicou que será retirada uma brigada de combate e que um batalhão de artilharia de longo alcance - cuja deslocação para a Alemanha estava prevista para começar ainda este ano, no anterior Governo de Joe Biden - já não será enviado.

Com a saída destes cinco mil militares, o número de tropas norte-americanas na Europa voltaria a um patamar semelhante ao período pré-2022, antes da invasão do território da Ucrânia pela Rússia. Ainda à Reuters, o funcionário do Departamento de Defesa afirmou: "O presidente deixou bem clara a sua frustração com a retórica dos nossos aliados e a falta de apoio às operações norte-americanas que os beneficiam".

Escalada de tensão: bloqueio do estreito de Ormuz e críticas de Trump

A irritação, segundo a mesma fonte, está ligada ao facto de a NATO e os países europeus não terem actuado com os Estados Unidos para viabilizar a reabertura do estreito de Ormuz. Esta rota marítima, bloqueada pelo Irão e crucial para o sector petrolífero, manteve-se aberta até aos ataques israelo-americanos de 28 de fevereiro - e, desde então, Teerão passou a exigir controlo sobre o corredor, algo que poderá traduzir-se na cobrança de uma "portagem".

No caso específico da Alemanha, a tensão com Trump aumentou após o chanceler Friedrich Merz ter afirmado, no início da semana, que os EUA estavam a ser "humilhados" pela liderança iraniana. Na terça-feira, o líder da Casa Branca respondeu dizendo que o chefe do Governo em Berlim "acha que não há problema em o Irão ter uma arma nuclear". "Não sabe do que está a falar!", escreveu Trump na Truth Social.

Reacção alemã e bases dos EUA, incluindo Ramstein

Na quinta-feira, o ministro dos Negócios Estrangeiros alemão, Johann Wadephul, declarou que a Alemanha estava "preparada" para uma redução de tropas norte-americanas e que estava a "discutir o assunto atentamente e num espírito de confiança em todos os órgãos da NATO". Apesar de se dizer "tranquilo" perante a possibilidade de haver menos militares dos EUA no país, o chefe da diplomacia sublinhou que as principais bases norte-americanas em território alemão "não estão em discussão".

Como exemplo, apontou a Base Aérea de Ramstein, sublinhando que tem "uma função insubstituível tanto para os Estados Unidos como para" a Alemanha.

Na mesma sexta-feira, Donald Trump anunciou também um aumento das taxas alfandegárias aplicadas a carros e camiões produzidos na União Europeia. Sem apresentar justificação, o presidente dos EUA afirmou que estes veículos passarão a ser tributados em 25%, em vez dos 15% acordados - um impacto que deverá recair, em primeiro lugar, sobre a indústria alemã, que em 2024 exportou 450 mil automóveis para os Estados Unidos.

Comentários

Ainda não há comentários. Seja o primeiro!

Deixar um comentário